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Blog dos correspondentes comunitários da Grande São Paulo

 

São Miguel e Itaim Paulista inauguram decoração de Natal

Por Vander Ramos

Chegamos ao mês de dezembro e as árvores de Natal foram montadas em diversos lugares. Além de decorar, elas simbolizam a paz, alegria, esperança e principalmente a vida.

Várias pessoas reproduzem uma árvore de Natal e decoram seus lares com enfeites natalinos. Afinal, as crianças esperam por esta data. As principais ruas das cidades também são decoradas, assim como prédios públicos e particulares. E como está essa decoração nos bairros da periferia?  

A Prefeitura de São Paulo irá gastar milhões na decoração natalina na região central e turística da cidade. Uma parte destes milhões de reais, menos de 1%, é destinada para decoração de uma ou duas praças principais de alguns distritos paulistanos. Em São Paulo, são 96 distritos administrados por 31 subprefeituras.

Torre do mercado municipal de São Miguel Paulista

Nos bairros de São Miguel e Itaim Paulista, ambos no extremo leste da capital paulista, apenas três praças foram decoradas pela Prefeitura. Duas no Itaim Paulista e uma em São Miguel repetem a mesma decoração dos anos anteriores.

O Mercado Municipal de São Miguel nunca recebeu decoração natalina na torre de 33 metros. Com a união dos comerciantes do mercado e de um político, de olho no próximo ano, pela primeira vez a torre recebeu iluminação nas quatro faces. No topo foram instaladas quatro estrelas, cada uma com 400 micros lâmpadas do tipo pisca-pisca.  

Mesmo com uma decoração natalina modesta, moradores fizeram a inauguração de sua “árvore de natal” no último domingo (5/12). O evento começou às 15 horas com show musical de vários artistas regionais. O rapper Carlão “Guerreiro da leste” cantou seu rap no estilo natalino, uma novidade. À noite, um coral de vozes de crianças, de 8 a 10 anos, do tradicional Colégio Pop cantaram cantigas natalinas e, na sequência, o Coral da Catedral de São Miguel encerrou o evento com a imagem do menino Jesus e a bênção do Padre Silvio Pereira.

Coral das crianças do Tradicional Colégio Pop

Segundo os organizadores estava previsto um show pirotécnico de cinco minutos no momento de acender as luzes da torre, mas o dinheiro arrecadado entre amigos acabou e não foi possível comprar a decoração e os fogos de artifícios. A iluminação da torre do mercado municipal foi acessa às 20h40 com contagem regressiva das autoridades municipais que administram o distrito.

Assim é o natal na periferia, pouco investimento público e união de seus moradores.

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
@vander521
vander.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 15h23

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Sarau lança escritores, biblioteca e cultiva novos leitores na Brasilândia

Por Cleber Arruda e Francine Mantovani

O lançamento do livro “Nós Somos Todos Iguais?” foi um dos momentos mais emocionantes do Sarau Poesia na Brasa, na noite do último sábado (3/12), na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo.

A obra, que custa R$ 10, foi escrita por crianças e adolescentes. A maioria mora no Abrigo Casa das Expedições, como Andressa Santos, 15. Ela conta ter expressado momentos difíceis da sua vida nos poemas. “Quem diria que abrigados, que são marginalizados pela sociedade, poderiam um dia escrever um livro? Mas está aí a prova para quem desacreditou da gente”, diz.

Os moradores do abrigo participam de oficinas de literatura com educador Vagner de Souza (Vagnão), 26, um dos fundadores do Sarau Poesia na Brasa, que atualmente acontece quinzenalmente aos sábados no bar do Carlita.

Apresentação do espetáculo teatral “Cordel do Amor Sem Fim"

“Começamos o primeiro sarau em julho de 2008, divulgando para poucas pessoas, no boca a boca mesmo. Conseguimos uma caixa de amplificador emprestada e um microfone de videokê, os frequentadores do bar não estavam entendendo nada daquilo”, relembra Vagnão.

De lá para cá, os frutos do sarau têm sido muitos. “Já lançamos nove livros com autores da Vila Brasilândia e proximidades, começamos a perceber que a maioria dos poemas do sarau era de autoria dos próprios participantes que liam. Então pensamos: as pessoas estão escrevendo, vamos começar a publicar nossos próprios livros também”, conta o educador Michell da Silva (o Chellmí), 27.

