Mural

Blog dos correspondentes comunitários da Grande São Paulo

 

Feira Preta completa 9 anos

Por Indira Nascimento

A 9a. edição da Feira Preta está prestes a acontecer: dia 18 e 19 de dezembro, no Centro de Exposições Imigrantes. No sábado (18), o evento está marcado para começar às 13h e, no domingo (19), ao meio-dia.


Expositores, educadores, músicos e artistas de todo Brasil estarão reunidos e darão vida ao maior evento de cultura negra da América Latina. A programação é diversificada e inclui show de hip hop, aulas de samba rock, exposições de arte e fotografia, rodas de bate-papo, espaço para reflexão, cinema, teatro e muito mais (confira os detalhes em www.feirapreta.com.br).


Serão dois dias de interatividade, cultura, diversão e conhecimento. A expectativa para esse ano é de mais de 12 mil visitantes.

Não fique fora dessa!

Indira Nascimento, 22, é correspondente comunitária da Casa Verde.
@SantosIndira
indira.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 11h07

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Grafite por toda a parte

Por Daniela Araujo

 

A cena do hip hop em São Paulo é forte,  e vem conquistando um dialogo e respeito muito grande na cidade, saindo das periferias e conquistando seus espaços no centro.  Dentro desse movimento, existem as militâncias, que são representadas por cada “personagem”, como o grafite, o break, o MC e o Dj.

Um dos berços do movimento foi a Casa do Hip Hop em Diadema, que foi criada pela necessidade dos jovens se organizarem para obter espaços para ensaios, encontros, oficinas e workshops específicos. Foi, portando, um espaço conquistado por meio da organização da população. Esse movimento se espalhou e hoje paulistanos são referência do grafite brasileiro, o que atrai muitos artistas de outras cidades e países em busca de um muro para deixar a sua marca nessa grande metrópole.

A arte se espalha pela cidade, e na zona leste chegou com força total. A Mostra de Cultura Urbana, que aconteceu em São Miguel Paulista em novembro, trouxe grafite, skate, b.boys (de “breaker boy”) e b.girls (de “breaker girl”) para a zona leste da cidade de São Paulo. “Nossa idéia é incluir a arte onde ela não existe”, justifica João Paulo Alencar, 26, ou Todyone, como é conhecido um dos artistas idealizadores da mostra.

Durante o evento, 180 artistas preencheram 2,5km de muro da CPTM na rua Papiro do Egito, em São Miguel Paulista. A Suvinil, por meio do artista Rui Amaral, um dos parceiros, doou 2.500 latas de sprays e 80 latas de 18 litros de látex. “O legal foi incluir a comunidade na pintura, ou seja,  não precisava ser grafiteiro para pintar, você  pegava a tinta, os  pinceis, os sprays e os rolos e pintava”, conta Todyone.


 

Confira a entrevista ao Mural do b.boy e grafiteiro Todyone:

Como iniciou seu trabalho com grafite e artes visuais?

Eu já desenhava desde cedo. Mas quando comecei a ver o desenho de uma outra forma, procurei uma oficina de grafite em Diadema, na Casa do Hip Hop, onde fiz oficina com o Chorão, do AVcrew, e comecei a pintar.

E como virou b.boy?

Como eu já era capoeirista, peguei o bonde de fazer oficina de break em 1999, com a Banks Back spin crew, fiz algumas aulas e aí comecei a treinar break e a grafitar.  Em 2001, um trabalho meu foi parar na revista “Rap Brasil” e, em 2002, entrei para o grupo Estilo de Rua Crew STILO DE RUA CREW, onde fomos campeões de destaque do break (Prêmio Hutús de hip hop promovido pela Central Única das Favelas (Cufa) e prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, em 2004 e 2007). Daí começaram os convites para participação em filmes, documentários e programas de TV.

E hoje, como você trabalha com esses dois elementos do hip hop, o break e o grafite?

Ministro oficinas dos dois, em vários locais da cidade. E sou professor de artes e break na ONG Centro Infanto Juvenil de Acolhida Santo Agostinho.

