Mural

Blog dos correspondentes comunitários da Grande São Paulo

 

Zona Leste

Aos domingos, trens da CPTM demoram até 30 min para passar

Por Leandro Machado

Além da lotação e de constantes problemas nas viagens durante a semana, os usuários da linha 11-Coral da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) vêm enfrentando outro desafio também aos domingos: a espera pelos trens chega, em média, a 25 minutos.

 

A linha 11 liga a Luz (centro de SP) a Guaianases, bairro da zona leste.

 

O site da estatal informa que, nos finais de semana, o intervalo entre uma composição e outra é de 10 minutos.

 

Não foi o que constatou o Mural em visita à estação Luz nos últimos três domingos. Os trens demoravam de 25 a 30 minutos para passar. Com o intervalo maior, as plataformas e os trens ficaram lotados.

 

Plataforma da estação Luz fica cheia com o intervalo maior entre os trens

 

“Todo final de semana é a mesma coisa. Se eu quiser ir sentada, preciso esperar outro”, diz a balconista Ângela de Fátima, 24. Ela trabalha na Liberdade, no centro, e demora 2h30 para chegar ao Itaim Paulista, bairro onde mora, na zona leste.

 

O técnico agrícola Marcos Mengel, 30, diz que, aos domingos, leva 1h30 da Luz até Mogi das Cruzes, cidade da Grande São Paulo. “Durante a semana, a viagem não passa de 1h”, diz Mengel. “Essa demora vem acontecendo há muito tempo, sei porque uso muito essa linha nos finais de semana”.

 

“Às vezes, a espera é maior do que a viagem no trem”, diz Aline Queiroz, 21, recepcionista e moradora de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Ela trabalha próximo aos Hospital da Clínicas (região central) e leva 1h40 até em casa. “E a gente acha que no domingo vai ser tranquilo, que nada. É pior que durante a semana”.

 

Trem fica lotado na estação Luz, no domingo, 5 de fevereiro

 

Nos horários de pico de dias úteis, o intervalo dos trens é de 5 minutos, segundo o site da CPTM.

 

Em nota, a assessoria de imprensa da companhia disse que os atrasos nos finais de semana ocorrem por conta de obras de manutenção e modernização da linha e que procura avisar os usuários por meio de notas em seu site e de sinalização nas estações.

 

No dia 29 de janeiro, não havia placas na Luz falando do atraso. Nos 22 de janeiro e dia 5 de fevereiro, um cartaz informava que os trens circulavam com maior tempo de espera, mas não dizia quantos minutos seriam.

 

No alto falante, um funcionário da companhia anunciava: “Em virtude de obras na linha, os trens estão circulando com maiores intervalos e tempo de parada nas estações. A CPTM conta com sua compreensão”.

 

Leandro Machado, 22, é correspondente de Ferraz de Vasconcelos.

@machadoleandro

lmachado.mural@gmail.com

leandro.machado@grupofolha.com.br

 

Escrito por Blog Mural às 14h18

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Catadores de lixo participam de Natal solidário no Jardim Helena

Por Lívia Lima

A catadora de papel Helena Farias é forte e, aos 51 anos, garante que consegue carregar até 600 quilos em seu carrinho. “É um dinheiro suado, mas eu gosto!”. No último sábado, porém, véspera de natal, Helena trouxe apenas um carrinho de feira para buscar uma cesta básica, um frango congelado e dois refrigerantes no bar do Urso, no Jardim Helena, na zona leste de São Paulo.

Há cinco anos, o comerciante Carlos Eduardo de Souza, o Urso ou Nené, realiza com um grupo de amigos e fregueses uma ação solidária de arrecadação e entrega de alimentos para catadores de entulho da região. “Eu comecei sozinho e entregava 10 cestas. Aí o pessoal do bar resolveu ajudar. Na primeira vez juntos fizemos 70. Hoje conseguimos fazer 160”.

Catadores fazem fila em frente ao bar para ganhar os alimentos

Durante todo o ano, Carlos distribui folhetos nas ruas e ferros-velhos, avisando os catadores sobre a campanha de Natal. Para adquirir os alimentos, é necessário se cadastrar no bar. Em seguida, ‘Urso’ verifica as condições das pessoas, faz visita às casas e, por fim, monta uma lista com o nome de todos que vão receber as cestas.

“Isso para mim vale tudo, ajuda a gente. O dinheiro que a gente tem pode inteirar para outras coisas”, conta o carroceiro Milton da Silva Limeira, 54, que há 10 anos sustenta a família com o dinheiro que consegue da reciclagem. “Passei da idade e ninguém quer me dar serviço, a solução da gente é a rua. Se não fosse o lixo, a gente ia viver de que?”.

