Mural

Blog dos correspondentes comunitários da Grande São Paulo

 

Região Central

Grupo de teatro quer tirar população negra da periferia cultural

 

 

Por Semayat Oliveira

 

Esse é o lema do grupo de teatro Os Crespos, que voltam aos palcos com o espetáculo “Além do Ponto”. Protagonizado pelos atores Lucélia Sérgio e Sidney Santiago, a peça propõe uma reflexão sobre a afetividade entre homens e mulheres negras, contando a história de separação de um casal de forma poética.

Em atividade desde 2005, o grupo se formou na Escola de Arte Dramática da USP, em São Paulo, e se define como um coletivo teatral de pesquisa cênica, audiovisual, debates e intervenções públicas. O objetivo é evidenciar a situação do negro brasileiro na sociedade contemporânea além de seus desdobramentos históricos.

“Essa é a minha missão, é muito valoroso ouvir alguém me dizer, depois de assistir uma peça, que se sentiu representado”, disse Lucélia.

 

Foto: Cláudia Souza

 

Sidney cresceu em uma colônia de pescadores, no Guarujá, balneário de São Paulo, e Lucélia na periferia da Praia Grande, no litoral sul paulista. Quando vieram para São Paulo, o centro da grande capital foi escolhido como foco de atuação.

“Elegemos o centro por ainda considera-lo uma grande periferia urbana. É onde as pessoas de todos os cantos se cruzam, seja para trabalhar ou para o lazer, onde encontramos cortiços, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos”, explica Sidney.

A região central tem o maior número de salas de teatro da cidade. A subprefeitura da Sé reúne 50% desses espaços, enquanto outras 14 subprefeituras mais periféricas não têm nenhuma sala.

Segundo Lucélia, eles atuam na periferia sempre que possível, mas a falta de espaço e verba para circulação são empecilhos. “Vivemos de editais. Em 2010, com um projeto de intervenções, tivemos mais mobilidade e levamos o espetáculo para os bairros Heliópolis [zona sul] e Vila Carrão [zona leste].”

Para atrair o público alvo, o coletivo faz um trabalho de formação. Estabelecem parcerias com instituições, promovem debates e abordam pessoas nas ruas para apresentar suas propostas e atividades. Sidney conta que esse processo é constante, com peças em cartaz ou não.  

“Queremos que a população negra saia das periferias e cruze esses muros. O teatro brasileiro, especialmente o paulista, ainda é muito elitista, no sentido de acesso e de conteúdo. Até existe uma abordagem de questões sociais, mas raciais não”, explica Sidney.

Durante a conversa, Lucélia se lembrou do dia em que uma cooperativa de catadores de papel foi assistir ao espetáculo “Ensaios Sobre Carolina”, em 2007, escritora negra que também foi catadora de papel. “Eles se emocionaram muito e se sentiram representados. Hoje, 80% da nossa plateia é negra e, para muitos, somos o primeiro contato com o teatro.”

Além do Ponto” fica em cartaz, em São Paulo, até domingo (29/1). O coletivo vai depois para cidades do interior do Estado e quilombos do Vale do Ribeira.

 

Se quiser saber como está a distribuição de salas de treatro na cidade de São Paulo, clique aqui e veja os números coletados pela Rede Nossa São Paulo.

 

Semayat Oliveira, 23, correspondente comunitária de Cidade Ademar.

@Semayat

semayat.mural@gmail.com

 

 

 

 

 

Escrito por Blog Mural às 16h52

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Uma cracolândia em cada bairro

 
Por Bia Souza

 

Como mulher e moradora do centro de São Paulo sei em quais ruas devo ou não andar sozinha, é algo comum para quem conhece o local onde vive.

Ontem, ao pegar o metrô e descer na estação da Luz, eis o espanto: em volta do local não havia nenhum usuário de crack.

Mas não foi preciso andar muito para encontrá-los, agora espalhados, ou em pequenos grupos, vagando pelas ruas.

Na terça-feira, dia 3, entrou em prática o Plano de Ação Integrada Centro Legal, uma medida da Prefeitura e do Estado de São Paulo para acabar com a cracolândia.

Inicialmente os policiais ocuparam as áreas de maior tráfico e consumo. Depois eles perguntavam aos usuários se eles querem ajuda da rede municipal de saúde e assistência social.

O objetivo é conseguir que um bom número deles saia das ruas e o programa siga com uma meta de bons resultados.

Os coordenadores da campanha acreditam quem a abstinência vai fazer com que os usuários de crack busquem ajuda.

Essa tática é antiga e lembra um ditado popular: “Se não for por amor, vai ser pela dor”.

Não imagino como possa funcionar essa ideia. Um dos primeiros sintomas da abstinência é a agressividade, as autoridades sabem disso, o policiamento não foi reforçado à toa.

Ao entrar em um mercado na avenida Cásper Líbero, a lista de reclamações vinha de todos os lados: clientes com medo de assaltos, alguns já relatando tentativas de furtos e funcionários assustados temendo uma abordagem ao saírem do trabalho.