 

Daniela Araujo, 24, é correspondente comunitário de Interlagos.
@danidollskt
danielaaraujo.mural@gmail.com

 

 

Escrito por Blog Mural às 11h28

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Vozes de toda a cidade se unem em coro

Por Bia Souza

Curiosidade. Essa é a palavra mais utilizada pelos membros da Associação Coral da Cidade de São Paulo para explicar o motivo pelo qual resolveram participar do coro. A instituição é uma iniciativa do maestro Luciano Camargo, que une cantores, músicos profissionais e coralistas iniciantes, de diferentes faixas etárias e de vários bairros da capital paulista, para difundir a música de concerto.

A maior parte dos membros da associação pertence às regiões do Butantã e Campo Limpo, locais onde o coral realiza os ensaios.  Para cantar as complexas obras musicais, os coralistas recebem aulas para aprender a “ler” partituras e a praticar com a voz.

No repertório do grupo já passaram obras renomadas de Mozart, Bach e Villa Lobos. Para Ana Maria Simões, da região do ABC Paulista, membro desde 2003, o coral é uma fonte de conhecimento. “Nunca imaginei que pudesse cantar em russo ou em alemão. Quero aprender muito ainda, tanto a técnica como a teoria musical”, afirma a professora aposentada.

 

 

A moradora do Butantã Aline Lopes, 23, diz que conheceu a música erudita por meio do projeto, e que melhor momento da sua trajetória no coro foi participar de uma ópera que apresentaram no início do ano. “Eu detestava a música clássica e tudo o que gira entorno desse mundo, que eu achava que fosse chato e ultrapassado”, diz.  

Segundo o maestro, a realização da ópera “Orfeu e Eurídice” abriu espaço para a execução de grandes peças. Para Luciano, isso pode ampliar o projeto, criando outras células do coral.



 

Bia Souza, 20, é correspondente comunitário da Bela Vista e região central de São Paulo.
@BiaNaso
biasouza.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 13h13

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Pela democratização do audiovisual na periferia

 

Por Mayara Penina

 

A sétima arte: do povo, pelo povo.

Hoje começa o 1º Festival de Cinema de Paraisópolis! O festival é dividido em duas partes: mostra competitiva e não competitiva. A mostra não competitiva será realizada dos dias 13 a 17 de dezembro, com apresentação de vídeos de coletivos vindos de todo o Brasil.

Ver os filmes não será como ir ao cinema no domingo. As produções são de coletivos que discutem as questões políticas e sociais de seus espaços, como movimentos de moradia, jovens militantes da periferia, política e educação.

 

 

O festival é fruto do trabalho de outro coletivo audiovisual, o TA NA TELA - TNT (www.tanatela.org), formado por jovens de Paraisópolis. O coletivo nasceu de debates sobre a linguagem cinematográfica brasileira e produção de cinema na periferia. O festival tem o apoio do VAI (Programa para a Valorização de Iniciativas culturais) da Prefeitura de São Paulo, que incentiva a produção de vídeos e curtas-metragens independentes realizados de forma coletiva sem fins comerciais, por meio da realização de oficinas de capacitação para jovens.

Alexandre Passarelli, presidente do TNT, conta que esse trabalho é necessário porque “há séculos nossa classe social foi explorada dentro da imagem, até em Cannes! Queremos é desmantelar esse esquemão midiático, onde poucas vozes representam todo um povo”.

Com a modernização tecnológica tão sonhada e a inclusão digital, eles levantaram a voz e mesmo com algumas dificuldades, como falta de espaço e equipamentos modernos, o TNT realiza sessões e debates em torno do cinema produzido na periferia. No início, as exibições de vídeos eram realizadas em garagens e ruas. Hoje, eles exibem sessões quinzenalmente no CEU Paraisópolis e no Instituto de Teatro “Entreatros”.

 

 

O coletivo tem uma sede que funciona na famosa “laje”. Lá, eles atuam como produtora comunitária e fazem a “fiscalização” do poder público no que se refere a interesses culturais.

O festival é uma oportunidade para talentos que estão fora dos circuitos de vídeo comercial se mostrar e também fará com que a produção local se fortaleça.

Os curtas produzidos pelo TNT exibem personagens do dia a dia de Paraisópolis, como a “Dona Maria e o seu João do armazém”. Os vídeos mostram as reflexões e práticas políticas e sociais desses personagens reais.  “A grande diferença é que a dona Maria vai ver ela lá na tela, e deixará de ser mero espectador”, diz Alexandre.

