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Blog dos correspondentes comunitários da Grande São Paulo

 

Rua de São Miguel Paulista está alagada há 40 dias

Por Vander Ramos

A rua Doutor Guilherme Eiras, no centro comercial de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, está alagada há cerca 40 dias. A rua é a principal via de acesso ao Hospital Municipal Tide Setubal.

Por mais de um mês, os moradores convivem com o alagamento provocado pela falta de desobstrução e limpeza de uma boca de lobo da galeria de águas pluviais. Segundo o comerciante Alcino Pocino, já foram protocolados cerca de quatro solicitações de limpeza.

 

Moradores usam rampa de madeira para atravessar a água

 

No site da Prefeitura, consta o registro da primeira solicitação, em 05/10 e finalizada pelo órgão municipal em 26/10. Diz o texto: "Solicitação encaminhada para Unidade de Varrição em 11/10/2011. Informo a Vossa Senhoria que providenciamos a limpeza e desobstrução da boca de lobo, ficando a mesma com vazão normal".

 

Moradores afirmam que não viram ninguém trabalhando na limpeza. “A última ocorreu em março deste ano”, afirmou um morador.

 

No sistema de consulta pública, onde são catalogados os serviços de limpeza das galerias pluviais e bocas de lobo na Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras, não está registrado nenhum histórico de limpeza na rua.

 

Parte da Doutor Guilherme Eiras, alagada há 40 dias

 

Para acessar uma das residências, uma rampa de madeira foi improvisada pela moradora Cleide do Carmo. “Esta foi a solução que encontramos para sair e entrar em casa", diz. O mesmo fez o comerciante Pocino para facilitar a entrada dos clientes em seu comércio. "Fui segunda-feira (14) na subprefeitura para reclamar, mas estava fechada", conta.

 

Procurada pela reportagem do Mural, a subprefeitura de São Miguel diz que irá colocar a solicitação na programação de serviços da equipe de limpeza.

 

 

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
 @vander521
 
vander.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 14h42

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Morador de São Miguel conta como revelou famoso cantor nacional

Por Vander Ramos

Albertino Alves Nobre, 81, é uma daquelas pessoas que por onde passam são sempre cumprimentadas. Ele mora há 62 anos em São Miguel Paulista, na zona leste da capital paulista. Conhece tudo, principalmente a história da região que ele ajudou a fazer. 

A reportagem do Mural convidou Nobre para reviver os caminhos que ele fazia nas décadas de 40 e 50. A cada cinco minutos alguém interrompia a caminhada para cumprimentá-lo.

Nos anos 60, foi diretor do Clube Social da Indústria Nitro Química, que promovia os melhores bailes da época em São Miguel. Para revelar novos talentos musicais e aproximar o clube da comunidade, criou um programa chamado “Festival de Calouros”, que contava com a participação de qualquer pessoa que se dispusesse a cantar. Era o início dos anos dourados e da jovem guarda. 

Albertino Nobre em São Miguel Paulista 

Foi em um destes programas que apareceu o jovem Antonio Marcos Pensamento da Silva, conhecido nacionalmente como Antônio Marcos. Nobre viu no jovem um grande talento musical, muito acima da média dos outros calouros. “Ele tinha uns 16 ou 17 anos e imitava Elvis Presley e, a cada vez que ele ia cantar, era um delírio total do público”, conta.

Na época, Nobre começou a promover uma sabatina musical com os vencedores de cada domingo. Antônio Marcos venceu várias vezes seguidas. Em um fim de semana, convidou para o júri do festival o produtor da antiga TV Tupi Magno Salermo. Ele viu Antônio Marcos cantar e o chamou para se apresentar no programa de Jorge Henry, muito conhecido nas décadas de 60 e 70. “Foi a primeira apresentação de Antônio Marcos na televisão”, diz, emocionado.

Albertino Nobre cumprimenta moradora do bairro

Em 2007, a Casa de Cultura de São Miguel Paulista passou a ser chamada de “Antônio Marcos”, em homenagem ao cantor. Porém, o local não guarda a história e registros de seu patrono. A família do cantor deixou o bairro há vários anos.

Para Albertino Nobre, fica as lembranças do velho amigo. Ele revela que o sucesso “Menina de Tranças” é uma homenagem a primeira namorada de Antônio Marcos, conhecida como Cidinha, ainda moradora da região.

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
 @vander521
 
vander.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 14h20

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Na Chácara Santo Amaro, revela-se outra São Paulo

Por Suevelin Cinti


Aqui, na zona sul de São Paulo, a Chácara Santo Amaro revela um novo olhar para cidade grande. Bairro do distrito Grajaú, a região é repleta de pesqueiros e chácaras, rica por abrigar um grande patrimônio cultural e ambiental com forte presença da agricultura. Moradias são construídas à beira de lagos com grandes plantações e animais criados nos quintais das casas.

O destino é à beira da represa Billings, que há anos traz às suas margens, pescadores e moradores da localidade para um programa de sábado em contato com a natureza. Quem conta é a comerciante Maria Moreira, 65, conhecida como Dona Didi. Ela tem um bar na região e empresta suas varas de pesca aos turistas que chegam de surpresa.

Vista da represa Billings

“Aqui é só alegria, as pessoas me ligam pra dizer que estão vindo comer peixe. O pessoal vem sempre acampar, tomar banho na represa e fazer churrasco”, conta dona Didi, que abriu o comércio há dois meses.


Os visitantes improvisam barracas com lonas, acendem uma fogueira e fazem um churrasco. Longe da correria da metrópole, famílias e amigos acampam na mata em um programa calmo e divertido: caçar minhocas, armar as varas para pescaria e pegar as redes. Alguns falam que já viram macacos, outros dizem que já pescaram peixes que pesavam mais de quinze quilos. Importante mesmo é aproveitar a paisagem que não se vê na correria do dia à dia, como conta Fábio da Silva, 47.

 

Visitantes passeiam de barco nas águas da represa Billings

 


“Eu venho aqui todo fim de semana, não levo nem peixe pra casa. Quem vem aqui só quer sossego, a gente reúne os amigos, traz as varas e as redes, aluga um barco e vai pra água. Eu mesmo, pesco só por lazer”.

Existem pescadores na Billings que vendem os peixes no próprio bairro, mas, para quem busca mais diversão e aventura, conhecer a mata e andar de barco é um ótimo programa. Atravessar até a outra margem da represa é o ponto alto do passeio, olhando em volta se vê apenas água, pássaros e verde. Sem carros, construções e trânsito, parece até uma São Paulo ao avesso.

 

 

Suevelin Cinti, 20, é correspondente comunitária do Grajaú

@suevelincinti

suevelincinti.mural@gmail.com

 

 

Escrito por Blog Mural às 13h54

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Vivian Whiteman O blog Mural é produzido por algumas dezenas de correspondentes comunitários que moram na periferia da Grande São Paulo e arredores.
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