Neste cenário, uma senhora me abordou para dizer: “deviam obrigá-los a fazer tratamento, levar na marra, onde já se viu pedir com jeitinho para viciado!”.

Eis a primeira questão: existe algum centro de tratamento integrado para tratar dessa doença?

Como moradora do centro, sinto que apanham pessoas doentes e dizem a elas que se espalhem por aí e continuem vivendo sua enfermidade em outros lugares.

Afinal, drogas não são vendidas apenas no centro. O que vai acontecer é a formação de pequenas cracolândias em outros bairros.

No caminho próximo à rua Guaianases, algumas pessoas me perguntaram se eu sabia onde estava mais seguro para pegar um ônibus.

Não sei o que pareceu mais triste, dizer que depois de anos morando na região, eu já não tinha mais certeza, ou saber que antes havia ruas seguras e outras não-seguras, nunca uma cidade ou um bairro totalmente inseguro.

 

Bia Souza, 22, é correspondente comunitário da Bela Vista e região central de São Paulo.
@BiaNaso
biasouza.mural@gmail.com

 

 

Escrito por Blog Mural às 17h14

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Uma aula de democracia na avenida Paulista

Por Tatiane Ribeiro

Durante a semana, fim de tarde na avenida Paulista, na região central de São Paulo, é sinônimo de várias pessoas apressadas para sair do trabalho. Mas, na quinta-feira (24/11), um grupo de cidadãos estava interessado em fazer outra coisa.

A “Aula de Democracia”, realizada por estudantes da USP, parou a avenida mais famosa da cidade para chamar a atenção para outro tipo de trânsito: o da estagnação social. 

Bruno Gilga, 25, estudante de Ciências Sociais, explica que há cinco pontos reivindicados pelo movimento: revogação do convênio PM-USP; anulação dos inquéritos contra os 73 estudantes presos durante a ocupação da reitoria; retirada de todos os processos a estudantes e trabalhadores por manifestação política; estatuinte soberana para nomeação de um novo reitor e formulação de um projeto alternativo de segurança.

Fotos: Fábio Braga/Folhapress

“Nos sentimos parte também da luta dos estudantes chilenos que brigam contra a repressão da polícia por educação gratuita e também da luta da juventude que se levanta na Colômbia, EUA, Grécia, Itália e Egito contra os efeitos da crise internacional”, disse.

Os participantes, sentados no vão livre do Masp, ouviram a aula composta de intervenções feitas ao microfone. Diversas bandeiras foram levantadas por movimentos sociais e sindicatos. Professores e intelectuais também participaram.

“Queremos questionar o papel que a polícia cumpre na sociedade, vide episódios como o Massacre da Candelária e tantas outras repressões contra as manifestações sociais”, enfatiza Marcello Pablito, 29, um dos diretores da SITUSP (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo).

Uma das falas mais aplaudidas foi o de Mara Lucia Sobral Santos, 46, catadora de material reciclável e presidente da Cooperativa de Granja Julieta. “O que vocês estão sentindo nos sentimos todos os dias. Por isso espero que esse não seja um ato isolado, porque senão vai virar só história e de história já estamos cheios. Estou com vocês, porque sei que a USP também tem lugar para o pobre, porque minha filha, que trabalhava comigo na rua, agora cursa Gestão Ambiental na universidade”, disse ao microfone.

Em meio aos simpatizantes e ativistas, estava a vestibulanda de História, Wanessa Guglielmi, 17. “Escolhi a USP devido a essa tradição dos movimentos estudantis que traz uma vivência enriquecedora na parte cultural e política, isso eu não teria em outras instituições”.

Segundo Pablito, cerca de 5 mil pessoas participaram do manifestação. Do outro lado da rua, o batalhão da polícia fez o contraponto. “Em torno de 500”, contou o policial.

A “aula” faz parte de um calendário de eventos que visa convidar as autoridades para dialogar com a população. Na tarde de hoje, estava marcada uma audiência pública na Assembleia Legislativa entre os estudantes e o reitor da USP João Grandino Rodas. Porém, o reitor afirmou que não iria comparecer (leia mais).

 

Tatiane Ribeiro, 26, é correspondente comunitária da Bela Vista.
@TaTyaa
tatiribeiro.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 17h05

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Chega de trânsito: projeto quer levar trabalho até o paulistano

 

Por Rafael Carneiro da Cunha

 

 

Você já pensou como seria trabalhar perto de onde você mora?

 

Em uma cidade como São Paulo isso não seria uma má ideia. E é com essa proposta que a correspondente do Mural Tatiane Ribeiro criou o projeto “Está na Área”, em fase de captação de dinheiro no site Cartase.

 

O principal objetivo do projeto é criar uma plataforma na web que conecte profissionais interessados em trabalhar em casa ou que aqueles que procuraram um trabalho perto das residências com empresas que ofereçam essas oportunidades.

 

Tatiane acredita que a sua ideia pode não somente gerar uma melhora na qualidade de vida da população como também contribuir para uma redução do trânsito caótico da cidade. “Já existe esse tipo de banco de vagas fora do Brasil, mas temos de fazer um para o contexto brasileiro”, diz a jornalista.

