Mural

Blog dos correspondentes comunitários da Grande São Paulo

 

Zona Norte

Na Jova Rural, não existe sinalização de trânsito

Por Aline Kátia Melo

 

Já parou para pensar na importância da sinalização de trânsito no seu bairro? Eu nunca tinha pensado nisso antes de acontecer um acidente no meu.

Na Jova Rural, bairro onde moro, na zona norte de São Paulo, não há semáforos, faixa de pedestre, lombadas, nem medidor, nem placa de limite de velocidade.

No dia 9/1, por volta das 15h30, um ônibus da linha Jova Rural/Tietê seguia sentido centro e uma lotação, que faz Jova Rural/Carandiru, voltava no sentido bairro. Ambos bateram de frente na avenida Arley Gilberto de Araújo, perto da esquina da rua Maranhão.

Sempre notei que ônibus e lotações sempre sobem e descem esse trecho com velocidade alta e que mais cedo ou mais tarde um acidente ia acontecer. Nessa hora, a gente imagina o transtorno que poderia ser evitado se houvesse sinalização na região.

Acidente entre ônibus e lotação

Outra coisa que aprendi, foi que as sinalizações de trânsito, em sua grande maioria, são colocadas a partir da solicitação dos próprios moradores das regiões.

A pessoa interessada pode solicitar de três formas: pelo fone 156, na subprefeitura responsável pela região ou preenchendo um formulário site da Prefeitura de São Paulo, no SAC - Serviço de Atendimento ao Cidadão.

No SAC, o cidadão-solicitante recebe um número de protocolo e sua solicitação é encaminhada para a CET - Companhia de Engenharia de Tráfego, que fará um estudo para analisar se é possível ou não atender o pedido.

Fiz uma solicitação no dia 11/1, pelo site, dois dias depois de ter testemunhado o acidente, para que a avenida Arley Gilberto de Araújo ganhasse uma sinalização. Entre as opções disponíveis, escolhi "Circulação de Pedestre" e optei por justificar como "Conflito entre Pedestre e Veículo" _afinal, as pessoas não podem nem pensar em atravessar a tal avenida sem correr riscos.

Acompanhei o número do protocolo e em 26/1, 15 dias depois, recebi a seguinte resposta:

“(...) conforme o Artigo 94 do referido Código e a Resolução nº 39/98 do Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN (...) fica impossibilitada a colocação de obstáculos redutores de velocidade no local, pois as características da via (declividade) não atendem a todas as normas exigidas para a instalação desse tipo de dispositivo... Departamento de Atendimento ao Munícipe – DAM”.

O acidente foi a prova de que algo está errado no local. Se nada for feito a respeito, os acidentes vão continuar a ocorrer. Fiz a minha parte, mas a Prefeitura respondeu que a lombada não é viável, e não ofereceu alternativa. Qual será a solução então?

 

Aline Kátia Melo, 28, é correspondente comunitária da Jova Rural.

@alinekatia

alinekatia.mural@gmail.com

 

 

Escrito por Blog Mural às 13h22

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Os moradores do Jardim Antártica não têm posto de saúde

 
Por Francine Mantovani

 

Moradores do bairro Jardim Antártica, zona norte da capital paulista, aguardam por mais de dois anos a instalação de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na região. “A necessidade da população é muito grande, somos cerca de 150 mil habitantes”, afirma o líder religioso pastor Everson Marcos, 44.

 

Imóvel indicado para instalação do posto de saúde no Jd. Antartica

 

Quando necessitam de atendimento médico, os moradores procuram as UBS dos bairros vizinhos como o Jardim Peri e a Vila Dionísia.  Durante uma emergência, a situação piora, pois os únicos hospitais próximos são o do Mandaqui e o de Vila Nova Cachoeirinha. “Eu ainda tenho carro, mas outros dependem do transporte público, que é insuficiente, ou de caronas dos vizinhos”, diz o comerciante Augusto Calil.

 

 

Para diminuir a distância do socorro e em prol da construção de uma UBS na região, um movimento de mobilização dos moradores foi criado há dois anos. “Procurei o pastor Everson e elaboramos, com outros moradores, um abaixo-assinado que já chegou a mais de 10 mil assinaturas; já encaminhamos à Secretaria Municipal de Saúde”, diz Gilberto Cássio Silva, 34, morador e líder comunitário do Jardim Antártica.

 

 

 Vista do Jardim Antartica

Um imóvel chegou a ser indicado por moradores e vistoriado por técnicos da secretaria, mas havia problemas na documentação. Em 5/1, a secretaria de Habitação recusou o pedido de regularização do imóvel na rua Sete Cachoeiras.

 

“Queremos um posto de saúde com as especialidades médicas básicas, onde possam ser feitos os exames de rotina e que tenha os remédios que a população necessita”, diz a bacharel em direito Jussara Queirós, 40.

 

 

 Vista do Jardim Peri Alto

A Secretaria Municipal de Saúde afirmou, em nota enviada ao Mural, que há interesse na criação de uma UBS na região do Jardim Peri Alto, que inclui o Jardim Antártica, mas ainda busca um imóvel para sua instalação. Segundo a secretaria, a maioria das casas na região não tem escritura ou tem algum problema de regulamentação na planta ou é construída em área imprópria, o que dificulta ainda mais o processo.