Para conseguir os alimentos, Carlos sempre deixa uma caixinha no bar, onde todos podem depositar “o troco da cerveja”. Neste ano, ele arrecadou R$ 2600, a quantia suficiente para comprar 100 cestas básicas. As restantes foram adquiridas com doações de amigos e também pequenas empresas do bairro.

Carlos, o Urso, entregando a cesta básica para uma catadoras de papel

O aposentado Romeu Sforsim, amigo de Carlos, conta que se comoveu e começou a ajudá-lo depois que escutou ele dizer: “Deus dá tanta coisa pra gente, porque não dividir um pouquinho?”. Ele apóia o amigo na decisão de ajudar os catadores: “Ninguém mexe com lixo porque quer, é um serviço muito ingrato”, comenta.

A entrega das cestas é um dia de festa para todos. As caixas ficam todas na calçada na frente da garagem da casa de Carlos, ao lado do bar, onde os fregueses comem churrasco e escutam pagode. “É uma alegria a gente poder dar algo que alguém não consegue na data de hoje”, afirma o encarregado de obras Ciro França, freguês e vizinho do bar. “Ninguém tem alegria com fome, se você está com Deus e com a barriga cheia, você está em paz”.

Lívia Lima, 24 anos, correspondente comunitária de Artur Alvim.
@livialimasilva
livia.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 16h05

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Zona leste se enfeita para o Natal

Por Alexandre Ofélio, Tamiris Gomes e Vander Ramos

Os bairros da zona leste paulistana estão com enormes decorações que interagem com o meio ambiente e despertam a imaginação de seus moradores. 

Na região da Mooca, o correspondente comunitário Alexandre Ofélio observou os enfeites das praças do bairro e da Base Comunitária da Policia Militar. As decorações natalinas marcam presença e despertam a curiosidade das pessoas. Na Base Comunitária de Segurança, entre as ruas Madre de Deus e Padre Raposo, o Papai Noel atrai crianças e adultos. Em algumas praças, os enfeites dão um toque diferente no cenário da região. Para o assistente financeiro Fabio Henrique de Oliveira, 35, os adornos nas casas e lojas estão bonitos. “O que falta na realidade é enfeitar as ruas”, diz.

Base Comunitária da PM, na Mooca

Na cidade de Poá, na Grande São Paulo, a correspondente Tamiris Gomes destaca a beleza da praça da Bíblia no centro comercial. Em todas as ruas do centro e principais avenidas dos bairros estão decoradas para a chegada do Natal. Já aconteceram apresentações de cantores locais, corais e orquestras. "Está melhor que o ano passado" afirma Tainá Resende, 18.  Os prédios da Prefeitura e Câmara Municipal também aderiram ao clima natalino.

Próximo dali, no extremo leste da capital paulista, o correspondente Vander Ramos destacou a decoração nas residências do bairro mais afastado do centro.

No  Itaim Paulista, a decoração natalina está concentrada em duas praças principais do bairro. Nas casas, um show à parte. Cada uma revela o sentimento de seu morador, alguns mais inspirados no espírito natalino, outros buscam criatividade e principalmente responsabilidade ambiental. “Gosto muito mais deste momento, pois os moradores arrumam as frentes de suas casas e nos transmitem tranquilidade além de ficarmos mais apaixonadas pelo bairro”, comenta Rita de Lima, 65.

 

Alexandre Ofélio, 42, é correspondente comunitário da Mooca.
@alexandreofelio
aleofelio.mural@gmail.com

Tamiris Gomes, 21, é correspondente comunitária de Poá.
@tamigomes_
tamirisgomes.mural@gmail.com

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
@vander521
vander.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 12h25

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Moradores de São Miguel brigam por construção de centro cultural há 30 anos

Por Vander Ramos

Ativistas culturais e moradores da região de São Miguel Paulista, bairro do extremo leste de São Paulo, buscam há mais de 30 anos a construção de um centro cultural no antigo terreno do cemitério da região.

A proposta, articulada por membros do Movimento Popular de Arte (MPA), quer um espaço que tenha um teatro para 200 pessoas, camarins, salas multiuso para oficinas, uma biblioteca e praça de alimentação. O projeto executivo foi aprovado pela Secretaria Municipal de Infra-Estrutura Urbana e Obra em 2009 e custará cerca de R$ 6 milhões, segundo organizadores do MPA.

