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Blog dos correspondentes comunitários da Grande São Paulo

 

Jardim Ângela participa de semana do desarmamento


Por Cíntia Gomes

 

Durante muito tempo, morar nas redondezas do Jardim Ângela soou como algo absurdo, principalmente no período em que a região foi considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o lugar mais violento do mundo.

Seja no trabalho, na escola, na faculdade ou simplesmente ao sair da periferia, é comum perceber o quanto o Jardim Ângela era e é popular, mas, para a decepção dos moradores, são por motivos ruins. Quem mora no bairro já deve ter escutado: “Nossa, você mora lá?! Você não tem medo? Já viu alguém morrer assassinado?”.

A pedagoga Thaís Lemes da Silva, 25, que nasceu e mora no bairro até hoje, conta que na faculdade e até mesmo no trabalho sempre ouviu algumas opiniões sobre onde vivia. “As pessoas acham que já vi de tudo, que é muito mais perigoso que em qualquer outro lugar. Outras já falam: ‘Nossa você não parece que é do Jardim Ângela’. Então, eu digo: ‘Na periferia tem pessoas que buscam a felicidade em maneiras simples como churrasco com amigos, futebol, na arte e explico que não é só violência como pensam".

No mês de agosto, a área do Jardim Angela foi escolhida para a Semana do Desarmamento no M’Boi Mirim. A ação foi promovida pelo Instituto Sou da Paz, em parceria com os integrantes do Plano de Controle de Armas da Cidade de São Paulo.

 No período, foram recolhidas 21 armas de fogo e mais de 200 munições.

Equipe responsável pela Semana de Desarmamento no M´Boi Mirim

Segundo Alice Ribeiro, coordenadora da Área de Controle de Armas do Sou da Paz, a ação facilita a entrega voluntária de armas. "As ações técnicas e de conscientização do Plano acontecerão na cidade de São Paulo como um todo, porém foi proposto que ações de sensibilização e mobilização acontecessem com maior foco em uma região da cidade que apresentasse maior concentração de homicídios, mas que também contasse com uma boa articulação social", diz.

O morador Márcio Avila , 31, diz que a campanha não é o suficiente para a diminuição da violência. ”Para obter bons resultados a longo prazo é preciso uma política imediata de educação de qualidade, inclusão social, emprego e aumento da renda”, comenta.

Voluntário destrói arma em um dos postos de entrega

Já o morador Robson Nascimento, 28,  concorda com a ação no bairro. “Sou a favor do desarmamento por completo, não somente das pessoas de bem, mas principalmente dos infratores que aterrorizam a todos. Não adianta desarmar a população e, na contramão, o Estado não dar segurança”, afirma.

 O bairro ainda está longe do ideal, mas algumas conquistas já podem ser comemoradas. Houve uma queda de 83% na taxa de homicídios, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade. Além disso, há postos policiais, existem áreas de lazer e escolas profissionalizantes. A violência acabou? Claro que não! Mas hoje as perspectivas são melhores.

 

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Cíntia Gomes, 27, é correspondente comunitária da Riviera Paulista.
@cintiamgomes
cintiagomes.mural@gmail.com

 

 

Escrito por Blog Mural às 15h22

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Independência na periferia

Por Daniela Araujo


 

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Daniela Araujo, 24, é correspondente comunitário de Interlagos.
@danidollskt
danielaaraujo.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 13h29

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São Miguel Paulista recebe mostra fotográfica feita por moradores


Por Sirlene Farias


“Um novo olhar, um mesmo lugar” é o nome da exposição fotográfica gratuita que será aberta no dia 24 de setembro, no Mercado Municipal de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo. A mostra é fruto de um projeto que leva o mesmo nome e que aguçou o lado artístico dos moradores do bairro.  

 

Para que isso acontecesse, foram realizados encontros semanais com diferentes educadores, para que os participantes pudessem treinar suas visões críticas e modificar o olhar sobre a região onde residem. Vanderson Atalaia, criador do projeto, junto com Elisabeth Pereira, acredita que os moradores passam a valorizar as cenas cotidianas após o treinamento, pois agregam outras referências. “As pessoas desvalorizam o lugar onde moram por ser periférico, mal conhecem suas características e seu bairro”, afirma.

 

O estudante de turismo Daniel Sousa, 20, vive na região desde que nasceu. Ele participou da oficina e confirma o condicionamento do olhar cotidiano. “Antes eu olhava uma imagem e não imaginava o sentimento por trás daquilo. Agora penso no contexto das cenas, o que ajudou a conhecer melhor o distrito”, diz.