O incentivo à leitura é uma das principais bandeiras levantadas pelos educadores do sarau. Para proporcionar o acesso aos livros, eles aproveitaram o espaço cedido no bar e montaram a biblioteca Carlos de Assunção, em homenagem a um poeta atuante do Movimento Negro Unificado (MNU) da década de 70, e que já conta com mais de 200 volumes doados por moradores da comunidade.

“Sempre houve uma conversa de que quem mora na periferia não gosta de ler e menos ainda de escrever, nós nunca acreditamos nisso porque nascemos aqui e sempre gostamos de ler, escrever e estudar”, diz Vagnão.

Declamação do manifesto "A Elite Treme"

A biblioteca fica dentro do bar e funciona todos os dias. “Costumamos dizer que o cadastro do leitor é feito com a vontade de ler, não tem que ter RG, comprovante de residência nem prazo para devolver, pode levar um ano para ler, a ideia é desmistificar o conceito de que o livro tem espinhos”, diz Chellmí.

A moradora Tânia Aparecida dos Santos Simões, 28, está feliz com o desenvolvimento da leitura na região. “As pessoas têm agora o hábito de ler. A leitura e a cultura estão sendo bem mais difundidas do que antigamente. Meu filho sempre me pede para vir aqui”, diz Tânia, que já escreve suas próprias histórias.

Além do lançamento do livro “Nós Somos Todos Iguais?”, houve a exposição fotográfica de Sonia Regina Bischain “E Por Falar em Poesia...” e o espetáculo teatral “Cordel do Amor Sem Fim”, do Teatro Carne em Osso. O último encontro do ano do Sarau Poesia na Brasa está marcado para o próximo dia 17. Começa às 19h, na rua Professor Viveiros Raposo, 534.

 

Cleber Arruda, 30, é correspondente comunitário do Jardim Damasceno.
@CleberArruda
cleber.mural@gmail.com

Francine Mantovani, 28, é correspondente comunitária da Pedra Branca.
@franmantovani
francine.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 14h25

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Conheça o bairro de Jova Rural, na zona norte de São Paulo

Por Aline Kátia Melo

Jova Rural é um distrito que faz parte da subprefeitura Jaçanã Tremembé, na zona norte de São Paulo. Quando falo o nome dele, todo mundo pergunta: “O quê? Zona rural?”. Aí eu digo que o bairro próximo mais conhecido é o Jaçanã e a pessoa começa a cantar: “Moro em jaçanã se eu perder esse trem..." Esse diálogo já se repetiu várias vezes, com pessoas diferentes e algumas variações.

Moro no bairro Jova Rural desde 1998. Nessa época, ainda não havia asfalto e a ligação de água e luz não era oficial. Felizmente, essas providências foram tomadas.

O bairro é uma antiga ocupação que cresceu muito, mas que ainda não possui escritura oficial. Antigamente, as ruas não tinham nome, tinham número.

Jova Rural vista da Rua Roberto Lanari

Jova Rural não tem agências bancárias e bancas de jornais. A maior parte dos estabelecimentos são pequenos comércios: mercadinhos, lan houses, bares, igrejas e salões de cabeleireiro. Também temos pet shops e uma academia. Aos poucos, vão surgindo novidades.

O local tem poucas linhas de ônibus. Nos horários de pico da manhã, eles já saem cheios do ponto final. Há muita área verde não construída e a maior parte das moradias são prédios da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano).

De uns anos para cá, essa área verde foi perdendo lugar. Foi construído o CIC (Centro de Integração à Cidadania), que oferece serviços públicos gratuitos, entre eles um posto do “Acessa São Paulo”, programa de acesso à internet.

Prédios de Jova Rural

Quatro anos atrás, o bairro ganhou o CEU Jaçanã. O terreno antigamente era ocupado por parques de diversão itinerantes. Em frente ao CEU, na rua País Natal, são feitas festas de rua organizadas pela comunidade.

Mesmo com as dificuldades e morando longe do centro, as pessoas se alegram por terem construído suas casas próprias e saído do aluguel.