Desde então, a proposta não avançou devido à falta de recursos. “Estamos esperando este centro cultural há mais de 30 anos e achávamos que em 2009 seria construído” comenta Ceciro Cordeiro, membro do MPA.

Em 2008, o terreno receberia uma escola para 1.200 alunos, mas, por interferência dos ativistas do MPA, a obra foi paralisada. “Seria um absurdo a construção de uma escola aqui, pois não existe demanda para isto. Queremos um espaço cultural para entreter nossa família aos finais de semana. Cultura também é necessária, não só escolas e postos de saúde”, diz Alberto Guinosa, morador do bairro há 40 anos.

Moradores mostram projeto do centro cultural

A mobilização sensibilizou uma antiga moradora da região de São Miguel, a cantora Roberta Miranda. Ela visitou o local no dia 11/12 e lamentou que o espaço ainda não tivesse sido aproveitado. “Entrei para esta luta, sou daqui, vou participar ativamente desde movimento mesmo não estando presente podem contar comigo. A partir de hoje meu Twitter estará levando a mensagem e minha rede de relacionamento também”, comenta Roberta ao blog Notas de São Miguel.

Além dela, políticos se solidarizaram com o movimento. Um deles, Andrea Matarazzo, pré-candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, discursou para um grupo de moradores, no dia 11 , informando que, caso o centro não seja construído, ele iria viabilizar a criação de um espaço cultural na antiga sede social da Fábrica da Nitro Quimica.

Segundo os artistas, a proposta foi infeliz, além de ser um desvio de foco do terreno pleiteado para construção do centro cultural. No local indicado por Matarazzo foram plantadas cerca de 27 mil árvores para descontaminação da área ocasionada pela antiga indústria química e nada por ser construído lá.

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
@vander521
vander.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 16h37

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São Miguel e Itaim Paulista inauguram decoração de Natal

Por Vander Ramos

Chegamos ao mês de dezembro e as árvores de Natal foram montadas em diversos lugares. Além de decorar, elas simbolizam a paz, alegria, esperança e principalmente a vida.

Várias pessoas reproduzem uma árvore de Natal e decoram seus lares com enfeites natalinos. Afinal, as crianças esperam por esta data. As principais ruas das cidades também são decoradas, assim como prédios públicos e particulares. E como está essa decoração nos bairros da periferia?  

A Prefeitura de São Paulo irá gastar milhões na decoração natalina na região central e turística da cidade. Uma parte destes milhões de reais, menos de 1%, é destinada para decoração de uma ou duas praças principais de alguns distritos paulistanos. Em São Paulo, são 96 distritos administrados por 31 subprefeituras.

Torre do mercado municipal de São Miguel Paulista

Nos bairros de São Miguel e Itaim Paulista, ambos no extremo leste da capital paulista, apenas três praças foram decoradas pela Prefeitura. Duas no Itaim Paulista e uma em São Miguel repetem a mesma decoração dos anos anteriores.

O Mercado Municipal de São Miguel nunca recebeu decoração natalina na torre de 33 metros. Com a união dos comerciantes do mercado e de um político, de olho no próximo ano, pela primeira vez a torre recebeu iluminação nas quatro faces. No topo foram instaladas quatro estrelas, cada uma com 400 micros lâmpadas do tipo pisca-pisca.  

Mesmo com uma decoração natalina modesta, moradores fizeram a inauguração de sua “árvore de natal” no último domingo (5/12). O evento começou às 15 horas com show musical de vários artistas regionais. O rapper Carlão “Guerreiro da leste” cantou seu rap no estilo natalino, uma novidade. À noite, um coral de vozes de crianças, de 8 a 10 anos, do tradicional Colégio Pop cantaram cantigas natalinas e, na sequência, o Coral da Catedral de São Miguel encerrou o evento com a imagem do menino Jesus e a bênção do Padre Silvio Pereira.

Coral das crianças do Tradicional Colégio Pop

Segundo os organizadores estava previsto um show pirotécnico de cinco minutos no momento de acender as luzes da torre, mas o dinheiro arrecadado entre amigos acabou e não foi possível comprar a decoração e os fogos de artifícios. A iluminação da torre do mercado municipal foi acessa às 20h40 com contagem regressiva das autoridades municipais que administram o distrito.

Assim é o natal na periferia, pouco investimento público e união de seus moradores.

