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Blog dos correspondentes comunitários da Grande São Paulo

 

Em Itaquera, evento discute diversidade cultural

Por Leandro Machado e Luana Pequeno

Neste sábado (12), acontece em Itaquera a “1ª Jornada Educando para Diversidade”. O evento, que terá a participação de coletivos culturais da região, começa às 9h e termina às 17h, no campus da Unicastelo.

Gratuita, a jornada terá palestras sobre diversidade religiosa, racismo, cultura indígena, invisibilidade social e arte-educação, além de apresentações dos grupos de folclore Cia. Porto de Luana e Sucatas Ambulantes.

Apresentação da Cia. Porto de Luanda

“Também vai ter show de rap e um bate-papo sobre o grafite e a lei da cidade limpa”, explica Renato Ursine, 31, um dos organizadores do evento e membro do coletivo “Arte Para a Vida”, que ministra palestras e oficinas sobre grafite na zona leste de São Paulo (leia mais).

Para Ursine, eventos como esse são importantes para o bairro e região. “A gente quebra aquele paradigma de que na periferia não tem cultura e de que as pessoas não se organizam”, diz.

“Tem muita coisa boa acontecendo por aqui, quanto mais ações, melhor”, finaliza Ursine.

Onde: Campus da Unicastelo, rua Carolina Fonseca, 584 - Itaquera

 

Leandro Machado, 22, é correspondente comunitário de Ferraz de Vasconcelos.
@machadoleandro
lmachado.mural@gmail.com

Luana Pequeno, 22, é correspondente comunitária de Itaquera.
@luana_pequeno
luanapequeno.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 15h27

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Meu cotidiano nos vagões da linha 7

 

Por Jéssica Moreira

 

Todos os dias transito por São Paulo, por meio do transporte ferroviário. Por duas horas, atravesso a cidade olhando as cores das linhas de trem e de metrô no meu trajeto. Rubi. Vermelha. Azul. Verde. Amarela.

Cores muito comuns para muitos cidadãos desta metrópole, que a cada dia são espremidos em vagões de metal.

 

Ilustrações: Ananda Radhika

Às 9h30, chego à estação de Perus. É o começo da minha viagem cotidiana, que termina na estação Faria Lima, linha Amarela do metrô.

Nesse percurso pude notar as diferentes nuances de uma estação para a outra. Os trens da linha 7-Rubi (Francisco Morato – Luz) possuem, em sua maioria, bancos compridos, para que um número maior de pessoas se acomode, pois os bairros da região noroeste são, de maneira geral, bairros dormitórios, de onde vêm muitos dos trabalhadores para a área central.

Trens que têm bancos únicos na horizontal são como coração de mãe: sempre cabe mais um. Muitos deles possuem espaço para guardar as sacolas, algo muito corriqueiro nessas bandas da zona norte.

O bairro de Perus, onde moro, também é um bairro dormitório. Já tomei trem com a mesma pessoa _sem combinar_ às 7h da manhã e depois, na volta para casa, às 23h.

Muitos levam marmitas, quentinhas, geladas, ovo e carne moída. O que torna essa prateleira acima dos bancos muito útil, principalmente nos horários de pico, quando ninguém tem em que se apoiar. (Os músicos desta cidade sofrem muito, cuidando de suas guitarras ou qualquer outro instrumento que ocupe mais que um metro.)

Esta é a linha Rubi. Não tão popular quanto a Vermelha. Aliás, bem esquecida.

Desde 2009, a linha Rubi recebeu dois trens novos adicionais, com ar condicionado e tudo. Nos trens antigos, o ar condicionado parece um ventilador.

Na Rubi também tem comércio ambulante. Poderia bem dizer ilegal, mas a verdade é que ninguém sabe o bem que esses trabalhadores fazem aos passageiros com fome. Enganam o estômago com um pacote de amendoim torrado ou três tabletes de bala por R$1.

A filantropia também acontence na linha Rubi. Pedintes de todas as necessidades (e credos) passam pelo vão entre os bancos e pedem uma moeda. “Deus te abençoe”, agradecem, enquanto chocalham nas mãos as moedas de 10 ou 25 centavos.