 

  

Francine Mantovani, 28, é correspondente comunitária da Pedra Branca.
@franmantovani
francine.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 18h07

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Em Perus, maria-fumaça centenária oferece passeio turístico

 
Por Jéssica Moreira

 

Quem utiliza o transporte ferroviário na cidade de São Paulo sequer imagina que no bairro de Perus, na região norte, existe um trem movido a vapor.

 

Desde fevereiro de 2011, a antiga Estrada de Ferro Perus-Pirapora voltou a funcionar como expresso turístico no bairro. A passagem custa R$5, mas a experiência e a aula de história são bem mais valiosas.

 

 

 

O trajeto dura aproximadamente dez minutos, passando por uma área rodeada de árvores. O som da fumaça saindo do trem é inconfundível. Enquanto o maquinista Leandro Guidini conduz a locomotiva, seu pai, o foguista Jair Guidini, opera a caldeira.

 

 

“Na máquina a vapor, o maquinista e o foguista devem trabalhar juntos, para saber a hora exata de colocar fogo e a hora de pôr água”, comenta Jair.

 

“Tem uma história esquecida nessa região que é importante resgatar, pois essa foi a  primeira linha do local”, comenta Eder Batista, 31, que estava visitando o local pela terceira vez.

 

 

A maria-fumaça passa pelos mesmos trilhos desde 1914, mas não leva ninguém a Pirapora.

 

 

Para convencer o governador do Estado, em 1910, os políticos do bairro disseram que a linha serviria para transportar fieis até a cidade de Pirapora do Bom Jesus. A verdade é que a linha servia apenas para a condução de pedras de calcário que vinham do município de Cajamar até Perus, onde eram transformadas em cimento pela Companhia Brasileira de Cimento Portland. De lá, o cimento era levado para o centro de São Paulo e a outros Estados do Brasil.

 

Situada ao lado do Parque Anhanguera, a ferrovia é tombada como patrimônio histórico desde a década de 1980, quando a fábrica de cimento foi fechada. Várias máquinas estavam enferrujando, pois não havia nenhum projeto de revitalização.

 

Em 2000, após dez anos de negociação, o então proprietário, filho e herdeiro de José João Abdala, assinou um comodato de cinquenta anos autorizando o uso das locomotivas.

 

Todas os trens e equipamentos foram repassados para o Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural (IFPPC), organização sem fins lucrativos, fundada especialmente para recuperar o espaço.  

 

”Queremos melhorar ainda mais este local para receber mais gente”, comenta o presidente da organização, Paulo Rodrigues.

 

Durante estes dez anos, o Instituto atuou na recuperação das máquinas e da linha férrea. Hoje, já são três locomotivas em funcionamento.

 

Uma delas é a Adoniran Barbosa. Com 100 anos de idade, a locomotiva leva o nome do sambista por ter transportado materiais pelo bairro Jaçanã na mesma época da famosa música “Trem das 11”.

 

Em 2012, a ferrovia ganhará mais alguns metros no trajeto. O intuito é conseguir restabelecer a ligação entre Perus e Cajamar até 2014, quando a linha férrea completa 100 anos.

 

 

Serviço

Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural

http://peruspirapora.blogspot.com/

Telefone: (11) 2876-2774

 

 

Jéssica Moreira, 20, é correspondente comunitária de Perus.
@gegis00
jessicamoreira.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 17h46

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Moradores aguardam inauguração de Fábrica de Cultura do Jaçanã

Por Aline Kátia Melo

Mesmo sem a data de inauguração, os moradores do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, já esperam as atividades da nova Fábrica de Cultura, localizada na rua Roberto Lanari, no bairro da Jova Rural.  

O espaço, que vai contar com oficinas de música, artes visuais, artes cênicas e multimídia, além de atrações como literatura, teatro, dança e circo, promete ser uma nova opção de lazer para periferia.

São cerca de sete mil metros quadrados, divididos em salas de aula, biblioteca e teatro com 300 lugares. Será o segundo equipamento público destinado à cultura na região. O primeiro foi o CEU Jaçanã, inaugurado em 2007.

Em toda a cidade serão implantadas nove Fábricas de Cultura. Já estão em funcionamento três na zona leste: Vila Curuçá, Sapopemba e Itaim Paulista. E mais uma em construção na Cidade Tiradentes.

Fábrica de cultura do Jaçanã vista da travessa Igarapé Primavera

Na zona sul, serão duas: Capão Redondo e Jardim São Luiz . Na zona norte, estão previstas três unidades: Jaçanã, Brasilândia e Cachoeirinha.

Os bairros foram escolhidos por meio de uma pesquisa feita pela Fundação Seade, que apontou os lugares com o maior IVJ (Índice de Vulnerabilidade Juvenil). O levantamento considera níveis de crescimento populacional e a presença de jovens entre a população do distrito, frequência escolar, violência e gravidez entre os adolescentes.

“Tenho um filho e costumo levá-lo para brincar no CEU Jaçanã. Quando abrir a fábrica aqui na minha rua, ele terá espaço para se divertir mais perto de casa”, diz a moradora Juliana Bispo dos Santos, 27.