 

O projeto piloto chegou a ser pré-finalista no Festival de Ideias, evento realizado em setembro pelo Centro Ruth Cardoso. Depois disso, o “Está na Área” sofreu algumas modificações, pois a colaboração para a melhoria dos projetos é uma das características do festival.

 

 

Agora, para consolidar a microempresa e colocar o site no ar, Tatiane precisa captar recursos até o dia 23 de novembro no site Catarse. Se quiser saber mais, clique aqui 

 

 

Rafael Carneiro da Cunha, 21, é revisor de texto e editor de vídeo no Mural.

@rafaelccunha

rafaelccunha.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 15h39

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Ocupe o viaduto do Chá

 

 

Por Tatiane Ribeiro

 

Eram 21h quando desci as escadarias do viaduto do Chá, na região central da capital paulista, e avistei a movimentação dos manifestantes que estavam ali. Cerca de 160 pessoas se dividiam em atividades paralelas. Assim que me aproximei presenciei a conversa entre um representante da Guarda Civil Metropolitana e o grupo de advogados defensores do movimento.

“Alegam que fazer fogueira e montar as barracas é uso impróprio do solo. Mas essa acusação não confere porque queremos apenas manter a integridade física dos participantes”, afirmava um dos advogados. Enfrentar o frio da madrugada dessa segunda-feira (17/10) apenas com as mantas não seria nada fácil.

 

 Fotos: Diego Santana

O movimento, que até o momento recebeu nomes como Indignados, Acampa Sampa, 15.0, entre outros, reúne, desde sábado (15/10), jovens, estudantes, trabalhadores e simpatizantes que lutam por causas como a construção de uma nova cultura política, a  paralisação de Belo Monte, reestruturação do Novo Código Florestal, tarifa zero no transporte público de São Paulo, 10% do PIB para educação, fim do uso de quaisquer armamentos para uso em manifestações por parte da polícia, cumprimento da Sentença da Corte Inter-americana de Direitos Humanos pela desobstrução da Justiça no caso dos militares torturadores e entrega de todos os corpos da guerrilha do Araguaia (entre outras).

Todos os dias acontecem assembleias onde um megafone é aberto para quem quiser expor suas ideias. O andamento das atividades é resolvido em consenso. Todos têm voz.

 

 

O funcionário público Marconi Calvacanti, 43, soube do “acampamento” pela internet e depois do trabalho passou ali para dar sua opinião. “Defendo que a bandeira do movimento deve ser: abaixo a ditadura do poder econômico e financeiro – democracia plena já! Temos que criar soluções na prática para romper a dependência dos monopólios que estão oprimindo a população mundial”, bradou.

Leonardo Alves de Arruda, 25, se identificou com os dizeres nos cartazes que defendiam o vegetarianismo e o movimento LGBT e resolveu ficar para ajudar. “Às vezes não tomamos decisões por medo de sermos julgados, mas é preciso ter coragem de assumir nosso ponto de vista para avançar”, diz.

Dois moradores de rua, que também leram os cartazes, aderiram à manifestação. “A internet é a melhor vantagem que temos. É a inteligência global que chega em qualquer lugar. Rola até um lance espiritual”, faz questão de frisar Roberto Cardoso, 22.

A maioria das avaliações feitas na assembleia sobre os três dias que já durava o acampamento eram positivas. “As pessoas estão participando de forma indireta pelas redes sociais”, avaliou a historiadora Amanda, 20. O educador infantil Cadu, 21, frisou que é preciso dobrar o número de pessoas acampadas para maturação do movimento.

Contra as restrições do poder público, Carmen Sampaio, astróloga e ativista, avisa: “O acampamento é permanente e só dialoga com o governante quando ele vier para nossa assembleia”.

Nos moldes do 15 M, que aconteceu na Espanha, e no Ocupy Wall Street, a intenção é ficar. “Queremos reunir dois milhões de pessoas”,  diz confiante Jeff Anderson, do movimento Biourban. Doações de alimentos, mantas e demais acessórios úteis são bem-vindos. 

 

 

“Sigamos o lema Oyepê-guaçu, que significa todos juntos num só corpo, em tupi”, grita a atriz Fernanda Magnani, 29.

 Mais fotos aqui.

 

Tatiane Ribeiro, 25, é correspondente comunitária da Bela Vista.
@TaTyaa
tatiribeiro.mural@gmail.com

 

 

Escrito por Blog Mural às 17h04

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Sobre crianças e a cracolândia no centro de São Paulo

Por Cleber Arruda

 

É decepcionante ver como algumas áreas da região central de São Paulo foram tomadas por crianças e adolescentes sujos, famintos, chamados de “noias”, com olhos inexpressivos e que causam algo que não deveriam pela sua pouca idade: medo.

Ontem, na avenida São João, por volta das 22h, tive o celular tomado por dois deles com uma faca colada à minha barriga. Queriam dinheiro também. Abri minha carteira e ao verem um monte de papel, ficaram frustrados e me dispensaram. Minutos depois encontrei uma viatura, contei o caso e os policiais me levaram na gaiola para um passeio pela região próxima ao Terminal Princesa Isabel.

