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Blog dos correspondentes comunitários da Grande São Paulo

 

Pedágio e Rodoanel causam transtornos em Carapicuíba e região

Por Gilberto Damasceno

 

A mobilidade do transporte em Carapicuíba e região parece estar com os dias contados. E o motivo é o Rodoanel, construído com o intuito de desafogar o trânsito e desviar o tráfego de caminhões que têm como destino o sul do país. A cobrança do pedágio nesse trecho da rodovia trouxe revés para as cidades de Barueri, Carapicuíba e Osasco, na Grande São Paulo.

 

Inaugurado em 2002, o trecho oeste do Rodoanel Mário Covas trazia o voto de amenizar o trânsito. Na época da construção, o tucano Covas prometeu que não haveria cobrança de pedágio. Porém, em 2007, o também tucano José Serra anunciou a cobrança.

 

Desde o primeiro dia de funcionamento, as praças foram alvos de protestos da população. Em janeiro de 2008, através de uma denuncia encaminhada a um juiz, a cobrança chegou a ser suspensa porque violava uma lei de 1953, que proíbe qualquer cobrança de pedágio num raio inferior de 35 km do marco zero da capital, na Praça da Sé.

 

A concessionária que administra a via recorreu da decisão e o pedágio voltou a ser cobrado já no dia seguinte. A alegação era que as tarifas seriam aplicadas no aceleramento das obras do trecho sul.

 

Como previu Luciano Jurcovich, ex-secretário de Serviços Municipal de Osasco, as consequências vieram: o trânsito se propagou e as cidades viraram rota de fuga para os motoristas evitarem o pedágio. Com isso, além do significativo aumento do tráfego, veio também o desgaste das principais vias – que não foram projetadas para receber esse número de veículos; aumento da poluição e do número de acidentes.

 

No Jardim São Daniel, bairro onde cresci, as coisas mudaram muito desde minha infância. O lugar era tranquilo, mas com o Rodoanel, vieram transtornos: desmatamento, mudança da paisagem e explosões de pedras que traziam rachaduras em casas da região, tudo isso com promessas de melhoria para o local. Mas, nos dias de hoje, qualquer um que andar pela “Marginalzinha” ou Estrada do Guatambu e outras ruelas antes pacatas, verá as mudanças: na hora do rush, o tráfego intenso faz com que um trajeto antes feito em cerca de cinco minutos leve agora em média 30 a 40 min. Isso também ocorre em outras vias como a Gov. Mário Covas, até o Viaduto Jorge Julian, onde o engarrafamento elevou-se. Em Osasco a Av. dos Autonomistas e a Benedito Alves Turíbio também passaram a sofrer congestionamentos. 

 

Gilberto Damasceno, 22, é correspondente comunitário de Carapicuíba.
@damascenogi
gidamasceno.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 17h35

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Tradicional roda de samba reúne moradores de Água Funda na véspera de Natal

Por Pablo Souza

O dia era 24 de dezembro de 1994. Os amigos Choxô, Cesinha, Adriano, Gú e Marcelo Henrique resolveram fazer uma reunião para cantar uns sambas e comemorar o Natal. Naquele momento, eles não imaginavam que nascia o “Samba da Praça”.

O “Samba da Praça” acontece há 17 anos em toda véspera de Natal, na Água Funda, bairro da zona sul de São Paulo. Sambistas de toda a Grande São Paulo fazem um rodízio para tocar os instrumentos e chamar o próximo verso de um novo samba.

Na há microfones individuais, apenas no centro da roda, para que todos cantem. Não há artista especial: no “Samba da Praça” todos são iguais. “Lá fazemos samba pra nós mesmos, as pessoas aderiram e cresceu, mas não perdemos o espírito, é a mesma ideia de 17 anos atrás, agora com um pouco mais de estrutura, mais gente e um trabalho social que se inicia”, diz Marcelo Choxô, um dos fundadores.

 

Com crescimento da roda, houve a necessidade da se criar uma comissão com outros membros, além dos cinco fundadores.  O grupo é responsável por organizar o samba, conseguir as respectivas licenças da prefeitura, PM, banheiros químicos, entre outras coisas.