Segundo Massaru Nonaka, coordenador de Orçamentos e Finanças Programa Cultura e Cidadania para a Inclusão Social Fábricas de Cultura, o término da construção da unidade Jaçanã está prevista para fevereiro de 2012.

Placa em frente à construção da Fábrica de Cultura

Mas, de acordo com a Ouvidoria da Secretaria de Estado da Cultura, não há previsão para inauguração do espaço. 

“Espero que seja bom para o bairro, para que as crianças não fiquem na rua quando voltarem da escola”, diz Juliana. “Espero que, a partir do momento em que as pessoas frequentem este espaço, elas sintam-se motivadas a visitar outros lugares culturais não somente no bairro”, diz a moradora Roselaine Oliveira, 28.

Há uma placa na frente da construção, mas, ainda assim, muitas pessoas ainda não sabem o que é o espaço. “Não sabia sobre a construção da Fábrica de Cultura, mas fiquei feliz em saber, pois acho que o nosso bairro é carente de atividades culturais”, diz Roselaine.

Aline Kátia Melo, 28, é correspondente comunitária da Jowa Rural.
@alinekatia
alinekatia.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 12h42

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Documentário mapeia desigualdades do processo de urbanização de SP

Por Jéssica Moreira

Uma mochila nas costas e muitas ideias na cabeça. Foi assim que o Coletivo “Mapa Xilográfico” começou a questionar os problemas urbanos que rondam a cidade de São Paulo. Eles produziram o documentário "(À) Deriva – metrópole São Paulo", que conta a história de cinco bairros e denuncia o descaso das autoridades em relação ao direito à moradia.

Na última sexta-feira, o filme foi exibido no sarau D’Quilo, na Comunidade Cultural Quilombaque, em Perus, na zona norte da capital. “Achei interessante, porque [o filme] trabalhou de fato com a comunidade, já vi outros documentários que só faziam o registro”, comentou José Carlos, morador do Morro Doce.

Em 2006, o coletivo começou a fazer xilogravuras com tocos de árvores em calçadas do bairro Ipiranga, na zona sul. Depois de uma viagem à Cuba, eles perceberam que a intervenção artística também podia influenciar a vida das pessoas. Voltaram a São Paulo com o intuito de mapear os bairros de Pirituba, Pompeia e Jaraguá.

Em 2010, foram contemplados com o Prêmio Funarte Artes Cênicos na Rua e neste ano começaram o percurso por toda a capital. Partiram de Santa Cecília, no centro, para as bordas da capital, cruzando o Jardim Pantanal (zona leste), Engenheiro Marsilac (zona sul), Perus (zona norte) e, por fim, Tremembé (zona oeste).

Roda de debates na exibição do filme em Perus

”A nossa intenção nunca foi a de fazer um documentário, apenas. Mas de ter uma vivência nestas comunidades e dar voz para os próprios moradores contarem a história do local”, comenta Diogo Rios, um dos representantes do coletivo, em conjunto com Milene Valentir e Tábata Costa.

O vídeo afirma que há uma "higienização social" no bairro Santa Cecília, com imagens de funcionários da prefeitura jorrando água do rio Tietê em moradores de rua, como afirma Anderson Lopes Miranda, integrante do Movimento Nacional da População de Rua. "Nas ruas, a Prefeitura faz uma ação higienista, não de higiene, mas de expulsar seres humanos”, diz.

Mais para baixo, no bairro Engenheiro Marsilac, no extremo sul da metrópole, o documentário ressalta a importância histórica e ambiental do local, que está situado na Área de Preservação Ambiental (APA) Capivara- Monos. "Se a região for desmatada novamente, a temperatura da capital sobe de 4 a 5 graus", enfatiza a moradora Maria Lúcia Círilo.

Em Perus, o grupo também mostrou a história do bairro, marcado por reivindicação dos moradores e conquistas sindicais desde a década de 1950 (leia mais). A importância da linha ferroviária Perus – Pirapora, que hoje é ponto turístico do local, também é destaque no filme. "A ferrovia é um verdadeiro museu arqueológico industrial vivo", diz Nelson Camargo, morador de Perus.

O filme evidencia também o processo de urbanização do bairro Tremembé e a luta dos moradores contra a construção de um trecho do Rodoanel no local, o que despertou a comunidade a discutir a questão ambiental.  Já no Jardim Pantanal, o projeto fala das enchentes, que todos os anos destroem casas e deixam o problema de infraestrutura ainda mais evidente.

Veja o trailer do documentário:

Mais informações: http://mapaxiloaderiva.blogspot.com/

 

 

Jéssica Moreira, 20, é correspondente comunitária de Perus.
@gegis00
jessicamoreira.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 13h27

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Sarau lança escritores, biblioteca e cultiva novos leitores na Brasilândia

Por Cleber Arruda e Francine Mantovani

O lançamento do livro “Nós Somos Todos Iguais?” foi um dos momentos mais emocionantes do Sarau Poesia na Brasa, na noite do último sábado (3/12), na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo.