Sempre ouvi falar sobre a cracolândia e até já assisti alguns programas que mostram a situação. Mas, penetrar aquele universo me deixou hipnotizado. Por três ou quatro quarteirões, as ruas são tomadas por pessoas caídas nas calçadas, vagando como zumbis, com olhares assustados e vagos. São crianças, jovens, velhos, de ambos os sexos, de todas as cores, espalhados por ali, em busca de algo para negociar por uma pedra de crack.

Àquela hora, já até havia esquecido o prejuízo pessoal, a verdadeira sensação de impotência veio com a imagem daquela criançada mordendo a camiseta, com aparência cansada e ameaçadora. Não achei os dois (que me roubaram).  Achei centenas deles.  

O Dia das Crianças está aí. Certamente, não será diferente para aqueles que, em vez de um brinquedo ou algo especial, lutarão por um celular ou uma pedra de crack, com suas roupas rasgadas, fedidas, uma faca na mão, nas ruas do centro da capital mais rica do país.

 

 

Cleber Arruda, 29, é correspondente comunitário do Jardim Damasceno.
@CleberArruda
cleber.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 14h27

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No centro de SP, escola pública sofre com demora em reforma

 

Por Tatiane Ribeiro

Muitos discutem sobre o papel das instituições educacionais na atual sociedade que está cada vez mais conectada e interativa devido ao acesso as novas tecnologias. No entanto, discussões mais antigas como a valorização e preservação do espaço físico dos colégios ainda são preocupações recorrentes para alunos e professores que estão rotineiramente dependendo dessa estrutura.

A Escola Estadual Caetano de Campos, localizada no centro de São Paulo, é um exemplo de como estão sendo resolvidas questões de reforma em prédios de escolas públicas.

Patrimônio Cultural de quase 200 anos, o edifício estava até pouco tempo atrás em péssimas condições de conservação, com paredes pichadas, vidros quebrados, piso solto e teto prestes a cair. “Foram feitas reformas há cinco anos, porém sempre de forma parcial. As pinturas externas é que são realizadas com maior frequência”, conta um professor da escola, que não quis se identificar.

A comunidade e os gestores solicitaram o restauro que só se iniciou no segundo semestre de 2010. “Enquanto esperávamos, por muitas vezes a escola foi alagada pelas fortes chuvas, os alunos chegaram a usar guarda-chuvas dentro das salas”, diz o professor.

Depois que as obras foram iniciadas a situação não melhorou. “Tintas de péssima qualidade cobriram as paredes centenárias. Afrescos foram pintados. Vitrais ignorados. Portas e janelas de pinho de riga foram estouradas e as portas substituídas por portas de compensado, que logo já apareceram quebradas dada a fragilidade das mesmas“, explica o professor

Com a promessa de que a obra estaria finalizada até o final de 2011, o trabalho voltou progredir somente a partir de julho deste ano. “Mas continuamos sofrendo com o pó diariamente e a merenda servida ainda é à base de barrinhas de cereais, suco de caixinha e frutas, devido à falta de água”, conta.

Sem biblioteca e sem sala de informática, a situação se refletiu no desempenho dos alunos.  “A sensação é que obra se arrasta e parece interminável. Por várias vezes os funcionários abandoaram a construção por falta de pagamento e tentaram até receber da direção da escola”, desabafa o professor.

Há uma placa em frente ao prédio que informa que R$ 3 milhões estão sendo investidos e pagos à empresa de engenharia Prisma, responsável pelo projeto de restauro.

O Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo foi questionado sobre o acompanhamento da reforma, mas nenhuma resposta foi enviada até o momento.

“Nesta escola temos professores mestres e doutores que trabalham também em universidades. Os alunos têm a efervescência do centro desta metrópole, são parte deste pólo cultural. É um lugar especial. Precisa ser valorizado”, finaliza.

 

Quer ser um correspondente comunitário do Mural? Leia aqui.

 

Tatiane Ribeiro, 25, é correspondente comunitária da Bela Vista.
@TaTyaa
tatiribeiro.mural@gmail.com

 

 

 

Escrito por Blog Mural às 16h53

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Incansáveis defensores da praça Roosevelt

Por Tatiane Ribeiro

 

Quem passa pelo local, entre as ruas Augusta e Consolação, no centro de São Paulo, vê um monte de tapumes (alguns com agradáveis grafites) que escondem concretos e entulhos retirados da construção.  Quem passou por lá há dez meses, via a incógnita e abandonada praça Roosevelt. O que veremos daqui a um ano _o projeto que vai ser erguido no local_, ninguém sabe ao certo.

“É um retrocesso. Serão novos caixotes, buracos negros, muitas escadarias e uma única rampa que acaba em frente a uma escola. E ainda falam de acessibilidade. Mas é nitidamente uma proposta desumanizadora”, diz Carmem Zilda Ribeiro, moradora do entorno.