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
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Escrito por Blog Mural às 15h23

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Jardim Romano, dois anos depois

Por Vander Ramos

No próximo dia 8 de dezembro, o alagamento da região do Jardim Romano, no extremo leste da capital paulista, completa dois anos. No verão de 2009 e 2010, o local ficou famoso por ficar debaixo d’água por cerca de três meses.

Em abril de 2010, foi iniciada a construção de um dique de 1,6 km no entorno do bairro a um custo de R$ 70 milhões. Outras obras no sistema de drenagem e recuperação das ruas foram executadas. Uma escola verticalizada, chamada E.E. Terreno Jardim Romano, custou R$ 4,1 milhões e já está em funcionamento. Tudo construído em quase 13 meses.

O investimento público deixou o bairro com nova cara e deu esperança aos moradores, que antes não tinham para onde ir. 

 

Rua do Jardim Romano na época da enchente (Foto: Leonardo Wen/Folhapress)

A construção do parque Várzeas do Rio Tietê trará várias opções de lazer em período de estiagem. O governo estadual estuda uma forma de minimizar o número de famílias que deixarão o local para dar espaço ao parque. 

A demora da Prefeitura em selecionar os moradores que devem sair e do governo do Estado em definir por onde passará o parque causa ansiedade nos moradores.

Na rua Capachós, que ficou nacionalmente conhecida na época do alagamento, existem pelo menos oito reformas. Em diversas ruas no entorno do dique, o cenário é o mesmo. O bairro virou um canteiro de obras públicas e particulares.

Rua do Jardim Romano atualmente; moradores constroem "puxadinhos"

A maioria dos moradores diz que o bairro está bom de morar. “Temos policiamento 24 horas, escolas boas, não alaga como antes. Aqui está melhor que o Morumbi”, comenta Luiz Silva.

Alguns moradores estão mais esperançosos e ampliam suas casas. Constroem os chamados “puxadinhos” verticalizados. As construções têm menos de seis meses e são feitas às pressas. “Temos que terminar antes das chuvas de verão e, depois de levantada, trabalhamos devagar por dentro no acabamento”, comenta o pedreiro Carlos.

 

 Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
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Escrito por Blog Mural às 15h04

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Rua de São Miguel Paulista está alagada há 40 dias

Por Vander Ramos

A rua Doutor Guilherme Eiras, no centro comercial de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, está alagada há cerca 40 dias. A rua é a principal via de acesso ao Hospital Municipal Tide Setubal.

Por mais de um mês, os moradores convivem com o alagamento provocado pela falta de desobstrução e limpeza de uma boca de lobo da galeria de águas pluviais. Segundo o comerciante Alcino Pocino, já foram protocolados cerca de quatro solicitações de limpeza.

 

Moradores usam rampa de madeira para atravessar a água

 

No site da Prefeitura, consta o registro da primeira solicitação, em 05/10 e finalizada pelo órgão municipal em 26/10. Diz o texto: "Solicitação encaminhada para Unidade de Varrição em 11/10/2011. Informo a Vossa Senhoria que providenciamos a limpeza e desobstrução da boca de lobo, ficando a mesma com vazão normal".

 

Moradores afirmam que não viram ninguém trabalhando na limpeza. “A última ocorreu em março deste ano”, afirmou um morador.

 

No sistema de consulta pública, onde são catalogados os serviços de limpeza das galerias pluviais e bocas de lobo na Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras, não está registrado nenhum histórico de limpeza na rua.

 

Parte da Doutor Guilherme Eiras, alagada há 40 dias

 

Para acessar uma das residências, uma rampa de madeira foi improvisada pela moradora Cleide do Carmo. “Esta foi a solução que encontramos para sair e entrar em casa", diz. O mesmo fez o comerciante Pocino para facilitar a entrada dos clientes em seu comércio. "Fui segunda-feira (14) na subprefeitura para reclamar, mas estava fechada", conta.

 

Procurada pela reportagem do Mural, a subprefeitura de São Miguel diz que irá colocar a solicitação na programação de serviços da equipe de limpeza.

 

 

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
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Escrito por Blog Mural às 14h42

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Morador de São Miguel conta como revelou famoso cantor nacional

Por Vander Ramos

Albertino Alves Nobre, 81, é uma daquelas pessoas que por onde passam são sempre cumprimentadas. Ele mora há 62 anos em São Miguel Paulista, na zona leste da capital paulista. Conhece tudo, principalmente a história da região que ele ajudou a fazer. 

A reportagem do Mural convidou Nobre para reviver os caminhos que ele fazia nas décadas de 40 e 50. A cada cinco minutos alguém interrompia a caminhada para cumprimentá-lo.