A obra, que custa R$ 10, foi escrita por crianças e adolescentes. A maioria mora no Abrigo Casa das Expedições, como Andressa Santos, 15. Ela conta ter expressado momentos difíceis da sua vida nos poemas. “Quem diria que abrigados, que são marginalizados pela sociedade, poderiam um dia escrever um livro? Mas está aí a prova para quem desacreditou da gente”, diz.

Os moradores do abrigo participam de oficinas de literatura com educador Vagner de Souza (Vagnão), 26, um dos fundadores do Sarau Poesia na Brasa, que atualmente acontece quinzenalmente aos sábados no bar do Carlita.

Apresentação do espetáculo teatral “Cordel do Amor Sem Fim"

“Começamos o primeiro sarau em julho de 2008, divulgando para poucas pessoas, no boca a boca mesmo. Conseguimos uma caixa de amplificador emprestada e um microfone de videokê, os frequentadores do bar não estavam entendendo nada daquilo”, relembra Vagnão.

De lá para cá, os frutos do sarau têm sido muitos. “Já lançamos nove livros com autores da Vila Brasilândia e proximidades, começamos a perceber que a maioria dos poemas do sarau era de autoria dos próprios participantes que liam. Então pensamos: as pessoas estão escrevendo, vamos começar a publicar nossos próprios livros também”, conta o educador Michell da Silva (o Chellmí), 27.

O incentivo à leitura é uma das principais bandeiras levantadas pelos educadores do sarau. Para proporcionar o acesso aos livros, eles aproveitaram o espaço cedido no bar e montaram a biblioteca Carlos de Assunção, em homenagem a um poeta atuante do Movimento Negro Unificado (MNU) da década de 70, e que já conta com mais de 200 volumes doados por moradores da comunidade.

“Sempre houve uma conversa de que quem mora na periferia não gosta de ler e menos ainda de escrever, nós nunca acreditamos nisso porque nascemos aqui e sempre gostamos de ler, escrever e estudar”, diz Vagnão.

Declamação do manifesto "A Elite Treme"

A biblioteca fica dentro do bar e funciona todos os dias. “Costumamos dizer que o cadastro do leitor é feito com a vontade de ler, não tem que ter RG, comprovante de residência nem prazo para devolver, pode levar um ano para ler, a ideia é desmistificar o conceito de que o livro tem espinhos”, diz Chellmí.

A moradora Tânia Aparecida dos Santos Simões, 28, está feliz com o desenvolvimento da leitura na região. “As pessoas têm agora o hábito de ler. A leitura e a cultura estão sendo bem mais difundidas do que antigamente. Meu filho sempre me pede para vir aqui”, diz Tânia, que já escreve suas próprias histórias.

Além do lançamento do livro “Nós Somos Todos Iguais?”, houve a exposição fotográfica de Sonia Regina Bischain “E Por Falar em Poesia...” e o espetáculo teatral “Cordel do Amor Sem Fim”, do Teatro Carne em Osso. O último encontro do ano do Sarau Poesia na Brasa está marcado para o próximo dia 17. Começa às 19h, na rua Professor Viveiros Raposo, 534.

 

Cleber Arruda, 30, é correspondente comunitário do Jardim Damasceno.
@CleberArruda
cleber.mural@gmail.com

Francine Mantovani, 28, é correspondente comunitária da Pedra Branca.
@franmantovani
francine.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 14h25

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Conheça o bairro de Jova Rural, na zona norte de São Paulo

Por Aline Kátia Melo

Jova Rural é um distrito que faz parte da subprefeitura Jaçanã Tremembé, na zona norte de São Paulo. Quando falo o nome dele, todo mundo pergunta: “O quê? Zona rural?”. Aí eu digo que o bairro próximo mais conhecido é o Jaçanã e a pessoa começa a cantar: “Moro em jaçanã se eu perder esse trem..." Esse diálogo já se repetiu várias vezes, com pessoas diferentes e algumas variações.

Moro no bairro Jova Rural desde 1998. Nessa época, ainda não havia asfalto e a ligação de água e luz não era oficial. Felizmente, essas providências foram tomadas.

O bairro é uma antiga ocupação que cresceu muito, mas que ainda não possui escritura oficial. Antigamente, as ruas não tinham nome, tinham número.

Jova Rural vista da Rua Roberto Lanari

Jova Rural não tem agências bancárias e bancas de jornais. A maior parte dos estabelecimentos são pequenos comércios: mercadinhos, lan houses, bares, igrejas e salões de cabeleireiro. Também temos pet shops e uma academia. Aos poucos, vão surgindo novidades.

O local tem poucas linhas de ônibus. Nos horários de pico da manhã, eles já saem cheios do ponto final. Há muita área verde não construída e a maior parte das moradias são prédios da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano).

De uns anos para cá, essa área verde foi perdendo lugar. Foi construído o CIC (Centro de Integração à Cidadania), que oferece serviços públicos gratuitos, entre eles um posto do “Acessa São Paulo”, programa de acesso à internet.

Prédios de Jova Rural

Quatro anos atrás, o bairro ganhou o CEU Jaçanã. O terreno antigamente era ocupado por parques de diversão itinerantes. Em frente ao CEU, na rua País Natal, são feitas festas de rua organizadas pela comunidade.