Neste ano, eles trazem uma novidade que agrada muito a comunidade: além de toda festa e da bonita confraternização, os organizadores vão distribuir brinquedos para as crianças da região. Através da participação de comerciantes locais e da comunidade, pretende-se distribuir um pouco de alegria para 300 crianças do bairro.

Outra novidade pra esta edição do evento, que começa às 14h na rua Chebl Massud, é a participação da bateria da Escola de Samba Barroca Zona Sul, sob a batuta do Mestre Thiago, que fará fatalmente um show à parte.

 

Pablo Souza, 33, é correspondente comunitário do Ipiranga.
@pablorfsouza
pablosouza.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 14h50

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Horta comunitária mobiliza moradores de Itaquera

Por Luana Pequeno

Uma oficina prática de permacultura promovida pela Aliança Libertária Meio Ambiente (ALMA Ambiental), associação que realiza ações de educação ambiental para sensibilização e mobilização da comunidade, reuniu cerca de 10 pessoas na Horta Comunitária José Bonifácio, em Itaquera, na zona leste de São Paulo.

Interessados em aprender a construir uma horta de ervas e temperos dentro da horta comunitária, moradores da região trabalharam seguindo as orientações de Ricardo Thaler, que ministrou a oficina.

A permacultura é um método para planejar comunidades ambientalmente sustentáveis. Segundo o coordenador administrativo e de mobilização ambiental da ALMA, Marcello Nascimento de Jesus, “incentivar esse tipo de prática em comunidades pobres é um meio de trazer qualidade de vida construída pelas mãos dos próprios moradores”.

A Horta Comunitária José Bonifácio é gerida por três pessoas da região. A idéia de uma oficina de ervas e temperos dentro da horta surgiu para divulgar e aproximar mais os moradores, para que todos participem dela.

Moradores fazem horta comunitária em Itaquera

“Imagine poder comer um alface e outros alimentos que você mesmo plantou, fresquinho e sem agrotóxicos?”, pergunta Marcello. Segundo ele, outro benefício da horta comunitária é a possibilidade de comercializar o excedente para os moradores locais, “fortalecendo a horta e trabalhando o conceito de economia solidária”.

 “Tivemos essa iniciativa para popularizar o conceito de permacultura, que ainda é conhecido por poucas pessoas. Queremos disseminar e multiplicar o conceito entre as pessoas da região, mostrando que é simples: um misto do tradicional com a inovação. O objetivo é que as pessoas apliquem na prática esses conceitos”, explica Marcello.

A oficina de ervas e temperos na Horta Comunitária José Bonifácio faz parte do projeto Ação Recicla COHAB 2011 (Cohabitarte), que incentiva moradores a sentirem e pensarem o meio ambiente a partir do lugar onde moram, estabelecendo relações sustentáveis com o seu bairro.

Luana Pequeno, 22, é correspondente comunitária de Itaquera.

@luana_pequeno

luanapequeno.mural@gmail.com

 

 

 

Escrito por Blog Mural às 15h08

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Jardim Romano, dois anos depois

Por Vander Ramos

No próximo dia 8 de dezembro, o alagamento da região do Jardim Romano, no extremo leste da capital paulista, completa dois anos. No verão de 2009 e 2010, o local ficou famoso por ficar debaixo d’água por cerca de três meses.

Em abril de 2010, foi iniciada a construção de um dique de 1,6 km no entorno do bairro a um custo de R$ 70 milhões. Outras obras no sistema de drenagem e recuperação das ruas foram executadas. Uma escola verticalizada, chamada E.E. Terreno Jardim Romano, custou R$ 4,1 milhões e já está em funcionamento. Tudo construído em quase 13 meses.

O investimento público deixou o bairro com nova cara e deu esperança aos moradores, que antes não tinham para onde ir. 

 

Rua do Jardim Romano na época da enchente (Foto: Leonardo Wen/Folhapress)

A construção do parque Várzeas do Rio Tietê trará várias opções de lazer em período de estiagem. O governo estadual estuda uma forma de minimizar o número de famílias que deixarão o local para dar espaço ao parque. 