Nos anos 60, foi diretor do Clube Social da Indústria Nitro Química, que promovia os melhores bailes da época em São Miguel. Para revelar novos talentos musicais e aproximar o clube da comunidade, criou um programa chamado “Festival de Calouros”, que contava com a participação de qualquer pessoa que se dispusesse a cantar. Era o início dos anos dourados e da jovem guarda. 

Albertino Nobre em São Miguel Paulista 

Foi em um destes programas que apareceu o jovem Antonio Marcos Pensamento da Silva, conhecido nacionalmente como Antônio Marcos. Nobre viu no jovem um grande talento musical, muito acima da média dos outros calouros. “Ele tinha uns 16 ou 17 anos e imitava Elvis Presley e, a cada vez que ele ia cantar, era um delírio total do público”, conta.

Na época, Nobre começou a promover uma sabatina musical com os vencedores de cada domingo. Antônio Marcos venceu várias vezes seguidas. Em um fim de semana, convidou para o júri do festival o produtor da antiga TV Tupi Magno Salermo. Ele viu Antônio Marcos cantar e o chamou para se apresentar no programa de Jorge Henry, muito conhecido nas décadas de 60 e 70. “Foi a primeira apresentação de Antônio Marcos na televisão”, diz, emocionado.

Albertino Nobre cumprimenta moradora do bairro

Em 2007, a Casa de Cultura de São Miguel Paulista passou a ser chamada de “Antônio Marcos”, em homenagem ao cantor. Porém, o local não guarda a história e registros de seu patrono. A família do cantor deixou o bairro há vários anos.

Para Albertino Nobre, fica as lembranças do velho amigo. Ele revela que o sucesso “Menina de Tranças” é uma homenagem a primeira namorada de Antônio Marcos, conhecida como Cidinha, ainda moradora da região.

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
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vander.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 14h20

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Em Itaquera, evento discute diversidade cultural

Por Leandro Machado e Luana Pequeno

Neste sábado (12), acontece em Itaquera a “1ª Jornada Educando para Diversidade”. O evento, que terá a participação de coletivos culturais da região, começa às 9h e termina às 17h, no campus da Unicastelo.

Gratuita, a jornada terá palestras sobre diversidade religiosa, racismo, cultura indígena, invisibilidade social e arte-educação, além de apresentações dos grupos de folclore Cia. Porto de Luana e Sucatas Ambulantes.

Apresentação da Cia. Porto de Luanda

“Também vai ter show de rap e um bate-papo sobre o grafite e a lei da cidade limpa”, explica Renato Ursine, 31, um dos organizadores do evento e membro do coletivo “Arte Para a Vida”, que ministra palestras e oficinas sobre grafite na zona leste de São Paulo (leia mais).

Para Ursine, eventos como esse são importantes para o bairro e região. “A gente quebra aquele paradigma de que na periferia não tem cultura e de que as pessoas não se organizam”, diz.

“Tem muita coisa boa acontecendo por aqui, quanto mais ações, melhor”, finaliza Ursine.

Onde: Campus da Unicastelo, rua Carolina Fonseca, 584 - Itaquera

 

Leandro Machado, 22, é correspondente comunitário de Ferraz de Vasconcelos.
@machadoleandro
lmachado.mural@gmail.com

Luana Pequeno, 22, é correspondente comunitária de Itaquera.
@luana_pequeno
luanapequeno.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 15h27

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Em Guaianases, livros são vendidos no meio de flores e peixes

Por Leandro Machado

Do lado direito há uma floricultura. Do lado esquerdo, uma peixaria. Em frente há um açougue e um restaurante de comida japonesa. É essa a vizinhança que o sebo “Book Box” tem dentro do Mercado Municipal Leonor Quadros, no bairro de Guaianases, na zona leste de São Paulo.

“Tenho que aguentar o cheiro de tudo isso”, diz Anthony Cavalcanti, 27, o dono da loja de livros usados. Há seis anos, Anthony e seu pai, Juraci Cavalcanti, resolveram que mercados municipais são um bom lugar para os livros. “É um contraste legal, ninguém imagina encontrar um sebo por aqui”, diz Anthony.

O primeiro Book Box foi inaugurado em São Miguel Paulista. O de Guaianases tem três anos. Juraci começou no ramo trinta anos atrás, vendendo livros em uma barraca de rua. “Meu pai veio do interior, começou a trabalhar numa fábrica, depois viu que não gostava de receber ordens. Como adorava ler, por que não vender livros?”, diz o comerciante.