Mesmo com as dificuldades e morando longe do centro, as pessoas se alegram por terem construído suas casas próprias e saído do aluguel.


Aline Kátia Melo, 28, é correspondente comunitária da Jowa Rural.
@alinekatia
alinekatia.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 15h47

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Meu cotidiano nos vagões da linha 7

 

Por Jéssica Moreira

 

Todos os dias transito por São Paulo, por meio do transporte ferroviário. Por duas horas, atravesso a cidade olhando as cores das linhas de trem e de metrô no meu trajeto. Rubi. Vermelha. Azul. Verde. Amarela.

Cores muito comuns para muitos cidadãos desta metrópole, que a cada dia são espremidos em vagões de metal.

 

Ilustrações: Ananda Radhika

Às 9h30, chego à estação de Perus. É o começo da minha viagem cotidiana, que termina na estação Faria Lima, linha Amarela do metrô.

Nesse percurso pude notar as diferentes nuances de uma estação para a outra. Os trens da linha 7-Rubi (Francisco Morato – Luz) possuem, em sua maioria, bancos compridos, para que um número maior de pessoas se acomode, pois os bairros da região noroeste são, de maneira geral, bairros dormitórios, de onde vêm muitos dos trabalhadores para a área central.

Trens que têm bancos únicos na horizontal são como coração de mãe: sempre cabe mais um. Muitos deles possuem espaço para guardar as sacolas, algo muito corriqueiro nessas bandas da zona norte.

O bairro de Perus, onde moro, também é um bairro dormitório. Já tomei trem com a mesma pessoa _sem combinar_ às 7h da manhã e depois, na volta para casa, às 23h.

Muitos levam marmitas, quentinhas, geladas, ovo e carne moída. O que torna essa prateleira acima dos bancos muito útil, principalmente nos horários de pico, quando ninguém tem em que se apoiar. (Os músicos desta cidade sofrem muito, cuidando de suas guitarras ou qualquer outro instrumento que ocupe mais que um metro.)

Esta é a linha Rubi. Não tão popular quanto a Vermelha. Aliás, bem esquecida.

Desde 2009, a linha Rubi recebeu dois trens novos adicionais, com ar condicionado e tudo. Nos trens antigos, o ar condicionado parece um ventilador.

Na Rubi também tem comércio ambulante. Poderia bem dizer ilegal, mas a verdade é que ninguém sabe o bem que esses trabalhadores fazem aos passageiros com fome. Enganam o estômago com um pacote de amendoim torrado ou três tabletes de bala por R$1.

A filantropia também acontence na linha Rubi. Pedintes de todas as necessidades (e credos) passam pelo vão entre os bancos e pedem uma moeda. “Deus te abençoe”, agradecem, enquanto chocalham nas mãos as moedas de 10 ou 25 centavos.

Um pouco escura, lotada e, muitas vezes,  sufocante.  Mas cheia de figuras surpreendentes e histórias que se perdem em meio às ferrugens dos trilhos, mas que existem e podem ser ouvidas durante os 56 minutos de viagem.

Suas paredes são de cor bege e os vidros são decorados com pichações de movimentos da “ z/n” ou “ z/o”. O que não deixa de ser uma forma de apropriação. Sinal de que aonde esse veículo for, levará as marcas dos lugares que percorreu e um pouco das pessoas que fazem do trem quase uma segunda casa. Seja Jaraguá, Piqueri ou Franco da Rocha.

Ele poder tardar e até falhar, mas uma hora chega.

 

 

Jéssica Moreira, 19, é correspondente comunitária de Perus.
@gegis00
jessicamoreira.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 14h37

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Música e dança conquistam o CEU de Perus

Por Jéssica Moreira

 

Depois de meses de ensaio, calos nos dedos e até tendinite, os integrantes do grupo All Strings estrearam terça (11/10) seu primeiro espetáculo “A Dança das Notas", no CEU Perus, zona norte de São Paulo.

 


A apresentação misturou  música clássica e popular com dança, performance e, ainda, interação didática com a plateia, apresentando um pouco de teoria musical e as diferenças entre os  instrumentos utilizados _contrabaixo, violino, viola, violão, violoncelo e saxofone.

O grupo se formou em junho de 2010, quando ingressaram no Projeto musical Guri, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo em conjunto com a organização social Santa Marcelina.

“O que vocês viram hoje é fruto do nosso trabalho, das discussões e troca de ideias”, disse Duda Moreno, artista orientador de dança do Projeto Vocacional.

 


Segundo Talita Rodrigues, violista do grupo, eles se reúnem pelo menos três vezes por semana para ensaiar. A violista diz _rindo_ que já ficaram até “sem beber, sem comer e sem dormir” por conta dos ensaios, mas, no final, tudo valeu.

O repertório do grupo vai de Mozart a Black Eyed Pears. Segundo eles, o projeto faz a ponte entre o erudito e o popular. O espetáculo trouxe até balé para o palco, com a música “Ciranda da bailarina”, de Chico Buarque.

O público era formado por muitos jovens, entre amigos e alunos de escolas da região. “Isso é uma coisa que nos dá muito orgulho, como pais, de ter filhos envolvidos com música”, disse emocionada Marilene Barbosa, mãe de dois dos integrantes da orquesta _Joab (saxofonista) e Lucas (violonista).