Como representante do Comitê Gestor Roosevelt, Carmen também afirma que a nova versão é o mesmo projeto apresentado em 1995, com apenas algumas modificações. “Agora querem transformar a área mais nobre da praça, onde ficam as árvores, em um ‘cachorródromo’, que ficará do lado de um playground”.

 

 

Até 2006, mais de duas mil pessoas assinaram abaixo-assinados a favor da reforma da praça e apenas 160 optaram pela demolição. “A edificação do local era maravilhosa, existia ali o único teatro grego ao ar livre, bastaria que melhorias fossem feitas e houvesse incentivo para que os coletivos culturais ocupassem o espaço”, repete Carmen.

Em 2009, foi a vez da Associação Viva o Centro apresentar à Empresa Municipal de Urbanização (EMURB) um relatório com propostas para reformas do espaço, que preservaria o pentágono, considerado atrativo especial da praça devido a sua arquitetura. No entanto, o órgão, ligado à prefeitura da capital paulista, prosseguiu com o projeto que inclui a remoção das estruturas de concreto e as máquinas chegaram ao local para efetivá-lo em setembro de 2010.

Oficialmente inaugurada em 1970, a praça Roosevel sempre foi reduto artístico dos paulistanos. Estreou com uma exposição de Candido Portinari, depois abrigou o Cine Bijou, primeiro cinema de arte da cidade, e ainda foi palco das primeiras apresentações dos shows de Elis Regina.  Mas sempre sofreu críticas pelo excesso de concreto. 

“Não podem responsabilizar a arquitetura da praça pela degradação. Foi o abandono, a falta de manutenção, de segurança pública e a inexistência de atividades regulares que resultaram na deterioração do espaço”, diz Carmen.

Previsto para ser finalizado em 2012, o novo projeto deverá custar em torno de R$30 milhões, mas novos orçamentos são apresentados a cada revisão do empreendimento. Desse valor, 85% vieram do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Para o professor Antônio Fernandes, também morador da região, não se derruba uma casa porque há goteiras. “O custo social da demolição será alto demais e não resolverá os problemas que todas as praças enfrentam por falta de políticas públicas consistentes e duradouras”, declara.

Apesar da demolição avançar, o Comitê Gestor Roosevelt oferece a interessados diversas informações sobre o processo e as discussões do caso ao longo dos anos. “Compartilhamos o pensamento do educador Paulo Freire: demolir um equipamento público é destruir a história de um povo”, diz Fernandes.

Para entrar em contato com o comitê escreva para: comitegestorooseveltczr2@hotmail.com

Veja mais fotos da demolição da praça Roosevelt aqui.

 

 

 

 

Tatiane Ribeiro, 25, é correspondente comunitária da Bela Vista.
@TaTyaa
tatiribeiro.mural@gmail.com

 

 

Escrito por Blog Mural às 16h52

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Bicicloteca leva leitura à população em situação de rua no centro de SP

Por Leonardo Brito

 

No dia do escritor, 25/7, o ex-morador de rua Robson César Correia de Mendonça conseguiu realizar um dos seus sonhos.

Robson morou na rua durante algum tempo e só conseguiu sair por meio dos livros. No entanto, os seus companheiros de calçada não tiveram a mesma sorte (e perseverança) que ele teve. Alegam não ter acesso aos livros e quando tentam entrar em uma biblioteca pública, são barrados por causa das roupas e objetos que carregam.

O sonho de Robson era poder oferecer outras oportunidades de leitura a esse grupo.

 

Robson recebe seu primeiro livro de Lincoln

Em um encontro casual com Lincoln Paiva, presidente do Instituto Mobilidade Verde, Robson propôs plantar uma árvore no frente da biblioteca Mario de Andrade _e sem perceber começou a falar de seu sonho.

Lincoln saiu dali com o sonho de Robson na cabeça e pensou em lhe dar uma “bicicloteca”. O modelo é uma espécie de triciclo com freios a disco na traseira e uma caçamba com capacidade para transportar 150kg de livros. A entrega do veículo a Robson aconteceu no último dia 25, dentro da biblioteca Mário de Andrade.

Agora, o objetivo de Robson é entregar livros para todos que se interessarem pela leitura, mas o foco prioritário são os companheiros que ainda estão na rua. Ele entrega sozinho os livros pela praça as Sé, praça da República e Anhangabaú, na região central de São Paulo.

 

 

A ideia nasceu em 2009, na região do Campo limpo, zona sul da capital. Lá, Robson Padial, o Binho, criador do Sarau do Binho, criou a primeira “bicicloteca” no Brasil.

Mais tarde a Central Única das Favelas (Cufa), em 2010, também lança sua “bicicloteca” na Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de janeiro.

Para Robson, o objetivo do projeto é proporcionar o acesso da leitura a muitos moradores de rua. “O livro é pouco para que uma pessoa saia da rua, mas já é um início na tentativa de transformar sua vida, assim como transformou a minha”, diz.

“Os moradores terão condições de acesso ao livro, mas agora o desafio é despertar a vontade de ler dentro deles”, ressalta o médico comunitário Daniel Ferreira, que trabalha diretamente na assistência dessa população na UBS República.