Aline Kátia Melo, 28, é correspondente comunitária da Jowa Rural.
@alinekatia
alinekatia.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 15h47

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Jaraguá vai ganhar nova estação de trem

Por Silvia Martins

 

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), como parte do plano de expansão do transporte metropolitano, irá reconstruir a estação Jaraguá de trem, na zona oeste de São Paulo. A atual estação, que pertence à Linha 7-Rubi (Luz - Francisco Morato), é tombada como patrimônio histórico de São Paulo e, portanto, não pode receber as obras de modernização e acessibilidade.

 

Segundo a assessoria de imprensa da CPTM, o projeto é orçado em R$ 39,4 milhões e deve durar 24 meses a contar da data da assinatura da ordem de serviço. O novo edifício será construído ao lado da atual estação e terá plataformas cobertas, escadas rolantes e todos os itens de acessibilidade (elevadores, piso e rota táteis, comunicação em braille, corrimãos e rampas adequadas, sanitários exclusivos para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida).

 

Estação de Jaraguá mantém características originais

 

Moradores da região e usuários dos serviços da CPTM avaliam que as obras são necessárias e esperam melhorias que a atual estação não possui, como, por exemplo, uma passarela coberta para atravessar as plataformas.

 

Fernando, 31, acredita que o projeto deve trazer melhorias significativas, mas teme o período das obras: “vai ser um transtorno terrível, vai tumultuar, vai complicar a vida”. José, 25, revela que “apesar dos transtornos nas obras, daqui uns 5 anos deve melhorar bastante”. Já Edmar Soares de Oliveira, 48, vê como essencial a instalação de escadas rolantes, pois acha “perigosos os degraus da escada atual, que são de ferro e estreitos”. Todos os entrevistados esperam que as obras não interfiram no funcionamento dos trens.

 

Estação segue modelo da arquitetura inglesa

 

A atual estação do Jaraguá tem 120 anos e possui uma arquitetura inspirada nas estações da Inglaterra. Até a conclusão das obras da nova estação, vai atender aos usuários. Após este período, terá uma nova vocação, ainda não definida.

 

O tombamento, determinado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), foi publicado no Diário Oficial da União, em 17 de julho de 2010. Apesar do tempo, muitos moradores da região ainda desconhecem o fato. Rita de Cássia, 47 e Ana, 32, acreditam que a divulgação é importante para o bairro, “para atrair turismo e movimento”.

 

Silvia Martins, 30, é correspondente comunitária do Jaraguá.
@silviacomunica
silviamartins.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 17h02

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Clube Escola Santo Amaro apresenta: o circo

Por Daniela Araujo

No dia 1º de dezembro, às 14h30, a oficina circense do Clube Escola de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, mostrou o seu picadeiro para toda a comunidade num lindo espetáculo. O trabalho foi realizado durante todo o ano de 2011 e teve como tema o Natal.

A abertura do evento contou com duas pirâmides humanas, o que deixou o público bastante eufórico. Em seguida, a atração recebeu a apresentação de contorcionistas, ginastas de solo, malabaristas e muitos saltos e piruetas na cama elástica. O show dos aéreos ficou por conta dos artistas do tecido, trapézio e lira.

Fotos de Rosiane Santos e Carlos Eduardo Ranea

As aulas são monitoradas pelos professores Fafá Coelho, responsável pelos malabares, alongamento, preparo físico e clown, por Allan, que coordena as atividades de ginástica de solo e acrobacias e o também instrutor Rodrigo  Zamperlim, que cuida dos exercícios aéreos, como o tecido, o trapézio e a lira.  As atividades ocorrem desde 2007, bem como modalidades esportivas.

Assim como a apresentação foi aberta para todos, as atividades do circo também são. As aulas ocorrem todas as terças e quintas no período da manhã, das 9h às 10h e das 10h45 às 12h. À tarde, são realizadas das 13h30 às 16h.

Para participar, basta fazer a carteirinha e um exame médico, feito apenas no local. Leve carteira de identidade, comprovante de endereço e cartão do SUS. O Clube da Cidade Santo Amaro (Joerg Bruder) fica na Av. Padre José Maria, 555 (em frente ao Terminal de ônibus). O telefone do espaço é o (11) 5687-6340.

 

Daniela Araujo, 25, é correspondente comunitária de Interlagos.
@danidollskt 
danielaaraujo.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 15h31

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