 


No dia 30/10 o grupo se apresenta no CEU Perus novamente. Vale a pena conferir!

Para saber mais clique aqui.

 

 

Jéssica Moreira, 19, é correspondente comunitária de Perus.
@gegis00
jessicamoreira.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 11h03

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Casamento no trem da CPTM: até que a morte nos separe

Por Bianca Pedrina

 


Muitas coisas bizarras acontecem diariamente nos trens da linha Rubi da CTPM (Luz – Francisco Morato), na capital paulista. Pessoas “surfam” na parte superior do trem, cristãos com suas bíblias debaixo do braço pregam sua crença, passageiros empurram uns aos outros para conseguir um lugar para sentar (isso não impressiona mais, infelizmente, virou rotina), mas, casamento, realmente, é algo impressionante.


Quem me contou essa história foi o usuário da linha Naldo Gomes, que presenciou o matrimônio dentro do vagão. “Por volta das 14h, na estação Piqueri, entrou um padre com um monte de gente vestida ‘à caráter’. Devido ao horário, o trem estava relativamente vazio. Ficamos olhando uns para os outros sem entender bem o que estava acontecendo. Logo depois, vieram o violinista, fotógrafo e câmeras”, disse, achando que ia acontecer a filmagem de um comercial ou algo do tipo.

 

 

 Fotos: Naldo Gomes


O passageiro Gomes, curioso, perguntou ao rapaz que carregava o violino o que estava acontecendo. A resposta foi surpreendente: “vai rolar um casamento aí”.

Na estação seguinte, um casal _os noivos_  embarcou no vagão. “Foi aí que caiu a ficha que era um casamento de verdade”, lembra.

 


O casório aconteceu entre as estações Água Branca e Barra Funda, local onde casal se conheceu e,  por isso, foi escolhido como cenário para selar a união.

 

 


O violinista começou a tocar, o padre se posicionou ao fundo do trem com os noivos. A cerimônia aconteceu ali mesmo, com direito a troca de alianças e arremesso de buquê no final. “Uma senhora pegou o buquê. Todo mundo bateu palmas e abraçou o casal. Foi bonito de ver. Eu cumprimentei os noivos e desejei felicidades”, diz Gomes.

 

 

Gomes, que tirou as fotos com seu celular, confessa não saber se o casamento foi real. “Parecia ser de verdade, mas não sei, vai que era uma peça de teatro, tem doido para tudo.”

 

 

Bianca Pedrina, 27, é correspondente comunitária de Taipas.
@pedrita
biancapedrina.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 16h41

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Rede de projetos culturais quer fortalecer produção da periferia

 Por Jéssica Moreira

Há um bom tempo, a lógica de que a cultura parte do centro para a periferia vem sendo invertida. É também com esse objetivo que mais de 20 coletivos da capital paulista se reuniram no sábado, 27/8, para fundar a Rede Viva Periferia Viva, na sede da Comunidade Cultural Quilombaque, em Perus, zona norte de São Paulo.

O desejo de formar a rede surgiu há três anos e a principal razão é unir-se para enfrentar dificuldades como problemas financeiros, escassez de materiais, falta de espaço, entre outras. “Para sobreviver enquanto iniciativa independente foi preciso as forças”, afirma Roger Neves, idealizador do Informativo Comunitário Ôxe!

Um grupo de teatro sem espaço pode contar com sede de outro coletivo. O tal coletivo, que não tem como registrar suas ações, pode utilizar os equipamentos eletrônicos dos que tem e assim por diante. A rede possibilita que as ideias saiam do papel e façam parte da realidade das comunidades.

 

 

Informalmente, a rede já estava funcionando assim. Mas os grupos ainda não se sentiam seguros para formalizar o que já existia na prática. “Nós a consolidamos primeiro por dentro”, diz José Queiroz, gestor cultural da Quilombaque e um dos idealizadores da Rede.

O encontro se iniciou às 8h, com café organizado de forma comunitária. Logo depois, houve roda de apresentação dos coletivos, com muita troca de experiência, mostrando que uma relação saudável com a comunidade é um dos fatores mais importantes para que um trabalho seja fortalecido. “A rede fortalece o trabalho dos coletivos. Amplia e também legitima o objetivo em comum, que é utilizar a arte como fator de transformação social”, é o que diz Roger Duran, 27, produtor do Sinfonia de Cães, coletivo que produz eventos culturais.

Em pleno sábado de sol, os grupos permaneceram no espaço e outros mais chegaram, mostrando o comprometimento existente nas pessoas presentes. O debate contou também com a presença do coordenador do Programa VAI (Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais), da Secretaria Municipal de São Paulo, Gil Marçal, que afirmou que o número de projetos financiados pelo VAI na região norte aumentou e que os coletivos presentes eram também responsáveis por isso.

“O processo cultural da cidade sempre foi muito centralizado e elitista. Esse encontro legitima um processo cultural diferente, pois quando esses grupos se articulam você consegue potencializar o acesso à cultura e às artes, e a consequência disso é a participação maior da população”, diz o coordenador.