No Estado, cerca de 20 mil pessoas estão em situação de rua, segundo estatística realizada pelo Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo.

O acervo da bicicloteca de Robson será formado por doações espontâneas. Quem quiser contribuir basta acessar o site do projeto ou entregar os livros na biblioteca Mário de Andrade e nos bicicletários do metrô.

 

Robson ao lado do médico Daniel

 

 

 

Leonardo Brito, 23, é correspondente comunitário da favela Monte Azul.
@misterbrito
leonardobrito.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 21h48

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Terceira audiência pública sobre a criação do Parque Augusta

 

 

Por Tatiane Ribeiro

 

Nesta quarta-feira, (13/7), às 18h, será realizada no Novotel Jaraguá audiência pública onde a Incorporadora Setin apresentará o projeto do empreendimento imobiliário que pretende instalar no terreno de 24 mil m² localizado entre as ruas Augusta, Caio Prado e Marquês de Paranaguá.

 

 

A apresentação, organizada pela Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, tem o objetivo de consultar a opinião pública sobre o que deve ser feito com o espaço que contêm mais de 600 árvores e é reivindicado pela Samorcc (Sociedade dos Amigos, Moradores, Comércio e Serviços de Cerqueira César) como área ideal para criação do Parque Augusta.

 

Essa é a terceira audiência realizada pelo órgão municipal onde, mais uma vez, apresenta-se à população o projeto que consiste em construir duas torres no local _uma residencial e outra comercial.

 

“Eles prometem deixar uma praça para uso livre dos moradores, que será doada à prefeitura e administrado por eles. Mas ninguém garante que esse espaço não será fechado depois”, alerta Sérgio Carrera, 53, idealizador do SOS Parque Augusta.

 

Carrera afirma que a população da região já demonstrou que é contra o empreendimento.

 

“São 20 mil assinaturas no papel e mais nove mil na petição online. Cerca de 15 prédios estão sendo inaugurados ou em construção na região, sem um planejamento que leve em conta a qualidade de vida dos moradores”, reforça.

 

Sobre a criação do parque, leia mais aqui e aqui.

  

 Foto de Diego Santana

MAIS INFORMAÇÕES:

Audiência Pública

Data: 13/07/2001

Horário: 18h

Local: Novotel Jaraguá - rua Martins Fontes, 71 - Centro, São Paulo

 

COMUNICADO DE SUSPENSÃO DE APRESENTAÇÃO PÚBLICA SOBRE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO LOCALIZADO ENTRE AS RUAS CAIO PRADO, AUGUSTA E MARQUÊS DE PARANAGUÁ (recebido em 13/7/2011):

 

A pedido da própria empresa proprietária do terreno, que havia solicitado apresentação pública para dialogar com os moradores interessados, está suspensa a apresentação pública prevista para 13/07/2011, às 18h.

 

Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente

 

 

Tatiane Ribeiro, 26, é correspondente comunitária da Bela Vista.
@TaTyaa
tatiribeiro.mural@gmail.com

 

 

Escrito por Blog Mural às 17h30

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Vereadores aprovam liberação do Parque Augusta

Por Tatiane Ribeiro
 
 
 
O projeto de lei que libera a criação do Parque Augusta foi aprovado, em primeira instância, na segunda-feira, dia 27 de junho, na Câmara Municipal de São Paulo. O texto apresentado pelos vereadores Juscelino Gadelha (sem partido) e Aurélio Nomura (PV) garante que o terreno de 24 mil m² localizado no centro da cidade seja plenamente para lazer dos moradores.

Mas mesmo com a votação unânime em prol do projeto, será necessário que o prefeito Gilberto Kassab sancione a lei para a real liberação do espaço.

A polêmica existe desde 2004, quando foi criado o Comitê Aliados do Parque para impedir que a especulação imobiliária destruísse cerca de 600 árvores existentes ali. Hoje, mais de 28 mil pessoas já assinaram o abaixo-assinado referente a essa causa.

No dia 13 desse mês, está marcada mais uma audiência pública em que a Incorporadora Setin apresentará o seu projeto de construir ali um condomínio com uma praça aberta ao público.

 “Estamos atentos, porque não é justo que em reuniões onde os presentes não representam a vontade da maioria seja decidido algo tão relevante como a criação desse parque”, afirma Sérgio Carrera, 53, idealizador do SOS Parque Augusta.

Moradores e ativistas esperam a votação da 2ª instância para pressionar as autoridades.

“A nossa esperança é que o prefeito compreenda a importância desse espaço para a qualidade de vida em São Paulo. O número de árvores existentes é bastante significativo para justificar a preservação dessa área”, acrescenta Carrera.

Para saber mais sobre esse assunto, clique aqui

 

 

 

 

Tatiane Ribeiro, 25, é correspondente comunitária da Bela Vista.
@TaTyaa
tatiribeiro.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 23h59

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Festa no Parque da Aclimação celebra a união entre as culturas

 
 

 

Por Tatiane Ribeiro

 

São Paulo, cidade multicultural, de todas as nações é símbolo da diversidade em todos os aspectos e por isso há também a preocupação em exaltar a tolerância. Nesse contexto, será realizado o Festival pelo Amor Universal - Rios Sagrados e Sons Sagrados, que acontece no dia 2 de julho, das 11h às 17h, no Parque da Aclimação.