Anthony Cavalcanti em seu sebo no mercado municipal de Guaianases

Guaianases tem uma população de 268 mil pessoas, segundo a subprefeitura. Não há nenhuma livraria, com exceção das especializadas em literatura evangélica. No bairro, as únicas opções para quem busca um livro são a Biblioteca Municipal Cora Coralina, a biblioteca do CEU (Centro de Educação Unificado) e o sebo de Anthony Cavalcanti, no mercado municipal.

“Tinha um cara que vendia numa banca aqui perto, mas ele teve que sair por conta da remoção dos camelôs”, conta Anthony. Mas o público de Guaianases gosta de ler? “Claro, se não gostasse eu não estaria aqui há três anos. Tem muito adolescente que adora ler, que gosta de escrever também, que tem blog”, diz o livreiro.

Um jovem de uns 20 e poucos anos entra no sebo, dá uma volta, olha os títulos, que vão de edições antigas de Flaubert à saga “Crepúsculo”, para e volta-se para Anthony. “Estou em dúvida entre Guimarães Rosa e Graciliano Ramos, o que você acha?”, pergunta.

 

Leandro Machado, 22, é correspondente comunitário de Ferraz de Vasconcelos.
@machadoleandro
lmachado.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 15h10

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Terras do aeroporto de Guarulhos vão parar no Itaim Paulista

Por Vander Ramos 

 

Desde o início de outubro, o bairro do Itaim Paulista, zona leste da capital paulista, foi invadido por centenas de caminhões transportando terras oriundas das obras de reestruturação e ampliação do aeroporto internacional de Guarulhos para a Copa de 2014.

 


 

O local de descarte é um terreno particular de 53.000 m2 onde nasce o córrego São João, afluente do córrego Itaim, um dos principais do bairro. Segundo moradores da região, na área existiam algumas bicas d'água e mata nativa com vegetação rasteira.

 

Com a chegada dos caminhões, toda a área foi aterrada pelo saibro branco (argila com areia) do aeroporto. Segundo comerciantes próximos, parte do córrego ali existente foi assoreado e as nascentes, protegidas por lei federal, foram atingidas pelas terras.

 


 

O descaso com o meio ambiente foi parar no 50º Distrito Policial, que apurou os fatos e encaminhou o processo ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (Divisão de Investigações sobre infrações do meio ambiente), pois os proprietários do terreno não apresentaram as licenças ambientais da obra.

 

No local são despejados, diariamente, cerca de 3.000 toneladas de terras para nivelamento do terreno. “Aqui havia dois morros e uma colina.  Agora é um terreno plano”, afirma o morador Julio Simões.

 


 

Segundo informações da subprefeitura do bairro, os veículos realizam mais de 200 viagens todos os dias pelas ruas dos distritos de Jardim Helena e Itaim Paulista.

 

Os caminhões deixam um rastro de terra pelo caminho e com o vento a poeira atinge os domicílios ao redor do terreno. “Tenho que limpar minha casa três vezes por semana e, mesmo assim ,a poeira aparece”, diz Ivonete Silva.

 

A calçada no entorno do terreno está intransitável devido ao acúmulo de terra.

 

Para minimizar o efeito da poeira da rua Tibúrcio de Sousa, via de acesso ao terreno, um caminhão pipa da empresa responsável pela obra despeja água no asfalto, mas acaba transformando tudo em  lama _risco de acidentes para os veículos que trafegam ali, diz a Companhia de Engenharia e Tráfego (CET).

 


 

A subprefeitura do Itaim Paulista afirma que fotografa a passagem dos caminhões pelo bairro e apura se toda a operação está amparada pela lei ambiental e da cidade limpa do município de São Paulo.

 

 

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
 @vander521
 
vander.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 09h47

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Roda de samba valoriza raízes negras da zona leste

Por Tatiane Ribeiro

Quem vê uma roda de samba muitas vezes não associa o valor histórico que ela carrega. Mas no Samba da Boca Preta, que acontece entre a Vila Invernada e a Vila Diva, na zona leste de São Paulo, frequentadores fazem questão de lembrar o significado do evento. “A reunião acontece pela força do legado cultural deixado pelos ancestrais negros nesta região”, afirma Sérgio Pereira, historiador e pedagogo.

Todo último sábado do mês, pais, filhos, homens, mulheres, professores, médicos, engenheiros, bailarinos de formação, atores, ou seja, a população local e vários convidados de outros bairros compõem o público de cerca de 800 pessoas que cantam e sambam junto com os percussionistas que carregam a essência desse ritmo no sangue. “Somos descendentes diretos dos escravos de Regente Feijó, na sesmaria que existia aqui no século XIX. Mantemos o grupo por anos para não deixar essa herança desaparecer”, explica Pereira.