“Duas palavras deste encontro me servem como norte: amor e fraternidade. Acredito que tudo que nasce tendo essas duas palavras como princípio funciona”, afirma André Arruda, professor de teatro de Franco da Rocha e integrante do grupo de teatro Carne e Osso.

“A rede é um conjunto de ações que são feitas por pessoas que já têm experiência. Ela potencializa a solidariedade dos coletivos e também a capacidade de procurar soluções em comum”, diz Euler Sandeville, professor da FAU - USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) que vem participando das discussões da Quilombaque sobre o Parque Linear.

Fazem parte da fundação da Rede Viva Periferia Viva:  Comunidade Cultural Quilombaque, Coletivo Sarau na Brasa, CICAS, Grupo Pandora, Grupo Girandolá, Informativo Ôxe!, Quintal Cultural, Mutirão Cultural na Quebrada, Projeto Espremedor, Cia do Acaso, Cia Carne e Osso, Sarau Vila Fundão, Coletivo Luta Popular, Rede Ecumênica da Juventude, Sambaki, Arte na Lata, Trupe Liuds, Projeto Expiral, Sinfonia de Ca~es, Coletivo Esperança Garcia, Agência de Desenvolvimento Social, Na ação, Fábrica do Conhecimento, Coletivo Reagente, Abrigo Casa das Expedições e Trupe Cavalete Andante.

O próximo encontro está marcado para o dia 1º de outubro.

 

 

 Jéssica Moreira, 19, é correspondente comunitária de Perus.
@gegis00
jessicamoreira.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 16h27

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Mais um espaço cultural ameaçado: agora no Jardim Damasceno

 Por Cleber Arruda

Os moradores do Jardim Damasceno, na zona norte da capital, estão preocupados com o futuro de um projeto que se tornou referência para o bairro: o Centro para Criança e Adolescente, o CCA Arte na Rua.

Cerca de 80 crianças participam diariamente de atividades culturais e recreativas no espaço, em dois turnos, em um imóvel construído pela comunidade e que já tem mais de 20 anos. Noemia de Oliveira Mendonça, moradora do bairro desde 1976, fez parte do surgimento do projeto, acompanhou o seu desenvolvimento e agora se empenha em uma mobilização para impedir a sua desativação.

 

 

“A prefeitura alega que esse espaço não oferece infraestrutura para as crianças ficarem, só que elas estão aqui há 20 anos. Nunca aconteceu nada, nunca desmoronou, nunca tivemos problema com enchente. O que queremos é a construção de uma infraestrutura melhor para estender o atendimento para mais moradores, pois a comunidade tem um número grande de crianças e adolescentes que não fazem parte de qualquer projeto”, diz Noemia.

 

 

Marília Xavier Paz é mãe de três crianças, com idades entre 8 e 11 anos, que participam das atividades no CCA, enquanto ela trabalha. Marília teme a mudança do projeto para outro local. “O espaço é o único lugar onde meus filhos podem brincar no bairro. O ideal seria o projeto permanecer onde está e ser ampliado, pois se for para outra região, pode ser que eu não possa levar meus filhos, assim como muitas mães”, diz.

O centro também serve de local para outras atividades do bairro, como bazares, festas juninas, atendimento dos agentes de saúde para campanhas de prevenção e cuidado da população, reuniões de moradores etc.

 

 

A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente informou ao Mural que o Projeto Arte na Rua localiza-se numa área pública, contígua ao parque Linear Canivete, que fará parte do futuro Parque Linear Bananal. Segundo a secretaria, o Parque Linear Bananal está em fase de planejamento e já estão em andamento as articulações com outras secretarias para viabilizar o projeto, uma vez que há favelas próximas e será necessário realocar as famílias.

A coordenadora de comunicação da Secretaria Municipal de Assistência Social, Silvana Melky, disse ao Mural que o CCA Arte na Rua não será desativado, e que já estão procurando um novo imóvel nas proximidades da rua Talha Mar [onde ele fica atualmente] para transferir os serviços prestados.

 

 

Cleber Arruda, 30, é correspondente comunitário do Jardim Damasceno, Brasilândia, zona norte.
@CleberArruda

cleber.mural@gmail.com


Escrito por Blog Mural às 14h43

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No Jardim Damasceno, internet é “banda lástima”

Por Cleber Arruda

 

 

Ter acesso à internet no bairro Jardim Damasceno, na zona norte de São Paulo, não é uma tarefa fácil. Grandes empresas provedoras do serviço não cobrem a região e não têm previsão de quando essa cobertura chegará.

 

O mesmo acontece com os pacotes que oferecem serviços de telefonia e TV a cabo, que acabam provocando desejo e frustração nos moradores com suas publicidades tentadoras.

 

"É um descaso com a periferia. Já estou na fila de uma empresa há mais de três anos para adquirir um serviço de banda larga. Sinto-me maltratado e ignorado pelo atendimento", diz o funcionário público Julio Cesar da Silva Martins, morador do bairro.

 

Para driblar a situação e não ficar sem internet, Martins assinou o serviço da microempresa Space Network, que conecta o bairro à internet por meio de um sistema de rádio. A empresa começou como uma modesta lan house, em uma época em que elas faziam sucesso nas periferias e, desde então, não parou de crescer.