O evento, organizado pelo Centro Cultural Vrinda, tem na programação atrações artísticas de grupos indígenas, rastafáris e indianos e também palestras sobre ecologia e atitudes conscientes. Destaque para a presença de Srila B.A. Paramadvaiti Swami, guru da cultura vaisnava que já fundou diversas fazendas ecológicas na América Latina e está no Brasil para promover atividades junto à comunidade Hare Krishna.

Na parte da manhã, haverá apresentações de representantes das etnias Guarani e Kaxinawa. “O rio é um ser vivo, é como nossa mãe. Dependemos dele para viver e é importante levar esse conhecimento a sociedade,” conta Olivio Jekupe, escritor de literatura nativa da adeia Krukutu.

O Projeto Lakshmi animará o público com uma intervenção cômica, onde os atores abusam do uso gestual para tornar a interpretação engraçada. Também trazem ao palco o Coral Brasileiro Indiano composto de cantores, instrumentistas e bailarinas.

Ainda relacionado à cultura da Índia, o Centro Cultural Vrinda apresentará danças e bhajan, a tradicional música indiana.

O tom contemporâneo fica por conta de Mister Lúdico, artista paulistano independente conhecido pelas letras  curiosas das suas composições. O movimento rastafári, criado na Jamaica e popularizado por Bob Marley, será representado por Dada Yute.

Paralelo a essas atrações, haverá aulas de Ioga Inbond, prática fundamentada nas escrituras védicas e também distribuição de prasada, comida vegetariana vaisnava. “A ideia é transmitir de forma artística e plural a necessidade da conscientização em prol do meio ambiente e da paz entre as culturas”, afirma Adriana Campuzano, organizadora artística do evento.

Para encerrar, os músicos se reúnem para tocar na “Festa dos Tambores”.

Tatiane Ribeiro, 25, é correspondente comunitária da Bela Vista
@TaTyaa
tatianeribeiro.mural@gmail.com 

 

 

 

Escrito por Blog Mural às 16h45

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Projeto do Parque Augusta não saiu do papel

 
Por Tatiane Ribeiro

 

Respirar não é algo tão simples para quem mora no centro de São Paulo. A região tem um índice precário de áreas verdes _constatação óbvia para moradores, passantes e até mesmo para a prefeitura da cidade. No entanto, mais evidente ainda seria priorizar a construção de parques nesse espaço. Mas por que isso não acontece?

Se for por falta de lugar adequado, mais 28 mil pessoas já deram a dica. Assinaram o abaixo-assinado pela criação do Parque Augusta. Trata-se de uma área de cerca de 24.000 metros quadrados com mais de 600 árvores, localizada na esquina da rua Caio Prado e com a rua Augusta.

 

 

 

“Queremos fazer daqui um espaço de integração com a natureza, onde seja possível desenvolver atividades ao ar livre, além de oficinas sobre ecologia e reciclagem”, afirma Sérgio Carrera, 53, um dos idealizadores do movimento SOS Parque Augusta.

O terreno abrigou no passado o antigo Palacete Uchoa, que deu lugar ao Colégio Des Oiseaux _tradicional escola só para mulheres_, em 1907. Depois o prédio foi demolido e o imóvel vendido pela Associação Instrutora da Juventude Feminina, na época proprietária do espaço. Na transação algumas reivindicações foram asseguradas como a integridade da área verde.

De lá para cá, o terreno já ficou abandonado, passou para as mãos de uma empresa de turismo até ser vendido ao atual proprietário, que depois de várias tentativas de construir ali prédios e outros empreendimentos, arrendou o local para um estacionamento.

“Para evitar que as árvores desapareçam, criamos o Comitê Aliados do Parque. Em sete anos de luta, conseguimos o tombamento do bosque, em 2004, o Decreto de Utilidade Pública, em 2008, e a inclusão do Parque Augusta no Plano Diretor da Cidade para 2016”, diz Sérgio Carrera. “Segundo o Secretário do Meio Ambiente, a prefeitura não tem dinheiro para a desapropriação.”

Enquanto isso, os moradores freqüentam parques das outras regiões. “Vou ao Ibirapuera ou ao da Água Branca”, conta Vera Campos, produtora de eventos e moradora do Largo do Arouche. O primeiro fica a cerca de 3,5 km de distância dali, o segundo, a 5,5 km. 

 

 

 

No Dia do Meio Ambiente, em 5 de junho, foi realizado um “piquenique à moda antiga”, onde os participantes levaram cestas com comidas e toalhas que foram estendidas no asfalto em frente ao parque, ao som de sax, sanfonas e flautas, como forma de protesto. Os organizadores querem repeti-lo todos os anos.

“Queremos criar a consciência no cidadão que está nas mãos dele o poder de transformar a própria realidade”, diz Carrera. Além disso, as ações diretas com o poder público continuam. “Vamos tentar uma nova audiência com o prefeito.”