A demora da Prefeitura em selecionar os moradores que devem sair e do governo do Estado em definir por onde passará o parque causa ansiedade nos moradores.

Na rua Capachós, que ficou nacionalmente conhecida na época do alagamento, existem pelo menos oito reformas. Em diversas ruas no entorno do dique, o cenário é o mesmo. O bairro virou um canteiro de obras públicas e particulares.

Rua do Jardim Romano atualmente; moradores constroem "puxadinhos"

A maioria dos moradores diz que o bairro está bom de morar. “Temos policiamento 24 horas, escolas boas, não alaga como antes. Aqui está melhor que o Morumbi”, comenta Luiz Silva.

Alguns moradores estão mais esperançosos e ampliam suas casas. Constroem os chamados “puxadinhos” verticalizados. As construções têm menos de seis meses e são feitas às pressas. “Temos que terminar antes das chuvas de verão e, depois de levantada, trabalhamos devagar por dentro no acabamento”, comenta o pedreiro Carlos.

 

 Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
 @vander521
 
vander.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 15h04

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Uma aula de democracia na avenida Paulista

Por Tatiane Ribeiro

Durante a semana, fim de tarde na avenida Paulista, na região central de São Paulo, é sinônimo de várias pessoas apressadas para sair do trabalho. Mas, na quinta-feira (24/11), um grupo de cidadãos estava interessado em fazer outra coisa.

A “Aula de Democracia”, realizada por estudantes da USP, parou a avenida mais famosa da cidade para chamar a atenção para outro tipo de trânsito: o da estagnação social. 

Bruno Gilga, 25, estudante de Ciências Sociais, explica que há cinco pontos reivindicados pelo movimento: revogação do convênio PM-USP; anulação dos inquéritos contra os 73 estudantes presos durante a ocupação da reitoria; retirada de todos os processos a estudantes e trabalhadores por manifestação política; estatuinte soberana para nomeação de um novo reitor e formulação de um projeto alternativo de segurança.

Fotos: Fábio Braga/Folhapress

“Nos sentimos parte também da luta dos estudantes chilenos que brigam contra a repressão da polícia por educação gratuita e também da luta da juventude que se levanta na Colômbia, EUA, Grécia, Itália e Egito contra os efeitos da crise internacional”, disse.

Os participantes, sentados no vão livre do Masp, ouviram a aula composta de intervenções feitas ao microfone. Diversas bandeiras foram levantadas por movimentos sociais e sindicatos. Professores e intelectuais também participaram.

“Queremos questionar o papel que a polícia cumpre na sociedade, vide episódios como o Massacre da Candelária e tantas outras repressões contra as manifestações sociais”, enfatiza Marcello Pablito, 29, um dos diretores da SITUSP (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo).

Uma das falas mais aplaudidas foi o de Mara Lucia Sobral Santos, 46, catadora de material reciclável e presidente da Cooperativa de Granja Julieta. “O que vocês estão sentindo nos sentimos todos os dias. Por isso espero que esse não seja um ato isolado, porque senão vai virar só história e de história já estamos cheios. Estou com vocês, porque sei que a USP também tem lugar para o pobre, porque minha filha, que trabalhava comigo na rua, agora cursa Gestão Ambiental na universidade”, disse ao microfone.

Em meio aos simpatizantes e ativistas, estava a vestibulanda de História, Wanessa Guglielmi, 17. “Escolhi a USP devido a essa tradição dos movimentos estudantis que traz uma vivência enriquecedora na parte cultural e política, isso eu não teria em outras instituições”.

Segundo Pablito, cerca de 5 mil pessoas participaram do manifestação. Do outro lado da rua, o batalhão da polícia fez o contraponto. “Em torno de 500”, contou o policial.

A “aula” faz parte de um calendário de eventos que visa convidar as autoridades para dialogar com a população. Na tarde de hoje, estava marcada uma audiência pública na Assembleia Legislativa entre os estudantes e o reitor da USP João Grandino Rodas. Porém, o reitor afirmou que não iria comparecer (leia mais).

 

Tatiane Ribeiro, 26, é correspondente comunitária da Bela Vista.
@TaTyaa
tatiribeiro.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 17h05

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