Como alternativa ao circuito comercial de cinema, o coletivo propõe “um circuito digital, com cinema mais barato e popular, onde o direito do povo à cultura seja garantido e os milhões investidos no ‘cinema da pipoca’ sejam revertidos em educação para encontrarmos os mecanismos para saciar nossa fome, que além de biológica é cultural”.

 

Mayara Penina, 20, estudante de jornalismo, é correspondente comunitária de Paraisópolis.
@emayara
mayarapenina.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 16h10

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Os Stragos do Damasceno

 

Por Cleber Arruda

 

A banda de rock Stragos, dos irmãos Amaral, Birro, Fran e Kuka, tem sete anos de estrada na cena independente e está prestes a gravar o seu segundo CD com uma novidade: a substituição de um “estragador” na turma. Diego passou as baquetas para o novo baterista Rafah Beni.

 

Todos eles moram no Jardim Damasceno, periferia da zona norte de São Paulo. Os ídolos foram os integrantes da banda Raimundos, fonte de inspiração para o estilo musical que produzem. Para muitos, a forma de eles expressarem suas críticas à sociedade e até falar de amor destoa por não ser por meio do hip hop, do pagode ou de algo mais tradicional aos sons ouvidos no bairro onde cresceram.

 

A Stragos, capaz de lotar de fãs e amigos dois ônibus para acompanhar suas apresentações, nunca está sozinha. No bar do Nallas (point da galera do bairro), o empresário, amigo e produtor Marcão organizou uma sessão de fotos para apresentar o novo músico, que apesar de não ser ainda um membro da família, já está em sintonia. “Só falta levar minha cama pra casa deles agora”, diz Beni em tom de brincadeira.

 

Formação original do grupo

 

E por que Stragos?

 

Amaral, o back vocal, explica: “O nome é bem familiar, a gente sempre foi meio desastrado.” Kuka, guitarrista, interfere: “cuidado com o copo aí” (mostrando o objeto próximo da ponta da mesa). A piada interna faz todos sorrirem. Amaral complementa: “Minha mãe sempre dizia: ‘esses meninos são muito estragados’. Um jeito de falar da nossa ‘sina’ de estragar tudo, por sermos desajeitados”.

 

As fotos produzidas vão para as redes sociais da banda, cerca de sete, alimentadas por eles mesmos, para a divulgação dos trabalhos e shows. A banda da periferia da zona norte interage com fãs de diversos estados do país. “Temos fã clube não só em outras regiões aqui da capital como em outros estados como Santa Catarina, Pernambuco, Ceará e por aí vai...”, diz Fran, o baixista.  

 

Mas toda essa admiração não é à toa. A Stragos, como toda típica banda de garagem, coleciona inúmeras histórias perrengues e de bons momentos passados juntos. Entre as “glórias”, lembram que já venceram mais de 100 bandas da cena independente do Brasil inteiro no festival chamado Tribe House. Levaram para casa prêmio em dinheiro e a oportunidade de abrir um show da banda Granada.

 

Formação atual do grupo

 

Entre os desafios, os integrantes materializaram o suor do trabalho em instrumentos musicais, e encaram, sem baixar a cabeça, os preconceitos de morarem onde moram. Contam que já tiveram dificuldades na hora de acertar com empresas para buscá-los no morro. “Os movimentos e espaços culturais da região, como o CCJ (Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, no bairro da Cachoeirinha) e outros não nos dão oportunidade de tocar. Mas sabemos que pagam cachês de até R$ 3 mil para bandas menores, que não são aqui da quebrada”, observa Amaral, que acredita também ter relação com o fato de eles não terem um “perfil de playboys”.

 

O backing vocal diz que a banda não abre mão de subir nos palcos, mesmo sem pagamento ou precisando levar o seu próprio instrumento. É por essas e outras que a Stragos conquista o reconhecimento e se torna, cada dia mais, referência para outros jovens talentos do bairro, que apreciam e não medem esforços para curtir um bom rock’n roll.  

 

Integrantes da Stragos:

Amaral (backing vocal)

Birro (vocalista e guitarrista)

Fran (baixista)

Kuka (guitarrista)

Rafah Beni (bateirista)

 

Cleber Arruda, 29, é correspondente comunitário do Jardim Damasceno.
@CleberArruda
cleber.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 14h31

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Vivian Whiteman O blog Mural é produzido por algumas dezenas de correspondentes comunitários que moram na periferia da Grande São Paulo e arredores.
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