Mural

Blog dos correspondentes comunitários da Grande São Paulo

 

MURAL PROCURA NOVOS CORRESPONDENTES


O blog Mural procura novos colaboradores voluntários (sem vínculo empregatício nem remuneração) das regiões e bairros periféricos da Grande São Paulo.

Para saber mais sobre o que é o Mural, clique aqui. Aqui é possível conhecer e entrar em contato com os atuais correspondentes comunitários.

Critérios indispensáveis aos candidatos a blogueiros:

·        ter 18 anos ou mais;

·        morar em região ou bairro periférico da Grande São Paulo;

·        estar “envolvido” com a comunicação _estudante ou não de temas afins, ter seu próprio blog, desenvolver atividades relacionadas.



Processo seletivo:

·        Currículo (com idade e endereço completo);

·        Texto de 2.500 caracteres (com espaço) sobre “por que quero me tornar um correspondente comunitário do Mural”;

·        Texto de 2.500 caracteres (com espaço) sobre o seu bairro, como um possível primeiro ‘post’ para ser publicado no Mural.



Outras coordenadas:

·        Email para receber as inscrições: mural.folha@uol.com.br com cópia para imoi.mural@gmail.com

·        Data limite: 30 de setembro de 2011

·        Caso você seja selecionado, o compromisso é de enviar um texto de até 2.500 caracteres (com foto e/ou vídeo) uma vez por mês e participar de um encontro mensal dos blogueiros.









Escrito por Blog Mural às 10h30

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Vestibulinho da Etec Paraisópolis é o menos concorrido de SP

 
Por Vagner de Alencar

 

 

Dois meses após o início das aulas na Etec Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, Anderson Martins de Souza, 24, que é porteiro noturno e à tarde faz o curso de segurança do trabalho, comemora seu ingresso no ensino técnico, mas também lamenta. “O curso é muito bom, há uma baita infraestrutura, mas preocupa ver tantas cadeiras vazias. Acho que mais de dez alunos já desistiram”.

Apesar da alta evasão, o curso que Anderson frequenta está entre os dez mais procurados da Etec (Escola Técnica Estadual). Em muitas unidades, a concorrência para esse se inscrever em “segurança do trabalho” chega a 16 candidatos por vaga. Na escola de Paraisópolis, essa disputa não chega a um pra um (35 candidatos se inscreveram para as 40 vagas oferecidas; desse total muitos alunos sequer realizaram sua matrícula).

 

 

 

 

Embora as centenas de alunos que se formam anualmente nas escolas da comunidade, nenhum curso da Etec Paraisópolis ultrapassa a concorrência de três candidatos por vaga.

Para a recepcionista Jaqueline Aguiar dos Santos, 23, que cursou o ensino médio no bairro, é preciso mais diálogo entre o ensino médio normal e o técnico. “Na época que estudava, só recebia informação sobre o Enem. Nunca ouvi falar desse ‘vestibulinho’ para a Etec”, diz.

A Etec Profº Aprígio Gonzaga, na zona leste, tem a maior disputa da cidade, quase 13 concorrentes/vaga. No topo da lista está a Etec Dona Escolástica Rosa, no bairro de Aparecida, em Santos (SP), onde a procura pelo curso alcança 17 candidatos

Neste semestre, a Etec Paraisópolis ofereceu 400 vagas distribuídas em cinco formações: contabilidade, logística, informática, segurança do trabalho e meio ambiente.

 

 

 

 

Lugares vagos, outros usos

 

Todos os dias, Claudinéia Silva Falcão, 48, partiria de sua casa, na Vila Sônia, zona sul de São Paulo, rumo à Etec Guaracy Silveira, em Pinheiros, região oeste de São Paulo, caso tivesse sido aprovada no processo seletivo para o curso de contabilidade nessa escola. Sem conseguir garantir uma boa colocação, após várias chamadas, o destino da candidata foi outro: a Etec Paraisópolis. Devido à alta ociosidade de vagas, diversos alunos foram remanejados.

 “A escola de Pinheiros era muito concorrida. Muitos não conseguiram passar. Foi então que sugeriram que fôssemos para a Etec Paraisópolis, já que sobravam muitas vagas”, afirma Claudineia, que terminou o curso de contabilidade no primeiro semestre deste ano.