Além do som “sem rotulações”_ como eles afirmam tocar_ as lembranças sobre as raízes são fortalecidas por meio da distribuição de livros, CDs de músicas gravadas e composta por integrantes, distribuição de mapas dos quilombos no Brasil, mostra de filmes sobre o universo do samba, entre outras atividades.

Alguns artistas famosos como Leci Brandão já prestigiaram a roda, mas, para os integrantes, o que aumenta a auto-estima do grupo é a reativação da memória por meio das músicas deixadas pelos mais velhos aos mais novos.

Segundo o historiador, a “casa” é aberta a todos os malungos e o ajeum é maravilhoso. Quando pergunto o significado dessas palavras, ele explica: “malungos é uma palavra bantu, que significa ‘aquele que respira o mesmo ar’ e ajeum é a comida boa e de qualidade servida a todos, sem nenhuma distinção!”

“As condições históricas nos permite reconstruir e construir uma identidade através da música, dança e religião afro brasileira, como forma de resistência e identidade de um grupo social e sua vasta memória”, finaliza.

Onde: CDM (Centro Desportivo Municipal) – Vila Invernada –, na rua Raimundo Correa, s/n

Tatiane Ribeiro, 25, é correspondente comunitária da Bela Vista.
@TaTyaa
tatiribeiro.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 12h54

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Itaim Paulista tem campeã mundial do jiu-jitsu

Por Vander Ramos

Itaquera, na zona leste da capital paulista, vai receber a Copa do Mundo em 2014. Um pouco mais ao leste, o bairro do Itaim Paulista revela jovens valores esportivos sem investimento público ou privado.

O Mural já mostrou uma jovem de 12 anos campeã paulista de karatê (leia aqui). Agora mostramos Andressa Lídia de Souza Maiolino, 25, moradora no Itaim Paulista e campeã mundial de jiu-jitsu em 2011, na categoria leve, faixa marrom/preta

Andressa ganhou sua primeira medalha aos 19 anos, ao iniciar na modalidade. Entre 2009 e 2011, conquistou por três vezes consecutivas o campeonato paulista, além de ser campeã brasileira e mundial em 2011.

 

Em novembro disputará o campeonato sul-americano, em Brasília. Se ganhar, conquistará a Tríplice Coroa, que é outorgado ao atleta que vence no mesmo ano os campeonatos brasileiro, sul-americano e mundial. Para chegar ao sul-americano, o maior desafio será conseguir patrocínio para custeio das passagens e estadia.

Porém, a maior satisfação da atleta é o projeto Tatame Gospel. Junto com o seu marido, Carlos Maiolino, também atleta, mantém o projeto de inclusão ao esporte, com aulas gratuitas a crianças de 4 a 12 anos em sua academia no Itaim.

São mais de 60 inscritos, que praticam duas vezes por semana a arte do jiu-jitsu. Eles não têm patrocínio, mas seguem com recursos próprios e boa vontade.

Para Andressa, é uma forma de propagar o esporte, dar ocupação esportiva às crianças que estão sendo aliciadas ao mundo das drogas, descobrir valores esportivos e garantir que no futuro elas passem os conhecimentos adquiridos a outros jovens. Para participar o aluno deve ter bom comportamento em casa e rendimento escolar satisfatório.

Na 3ª etapa do circuito paulista de jiu jitsu, 16 alunos do projeto foram matriculados. 15 conquistaram medalhas.

Mais informações: http://ifcjiujitsu.blogspot.com/  

 

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
@vander521
vander.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 17h43

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Na zona leste, "a escola que queremos"

Por Vander Ramos

 

 

Na região do extremo leste de São Paulo é comum encontrarmos adolescentes passeando nos parques em horário escolar. A maioria cabula aulas para ficar entre amigos, pois parece que a escola não oferece atividades que atraem a atenção dos jovens estudantes.

 

A reportagem do Mural foi conversar com os adolescentes para saber que escola eles gostariam de ter.

 

No Parque Municipal Santa Amélia, no Jardim das Oliveiras, na zona leste da capital, encontramos a Andrea, de 15 anos. Ela  estuda em uma escola estadual próxima e diz que os professores estão desmotivados em dar aulas, não respeitam os alunos e vivem repetindo, de forma ameaçadora: "se não estudar vai repetir de ano”. Ela quer uma escola mais motivadora e com atividades voltadas para o jovem do século 21.