Um pouco escura, lotada e, muitas vezes,  sufocante.  Mas cheia de figuras surpreendentes e histórias que se perdem em meio às ferrugens dos trilhos, mas que existem e podem ser ouvidas durante os 56 minutos de viagem.

Suas paredes são de cor bege e os vidros são decorados com pichações de movimentos da “ z/n” ou “ z/o”. O que não deixa de ser uma forma de apropriação. Sinal de que aonde esse veículo for, levará as marcas dos lugares que percorreu e um pouco das pessoas que fazem do trem quase uma segunda casa. Seja Jaraguá, Piqueri ou Franco da Rocha.

Ele poder tardar e até falhar, mas uma hora chega.

 

 

Jéssica Moreira, 19, é correspondente comunitária de Perus.
@gegis00
jessicamoreira.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 14h37

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Em Guaianases, livros são vendidos no meio de flores e peixes

Por Leandro Machado

Do lado direito há uma floricultura. Do lado esquerdo, uma peixaria. Em frente há um açougue e um restaurante de comida japonesa. É essa a vizinhança que o sebo “Book Box” tem dentro do Mercado Municipal Leonor Quadros, no bairro de Guaianases, na zona leste de São Paulo.

“Tenho que aguentar o cheiro de tudo isso”, diz Anthony Cavalcanti, 27, o dono da loja de livros usados. Há seis anos, Anthony e seu pai, Juraci Cavalcanti, resolveram que mercados municipais são um bom lugar para os livros. “É um contraste legal, ninguém imagina encontrar um sebo por aqui”, diz Anthony.

O primeiro Book Box foi inaugurado em São Miguel Paulista. O de Guaianases tem três anos. Juraci começou no ramo trinta anos atrás, vendendo livros em uma barraca de rua. “Meu pai veio do interior, começou a trabalhar numa fábrica, depois viu que não gostava de receber ordens. Como adorava ler, por que não vender livros?”, diz o comerciante.

Anthony Cavalcanti em seu sebo no mercado municipal de Guaianases

Guaianases tem uma população de 268 mil pessoas, segundo a subprefeitura. Não há nenhuma livraria, com exceção das especializadas em literatura evangélica. No bairro, as únicas opções para quem busca um livro são a Biblioteca Municipal Cora Coralina, a biblioteca do CEU (Centro de Educação Unificado) e o sebo de Anthony Cavalcanti, no mercado municipal.

“Tinha um cara que vendia numa banca aqui perto, mas ele teve que sair por conta da remoção dos camelôs”, conta Anthony. Mas o público de Guaianases gosta de ler? “Claro, se não gostasse eu não estaria aqui há três anos. Tem muito adolescente que adora ler, que gosta de escrever também, que tem blog”, diz o livreiro.

Um jovem de uns 20 e poucos anos entra no sebo, dá uma volta, olha os títulos, que vão de edições antigas de Flaubert à saga “Crepúsculo”, para e volta-se para Anthony. “Estou em dúvida entre Guimarães Rosa e Graciliano Ramos, o que você acha?”, pergunta.

 

Leandro Machado, 22, é correspondente comunitário de Ferraz de Vasconcelos.
@machadoleandro
lmachado.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 15h10

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Terras do aeroporto de Guarulhos vão parar no Itaim Paulista

Por Vander Ramos 

 

Desde o início de outubro, o bairro do Itaim Paulista, zona leste da capital paulista, foi invadido por centenas de caminhões transportando terras oriundas das obras de reestruturação e ampliação do aeroporto internacional de Guarulhos para a Copa de 2014.

 


 

O local de descarte é um terreno particular de 53.000 m2 onde nasce o córrego São João, afluente do córrego Itaim, um dos principais do bairro. Segundo moradores da região, na área existiam algumas bicas d'água e mata nativa com vegetação rasteira.

 

Com a chegada dos caminhões, toda a área foi aterrada pelo saibro branco (argila com areia) do aeroporto. Segundo comerciantes próximos, parte do córrego ali existente foi assoreado e as nascentes, protegidas por lei federal, foram atingidas pelas terras.