Segundo a assessoria de imprensa do Centro Paulo Souza, o processo de preenchimento de vagas remanescentes é previsto em todas as 200 Etecs e pode ter até cinco listas de chamadas. O objetivo é oferecer oportunidades a um número maior de candidatos e otimizar vagas disponíveis. As vagas da Etec Abdias do Nascimento (Paraisópolis) que não foram preenchidas após a quinta chamada podem ser preenchidas por candidatos aprovados que se inscreveram na lista de espera de Etecs da região, como Guaracy Silveira e Takashi Monita (Santo Amaro).

“Várias pessoas vieram para Paraisópolis, mas no meio do caminho muitos desistiram. Na época, no primeiro dia de aula, assaltaram o carro de uma moça”, lembra. Como o trajeto do ponto de ônibus até a escola é longo, Claudineia diz que foi seu veículo próprio que garantiu sua permanência ali. “Era impossível ir de ônibus. O ponto final, na av. Giovanni Gronchi, fica muito distante da Etec. E à noite é perigoso.”

Segundo a moradora do bairro Valdelice Mattos, 24, que também se formou em contabilidade, seu curso noturno terminou com cerca de vinte alunos _a metade das vagas.

No decorrer do curso, a ex-estudante, que hoje atua na área, conta que “sofreu” com a falta de professores. “O problema está relacionado à segurança. A maioria tem medo de vir dar aula na comunidade”, diz.

Inaugurada em 2010, a Etec Paraisópolis que teve um grande investimento em infraestrutura (elevador, 14 salas de aulas, biblioteca, três laboratórios de informática, além de quadras e outros mobiliários), parece não ofuscar os olhos da população do bairro que beira os 100 mil habitantes.  “A maior parte dos alunos de Paraisópolis não dá valor”, afirma Claudinéia.

 

 

 

 

 

Vagner de Alencar, 24, é correspondente comunitário de Paraisópolis.
@vagnerdealencar
vagnerdealencar.mural@gmail.com

 

 

 

Escrito por Blog Mural às 18h02

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Casamento no trem da CPTM: até que a morte nos separe

Por Bianca Pedrina

 


Muitas coisas bizarras acontecem diariamente nos trens da linha Rubi da CTPM (Luz – Francisco Morato), na capital paulista. Pessoas “surfam” na parte superior do trem, cristãos com suas bíblias debaixo do braço pregam sua crença, passageiros empurram uns aos outros para conseguir um lugar para sentar (isso não impressiona mais, infelizmente, virou rotina), mas, casamento, realmente, é algo impressionante.


Quem me contou essa história foi o usuário da linha Naldo Gomes, que presenciou o matrimônio dentro do vagão. “Por volta das 14h, na estação Piqueri, entrou um padre com um monte de gente vestida ‘à caráter’. Devido ao horário, o trem estava relativamente vazio. Ficamos olhando uns para os outros sem entender bem o que estava acontecendo. Logo depois, vieram o violinista, fotógrafo e câmeras”, disse, achando que ia acontecer a filmagem de um comercial ou algo do tipo.

 

 

 Fotos: Naldo Gomes


O passageiro Gomes, curioso, perguntou ao rapaz que carregava o violino o que estava acontecendo. A resposta foi surpreendente: “vai rolar um casamento aí”.

Na estação seguinte, um casal _os noivos_  embarcou no vagão. “Foi aí que caiu a ficha que era um casamento de verdade”, lembra.

 


O casório aconteceu entre as estações Água Branca e Barra Funda, local onde casal se conheceu e,  por isso, foi escolhido como cenário para selar a união.

 

 


O violinista começou a tocar, o padre se posicionou ao fundo do trem com os noivos. A cerimônia aconteceu ali mesmo, com direito a troca de alianças e arremesso de buquê no final. “Uma senhora pegou o buquê. Todo mundo bateu palmas e abraçou o casal. Foi bonito de ver. Eu cumprimentei os noivos e desejei felicidades”, diz Gomes.

 

 

Gomes, que tirou as fotos com seu celular, confessa não saber se o casamento foi real. “Parecia ser de verdade, mas não sei, vai que era uma peça de teatro, tem doido para tudo.”

