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Zona Leste

A primeira igreja do Itaim Paulista será demolida

 
Por Vander Ramos

 

A primeira igreja católica do Itaim Paulista, bairro do extremo leste da capital paulista, se chama São João Batista e foi construída em 1951. Mas ela será demolida nas próximas semanas.

 

“Nós devemos ter uma igreja que possa acolher todas as pessoas. Aqui já foi uma igreja menor, depois aumentaram e agora vemos que está pequena novamente”, afirma padre Edmilson Leite Alves.

 

Demolição já começou na parte interna da igreja

 

Como primeira paróquia da região marcou a história de vida de muitos moradores. Foram mais de 8 mil casamentos e milhares de batizados. O padre Edmilson, responsável atual pela igreja, foi batizado nela.  Ali acontecia a melhor e maior quermesse da região.

 

Com a demolição vai-se o laço histórico que marcou por anos várias gerações de moradores.

 

“É uma pena que os fiéis desta Igreja estejam mais preocupados com luxo do que com o símbolo que esta igreja representa na história do Itaim Paulista” ,diz André Silva, morador do bairro há 35 anos.

 

O padre acredita que a nova construção seja um reflexo do desenvolvimento do bairro. “Quando olho pra estação de trem do Itaim, vejo o que era e o que ela é hoje”, diz Padre Edmilson.

 

A nova construção, que deve ficar pronta em menos de um ano, quer poder abrigar 700 fieis _em vez dos 250 que cabem atualmente.

 

 

 Fachada já sem as janelas e símbolos religiosos (Thiago Assunção/CLN)

 

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
@vander521
vander.mural@gmail.com

 

 

Escrito por Blog Mural às 19h53

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Uma Casa de Cultura para Ermelino Matarazzo

Por Vander Ramos

 

O fato: os 113.615 moradores de Ermelino Matarazzo, bairro da zona leste de São Paulo, não têm um espaço público para suas atividades culturais.

 

Ricardo Cardoso, artista plástico, diz que a vontade de criar uma casa de cultura na região nasceu no final da década de 1980, quando os jovens se reuniam no salão da Igreja São Francisco de Assis. “Nesses encontros, realizávamos várias atividades artísticas e começamos a nos organizar em busca do nosso espaço cultural”, diz.

 

Ativistas culturais de Ermelino Matarazzo (Divulgação/Cultura Leste)

 

Na época, um pequeno espaço foi indicado à prefeitura para construção da casa de cultura. Era uma área verde próxima ao centro comercial, porém, por divergência entre a Secretaria de Cultura e o Departamento Municipal de Parques e Áreas Verdes, o processo não avançou. “Chegamos a ganhar estruturas metálicas do governo do Paraná, que não foram aproveitadas e até hoje não sabemos o destino desse material”, comenta Cardoso.

 

A interrupção do sonho durou de 1993 a 2002, quando a prefeitura anunciou a construção de vários Centros Educacional e Unificados (CEUs) nas regiões afastadas do centro da cidade. Esses equipamentos contemplam um anexo cultural e esportivo. Como o CEU Ermelino Matarazzo estava nos planos, os coletivos culturais se mobilizaram para viabilizar ali diversas atividades.

 

Em 2005, a troca de governo não deu continuidade ao projeto dos CEUs e mais uma vez Ermelino Matarazzo ficou esperando seu espaço cultural. Desde então, vários grupos têm se articulado em busca de uma solução.

 

Para o grafiteiro Vanderson, 24, “é complicado Ermelino ter o tamanho que tem, os habitantes que temos e não ter um espaço cultural digno para que os artistas possam usá-lo e fazer suas atividades”.

 

Durante entrevista, o grafiteiro Vander Chê desenha a sonhada casa (Vander Ramos/Mural)

Segundo Uilian da Silva Santos (conhecido como “Chapéu”), coordenador do Núcleo Cultural Filó, o total de grupos interessados no espaço chega a 43 e aglomeram mais de 200 interlocutores. Alguns coletivos são de bairros próximos como Penha, Guaianases, São Miguel e Itaim Paulista.

 

A mobilização mais forte começou com o projeto Cultura na Praça, que visa apresentações culturais e artísticas em algum local público de Ermelino Matarazzo com a finalidade de sensibilizar o poder público para sua causa.

 

O primeiro encontro aconteceu ali em julho de 2010 e desde então já foram sete eventos, organizados pelos artistas da região e convidados.  O próximo ocorrerá em 20 de agosto e além das apresentações culturais será apresentada ao público uma carta aberta, manifesto cultural e abaixo assinado.

 

Procuradas pela reportagem do Mural, a subprefeitura de Ermelino Maratazzo e a Secretaria Municipal de Cultura, responsáveis pela criação do espaço cultural, preferiram não se pronunciar sobre o assunto.

 

 

Ativistas promovem encontros para sensibilizar moradores (Divulgação/Cultura Leste)

Vander Ramos, 51, é correspondente comunitário do Itaim Paulista.
@vander521
vander.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 15h08

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