 


 

O descaso com o meio ambiente foi parar no 50º Distrito Policial, que apurou os fatos e encaminhou o processo ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (Divisão de Investigações sobre infrações do meio ambiente), pois os proprietários do terreno não apresentaram as licenças ambientais da obra.

 

No local são despejados, diariamente, cerca de 3.000 toneladas de terras para nivelamento do terreno. “Aqui havia dois morros e uma colina.  Agora é um terreno plano”, afirma o morador Julio Simões.

 


 

Segundo informações da subprefeitura do bairro, os veículos realizam mais de 200 viagens todos os dias pelas ruas dos distritos de Jardim Helena e Itaim Paulista.

 

Os caminhões deixam um rastro de terra pelo caminho e com o vento a poeira atinge os domicílios ao redor do terreno. “Tenho que limpar minha casa três vezes por semana e, mesmo assim ,a poeira aparece”, diz Ivonete Silva.

 

A calçada no entorno do terreno está intransitável devido ao acúmulo de terra.

 

Para minimizar o efeito da poeira da rua Tibúrcio de Sousa, via de acesso ao terreno, um caminhão pipa da empresa responsável pela obra despeja água no asfalto, mas acaba transformando tudo em  lama _risco de acidentes para os veículos que trafegam ali, diz a Companhia de Engenharia e Tráfego (CET).

 


 

A subprefeitura do Itaim Paulista afirma que fotografa a passagem dos caminhões pelo bairro e apura se toda a operação está amparada pela lei ambiental e da cidade limpa do município de São Paulo.

 

 

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
 @vander521
 
vander.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 09h47

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Roda de samba valoriza raízes negras da zona leste

Por Tatiane Ribeiro

Quem vê uma roda de samba muitas vezes não associa o valor histórico que ela carrega. Mas no Samba da Boca Preta, que acontece entre a Vila Invernada e a Vila Diva, na zona leste de São Paulo, frequentadores fazem questão de lembrar o significado do evento. “A reunião acontece pela força do legado cultural deixado pelos ancestrais negros nesta região”, afirma Sérgio Pereira, historiador e pedagogo.

Todo último sábado do mês, pais, filhos, homens, mulheres, professores, médicos, engenheiros, bailarinos de formação, atores, ou seja, a população local e vários convidados de outros bairros compõem o público de cerca de 800 pessoas que cantam e sambam junto com os percussionistas que carregam a essência desse ritmo no sangue. “Somos descendentes diretos dos escravos de Regente Feijó, na sesmaria que existia aqui no século XIX. Mantemos o grupo por anos para não deixar essa herança desaparecer”, explica Pereira.

Além do som “sem rotulações”_ como eles afirmam tocar_ as lembranças sobre as raízes são fortalecidas por meio da distribuição de livros, CDs de músicas gravadas e composta por integrantes, distribuição de mapas dos quilombos no Brasil, mostra de filmes sobre o universo do samba, entre outras atividades.

Alguns artistas famosos como Leci Brandão já prestigiaram a roda, mas, para os integrantes, o que aumenta a auto-estima do grupo é a reativação da memória por meio das músicas deixadas pelos mais velhos aos mais novos.

Segundo o historiador, a “casa” é aberta a todos os malungos e o ajeum é maravilhoso. Quando pergunto o significado dessas palavras, ele explica: “malungos é uma palavra bantu, que significa ‘aquele que respira o mesmo ar’ e ajeum é a comida boa e de qualidade servida a todos, sem nenhuma distinção!”

“As condições históricas nos permite reconstruir e construir uma identidade através da música, dança e religião afro brasileira, como forma de resistência e identidade de um grupo social e sua vasta memória”, finaliza.

Onde: CDM (Centro Desportivo Municipal) – Vila Invernada –, na rua Raimundo Correa, s/n

Tatiane Ribeiro, 25, é correspondente comunitária da Bela Vista.
@TaTyaa
tatiribeiro.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 12h54

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Vivian Whiteman O blog Mural é produzido por algumas dezenas de correspondentes comunitários que moram na periferia da Grande São Paulo e arredores.
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