 

 

Bianca Pedrina, 27, é correspondente comunitária de Taipas.
@pedrita
biancapedrina.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 16h41

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Rede de projetos culturais quer fortalecer produção da periferia

 Por Jéssica Moreira

Há um bom tempo, a lógica de que a cultura parte do centro para a periferia vem sendo invertida. É também com esse objetivo que mais de 20 coletivos da capital paulista se reuniram no sábado, 27/8, para fundar a Rede Viva Periferia Viva, na sede da Comunidade Cultural Quilombaque, em Perus, zona norte de São Paulo.

O desejo de formar a rede surgiu há três anos e a principal razão é unir-se para enfrentar dificuldades como problemas financeiros, escassez de materiais, falta de espaço, entre outras. “Para sobreviver enquanto iniciativa independente foi preciso as forças”, afirma Roger Neves, idealizador do Informativo Comunitário Ôxe!

Um grupo de teatro sem espaço pode contar com sede de outro coletivo. O tal coletivo, que não tem como registrar suas ações, pode utilizar os equipamentos eletrônicos dos que tem e assim por diante. A rede possibilita que as ideias saiam do papel e façam parte da realidade das comunidades.

 

 

Informalmente, a rede já estava funcionando assim. Mas os grupos ainda não se sentiam seguros para formalizar o que já existia na prática. “Nós a consolidamos primeiro por dentro”, diz José Queiroz, gestor cultural da Quilombaque e um dos idealizadores da Rede.

O encontro se iniciou às 8h, com café organizado de forma comunitária. Logo depois, houve roda de apresentação dos coletivos, com muita troca de experiência, mostrando que uma relação saudável com a comunidade é um dos fatores mais importantes para que um trabalho seja fortalecido. “A rede fortalece o trabalho dos coletivos. Amplia e também legitima o objetivo em comum, que é utilizar a arte como fator de transformação social”, é o que diz Roger Duran, 27, produtor do Sinfonia de Cães, coletivo que produz eventos culturais.

Em pleno sábado de sol, os grupos permaneceram no espaço e outros mais chegaram, mostrando o comprometimento existente nas pessoas presentes. O debate contou também com a presença do coordenador do Programa VAI (Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais), da Secretaria Municipal de São Paulo, Gil Marçal, que afirmou que o número de projetos financiados pelo VAI na região norte aumentou e que os coletivos presentes eram também responsáveis por isso.

“O processo cultural da cidade sempre foi muito centralizado e elitista. Esse encontro legitima um processo cultural diferente, pois quando esses grupos se articulam você consegue potencializar o acesso à cultura e às artes, e a consequência disso é a participação maior da população”, diz o coordenador.

“Duas palavras deste encontro me servem como norte: amor e fraternidade. Acredito que tudo que nasce tendo essas duas palavras como princípio funciona”, afirma André Arruda, professor de teatro de Franco da Rocha e integrante do grupo de teatro Carne e Osso.

“A rede é um conjunto de ações que são feitas por pessoas que já têm experiência. Ela potencializa a solidariedade dos coletivos e também a capacidade de procurar soluções em comum”, diz Euler Sandeville, professor da FAU - USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) que vem participando das discussões da Quilombaque sobre o Parque Linear.

Fazem parte da fundação da Rede Viva Periferia Viva:  Comunidade Cultural Quilombaque, Coletivo Sarau na Brasa, CICAS, Grupo Pandora, Grupo Girandolá, Informativo Ôxe!, Quintal Cultural, Mutirão Cultural na Quebrada, Projeto Espremedor, Cia do Acaso, Cia Carne e Osso, Sarau Vila Fundão, Coletivo Luta Popular, Rede Ecumênica da Juventude, Sambaki, Arte na Lata, Trupe Liuds, Projeto Expiral, Sinfonia de Ca~es, Coletivo Esperança Garcia, Agência de Desenvolvimento Social, Na ação, Fábrica do Conhecimento, Coletivo Reagente, Abrigo Casa das Expedições e Trupe Cavalete Andante.

O próximo encontro está marcado para o dia 1º de outubro.

 

 

 Jéssica Moreira, 19, é correspondente comunitária de Perus.
@gegis00
jessicamoreira.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 16h27

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Vivian Whiteman O blog Mural é produzido por algumas dezenas de correspondentes comunitários que moram na periferia da Grande São Paulo e arredores.
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