 

Vanessa, de 16 anos, que estuda com Andrea, revela que fica no parque pois o local é mais agradável do que as condições em a escola se encontra. "Lá não temos carteiras decentes, são muito pequenas e a maioria está quebrada ou enferrujada."

 

No Parque Chico Mendes encontramos os jovens Diego e Luiz, ambos de 16 anos. Eles estudam na mesma sala e reclamam que na escola sempre falta professor. "Lá sempre estamos com professor eventual [substituto], que só serve para passar a matéria sem saber explicar nada", reclama.  Ele espera mais dedicação dos professores, mas diz que os docentes reclamam em sala de aula que também não têm incentivo do governo para dar aula.

 

O jovem Luiz comenta que no parque sempre aprende algo a mais. "Aqui converso com colegas, troco informações sobre uma matéria da escola e às vezes paquero uma menina de outra sala”, diz.

 

A maioria concorda que aprende mais quando navega na rede do que na sala de aula, onde ainda impera o sistema de "decoreba". "Na internet aprendo mais coisas que eu quero do que na escola, onde o professor não sabe nada sobre o mundo globalizado e livre", diz o jovem Ronaldo, de 17 anos.

 

"Um dia fiz uma pergunta ao professor e ele mandou eu pesquisar na internet", comenta a jovem Camila, 16.

 

A maioria dos entrevistados concorda que a escola precisa mudar, principalmente os professores. "É um sistema que tem mais de 40 anos, que foi criado quando não existia o computador e internet e o aluno tinha que aceitar tudo que o professor dizia e não pode reclamar ou perguntar", diz o estudante João.

 

 

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
@vander521
vander.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 16h19

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"Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos instala uma câmera na minha rua"

Por Leandro Machado

Nada de muito importante acontece na minha rua. No último mês, o assunto principal era uma cachorra que, doida de pedra, latia a noite inteira e não deixava ninguém dormir direito. Na semana passada, porém, um novo assunto se impôs à vizinhança: instalaram uma câmera no meio da rua.

“Que coisa estranha é essa?”, pergunta Maria das Dores Machado, 57, dona de casa e minha mãe, numa manhã de domingo. “Parece uma câmera”, eu digo, olhando para o objeto instalado em um poste a alguns metros da minha casa.

“Parece coisa do Big Brother”, diz Doralice Barbosa, 55, minha vizinha, aparecendo no muro que divide as duas casas. “Imagine, mãe, deve ter um cara sentado em uma sala escura olhando para nós agora”, digo. “E vendo a gente estender a roupa... A gente sempre fica na calçada conversando sobre a vida dos outros, agora existe alguém para olhar a nossa também”, constatou Doralice.

Foto: Renan Odorizi

Segundo a Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos, cidade onde moro na Grande SP, serão instaladas 35 câmeras de monitoramento em pontos estratégicos do município. Minha rua foi classificada assim: ponto estratégico. Também foi reformado o prédio do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), o bunker onde ficam os observadores da minha rua. Ainda segundo a Prefeitura, o plano de segurança custou R$ 1,2 mi, recurso vindo diretamente do governo federal.

Câmeras de monitoramento viraram moda nos últimos anos. Em busca de segurança, elas estão posicionadas estrategicamente em condomínios, elevadores, corredores, grandes avenidas e ruas pacatas como a minha, tornando a nossa vida mais ou menos um enorme reality show fora da TV.

As imagens servem para flagrar crimes e seus autores, além de identificar assassinos, ladrões, maus motoristas e outros degenerados. Servem principalmente para aumentar a nossa sensação de segurança, a nossa impressão de que existe alguém olhando por nós. A tecnologia não é, afinal, o deus da modernidade?

Foto: Renan Odorizi

Às 23h30, ando por minha rua. Um senhor, que, se não me engano, se chama Juarez, guarda as tralhas que vende durante todo o dia: sapatos velhos, livros didáticos, bonecas destruídas, roupas. Seu ponto de venda fica em frente à câmera, de modo que ele é observado o dia inteiro. Aparentemente não se importa com isso.

Vejo um bêbado. Ele anda tropeçando nos degraus que só existem para os bêbados. De repente ele para, olha para o poste onde fica a câmera, abre o zíper da calça e urina ali mesmo. Além de mim, ninguém viu. Ou quase ninguém.

Leandro Machado, 22, é correspondente comunitário de Ferraz de Vasconcelos.
@machadoleandro
lmachado.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 13h39

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