 

Foto de Denise Marcy

 

Já as irmãs Bianca, 27, e Kátia Ramalho, 18, procuraram transmitir em suas fotos detalhes que antes passavam despercebidos. “Enxergamos como a alegria nordestina está presente em tudo e trouxemos isso para nossas imagens”, garantem.

 

O fotógrafo curitibano Tom Lisboa, que foi um dos educadores do projeto, destaca que já ministrou cursos parecidos para artistas, mas que na periferia é bem distinto. “Aqui é diferente, pois as perguntas mudam e a reação das pessoas também muda. Cultura não é um problema de classe social, mas sim de postura.”

 

Foto de Bianca Ramalho

Para conferir as fotografias da mostra, que foi realizado pelo VAI - Programa de Valorização de Iniciativas Culturais da Secretaria de Cultura, basta comparecer até o dia 24 de outubro, no Mercado Municipal de São Miguel Paulista, que fica na Avenida Marechal Tito, 567. A entrada é gratuita e o local funciona de segunda-feira a sábado, das 8h às 19h. 

 

 

 

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Sirlene Farias, 24, é correspondente do bairro de Guaianases.
@sixxx_riot
sirlene.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 15h38

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Artista de Itaquera ocupa lugares abandonados com grafite

 
Por Leandro Machado

 

Em uma manhã de julho, o grafiteiro Renato Ursine se reuniu a outros 30 artistas para invadir um prédio em Santo André, na região metropolitana de SP. Para entrar no edifício, que foi abandonado há 15 anos ainda na fase de obras, foi preciso derrubar as madeiras que vedavam as portas.

Ocupado, o espaço deu lugar a diversas intervenções artísticas: música, grafite, teatro, fotografia, dança. Foram quatro horas de liberdade até um vizinho chamar a polícia, que obrigou todos a irem embora. “O policial disse que até achava legal o que a gente estava fazendo, mas tinha que nos tirar dali”, conta Renato.

O grafiteiro, morador de Itaquera, na zona leste de São Paulo, tem experiência em ocupar a cidade: desde muito novo pinta os muros da capital. “Eu ando de bicicleta, vejo um lugar abandonado, vou lá e faço um desenho”, diz Renato, 31. O problema é que sua arte dura pouco, às vezes, horas, até algum funcionário da prefeitura desfazer sua obra com tinta branca.

Artista Renato Ursine

Artista Renato Ursine

Para registrar seus trabalhos, Renato usa a tecnologia. O processo é simples: ele pinta o muro, fotografa e depois posta a imagem em seu blog e em seu perfil no Flickr. “Tenho conhecido muita gente interessada em grafite na internet, acaba criando uma rede”, diz.

Essa rede de contatos o ajudou a conseguir trabalhos. Recentemente, Renato fez um grafite na estação de trens Dom Bosco, porém, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) não pagou nada pela obra.

Grafite de Renato Ursine na estação de trens Dom Bosco

Grafite de Renato Ursine na estação de trens Dom Bosco

Ganhar dinheiro com arte é um problema para quem mora na periferia. Formado em Artes Visuais, Renato faz sua renda trabalhando como tatuador em dois estúdios na zona leste. Uma vez por ano, dá um curso de grafite na Oficina Cultural Alfredo Volpi, em Itaquera, ou em oficinas realizadas por um dos coletivos que participa, o “Arte para a Vida”. 

“Na periferia não há muito incentivo para arte-educação, por exemplo”, diz Renato, que neste ano inscreveu o “Arte para a Vida” no Proac_ programa de patrocínio à cultura da Prefeitura de SP. “A molecada quer fazer grafite, porque o vizinho dela é grafiteiro, o amigo dela é grafiteiro, faz parte da vida dela, bem diferente de um museu. Tem que ter mais estímulo a esse anseio”, completa.

 

Veja o vídeo da ocupação do prédio abandonado em Santo André, realizada pelo Coletivo “Movimento Artístico de Ocupação Urbana”.

 

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Leandro Machado, 22, é correspondente comunitário de Ferraz de Vasconcelos.
@machadoleandro
lmachado.mural@gmail.com

 

 

Escrito por Blog Mural às 14h14

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Vivian Whiteman O blog Mural é produzido por algumas dezenas de correspondentes comunitários que moram na periferia da Grande São Paulo e arredores.
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