 

 Fotos de Diego Santana

Tatiane Ribeiro, 25, é correspondente comunitária da Bela Vista.
@TaTyaa
tatiribeiro.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 20h25

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Na Bela Vista, arte combina com debate social

Por Tatiane Ribeiro

 

 

 “Aqui não é um bar, é um espaço cultural onde são realizadas apresentações artísticas. Servimos bebidas e acompanhamentos apenas para ajudar a manter a estrutura”, faz questão de frisar Vilma da Mota Lopes, 47, uma das fundadoras do ECLA (Espaço Cultural Latino Americano).

Parece mesmo difícil definir logo de cara o lugar. Quem chega ao salão, vê mesas com panos de chita sobrepostas em toalhas vermelhas, pôsteres do Che Guevara, fotos de manifestações e uma estante com livros sobre sociologia e psicologia. “É a nossa biblioteca. A pessoa pode vir aqui e sentar no canto para ler”, conta Claudimar Gomes dos Santos, 59, marido de Vilma e também fundador do espaço.

“Aqui discutimos a cultura e a arte dentro da perspectiva da mudança social”, afirma Santos. “Os problemas existem porque o Estado não supre a necessidade da juventude. Prova disso é que depois de quatro meses que abrimos a rua mudou. Não sei se foi por nossa causa, mas o clima ficou diferente.”

Com as transformações a comunidade começou a interagir.

Crianças foram convidadas a participar do cineclube infantil aos domingos, jovens se inscreveram nas aulas de maracatu e de capoeira e até um grupo carnavalesco foi montado. O Bloco do Saci, sob o lema “diversão e contestação”, tratou o tema da moradia em 2011, uma das questões mais importantes no bairro.

“Temos a decisão de participar com o bloco durante os outros eventos populares. Agora estamos ensaiando músicas juninas para apresentar na festa que queremos fazer na rua ao lado, no próximo dia 23”, detalha Vilma.

Além dessas atividades, o ECLA abre espaço para músicos e apresentações teatrais populares. “Não cobramos nada dos artistas e arrecadamos o couvert para eles”, esclarece Santos.

O local também é sede de debates e de várias manifestações sociais, como as organizadas pelo Comitê de Solidariedade ao Haiti, pelo Comitê de Solidariedade à Líbia e a do Comitê de Solidariedade à Cuba, que acontece no próximo domingo (12/6) _que contará com a presença do cônsul Lázaro Mendez Cabrera e terá almoço, música e outras atividades .

“O ECLA não é ligado a nenhuma organização ou partido. A cultura está acima disso tudo”, confirma Santos. 

 

 

 

Foto de Jesus Carlos

Endereço: rua Abolição, 244, Bela Vista.

 

Tatiane Ribeiro, 25, é correspondente comunitária da Bela Vista.
@TaTyaa
tatiribeiro.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 15h53

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O músico da avenida Paulista

Por Katiane Rodrigues

 

 

Rafael Pio Soares, 30, começou a estudar música em 1990 e há 14 anos toca nas ruas. Hoje, ele se apresenta aos fins de semana em frente ao Shopping Center 3, próximos à estação Consolacão do metrô, na região da avenida Paulista, em São Paulo.

 

Nascido no bairro da Vila Madalena, na zona oeste da capital, o guitarrista decidiu tocar na rua para expressar a sua arte. “Assim como a arte uma vez me emocionou e mudou minha vida, quero compartilhar isso com as pessoas. Espalhar o amor”, diz Rafael. O artista trabalhou no Circo Escola Picadeiro, e a proposta de seu trabalho é misturar música à performance de clown. Em seu repertório não faltam músicas de circo, trilhas de desenhos animados e clássicos dos anos 70 e 80.

 

Foto de Cláudio Pepper

 

Segundo Rafael, a arte feita na rua socializa as pessoas. “Acho que alguns viraram até namorados”, conta o músico.

 

Os artistas de rua, porém, tentam negociar com a prefeitura de São Paulo a regulamentação dessa atividade. No final de 2010, o prefeito Gilberto Kassab estabeleceu a Operação Delegada, para acabar com o comércio irregular nas ruas. Os artistas de rua são acusados de fazer arrecadação de dinheiro sem pagar imposto.

 

“Acho que deveria ter muito mais [artistas na rua]. Eles animam e deixam o nosso dia melhor,”, diz a estudante de moda Thaís Vaz, que parou pra ouvir o músico.

 

O fotógrafo Cláudio Pepper conhece o Rafael há dois anos. Para ele, os artistas devem ser livres. “Quem gosta para e dá uma contribuição. São as surpresas da cidade.”

 

 

 

Para entrar em contato com o músico, escreva para: pioshow@yahoo.com.br

 

Katiane Rodrigues, 25, é correspondente comunitário de Itaquera.
katiane.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 15h01

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Vivian Whiteman O blog Mural é produzido por algumas dezenas de correspondentes comunitários que moram na periferia da Grande São Paulo e arredores.
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