 

Os irmãos empresários Nilson Silva e Gilson Mariano

 

O jovem empresário Nilson Silva, conhecido por Nil e dono do negócio, percebeu a necessidade da região, fez cursos de especialização na área e descobriu como transformar a falta de atenção das provedoras em uma grande oportunidade.

 

"Começamos com dez clientes. Hoje já temos 500 em nossa rede e não estamos dando conta da fila de espera. Fazemos a cobertura de outros cinco bairros da região. Somos um monopólio", brinca Nil.

 

A empresa oferece dois pacotes de velocidade, o de 250 kbps, que custa R$ 49,90 por mês, e o de 512kbps, de R$ 69,90. Para fazer a assinatura, o cliente deve desembolsar ainda R$ 250 para compra da antena e equipamentos de conexão. O serviço de instalação está incluído no preço, que pode ser parcelado em duas vezes.

 

A dona de casa Renilda Ferreira Ramos é uma das mais novas clientes conectadas à rede da empresa. Em sua rua, foram seis instalações em um único domingo, há pouco mais de uma semana. "Comprei meu computador recentemente e precisava da internet. Contratei o serviço do Nil, mas a conexão tem caído muito, praticamente todas as manhãs fico sem sinal", reclama.

 

Para a assistente social Wilma Vitor, que mora no bairro COHAB, de Taipas, ao lado do Jardim Damasceno, os serviços do Nil foram uma opção que compensaram os prejuízos com outros sistemas de acesso à internet. "O mercado não tem noção do potencial de consumidores que estão perdendo por aqui", diz.

 

O morador Julio Cesar da Silva Martins, cliente da nova empresa 

 

Cleber Arruda, 29, é correspondente comunitário do Jardim Damasceno.
@CleberArruda
cleber.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 17h07

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Em Francisco Morato, grupo de teatro e jornal comunitário moram no mesmo endereço

Por Jéssica Moreira

 

Em mais uma das casas da pacata av. São Paulo, Vila Suíça, no município de Francisco Morato, na Grande São Paulo, no número 965, funcionam duas “instituições culturais” muito importantes para a região: a sede do grupo de teatro Girandolá e o local onde são produzidas as edições do jornal comunitário Ôxe!, produzido pelos moradores e distribuído mensalmente em mais de 80 pontos da cidade.

 

A casa pertence a Fábia Pierangeli, diretora do grupo de teatro e produtora do jornal. “A gente não tem um espaço público para ensaiar, não há um teatro e nem um centro cultural”, diz Fábia.

 

Tudo começou em 2007, quando o grupo composto, em sua maioria, por educadores, resolveu juntar a vontade de fazer teatro com a arte de educar.

 

Começaram a se apresentar em diversas escolas da região. Em 2009, o grupo foi contemplado pelo projeto PROAC Circulação (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo), e eles percorreram diversos municípios de São Paulo, como Cajamar, Franco da Rocha, Campo Limpo, São Carlos, Sapucaí e Botucatu.

 

“Depois de passar por Francisco Morato, onde Judas perdeu o seu sapato e outros lugares, por onde Judas perdeu-se nos olhares, o Teatro Girândola chega com seu Conto de todas as cores, enfim ao Paraíso – Centro Cultural São Paulo (CCSP)”. Este é um dos trechos da poesia de André Arruda, morador e colaborador do Ôxe!,  que ilustra a conquista dos integrantes do Girandolá que, em 2011, realizaram temporada no maior centro cultural da cidade de São Paulo.

 

Mesmo atingindo novos “quintais”, como chamam os palcos por onde passas, os integrantes do Girandolá continuaram a fomentar a cultura em Francisco Morato. Além das apresentações que realizam, com a política “pague quanto puder”, o grupo organiza mais projetos que envolvem a comunidade local, como a Oficina Rodopiar, onde são desenvolvidos vários jogos teatrais para as crianças e o Girandolá Recebe, que traz, todo mês, um grupo artístico diferente ao espaço.

 

 

Jornal comunitário Ôxe!

“A gente chegou à conclusão de que precisávamos de um meio para nos aproximarmos da população e dos outros artistas. Aí veio a ideia de um veículo de comunicação”, conta Roger Neves, fundador do Jornal Comunitário Ôxe!.

 

De início, utilizaram a internet, mas logo perceberam que este meio era inviável. “Morato é um município muito pobre, só 15% a 20% da população tem acesso a computadores ligados a internet”, afirma Roger, sobre a escolha do veículo.

 

São impressos, mensalmente, cinco mil exemplares, distribuídos em diversos pontos da cidade. Sustentado pela publicidade do comércio local, os organizadores falam da dificuldade da produção. “A gente mal consegue dinheiro para a impressão, que custa R$ 900 e, às vezes, temos que pôr do próprio bolso”.

 

Hoje, cerca 85% da produção vêm dos moradores. “A gente tira a pessoa da passividade em relação à realidade. Tira ela do mero espectador e a coloca como produtora das opiniões e das notícias”, diz Roger.

 

Neste mês, o Oxê!  e o Girandolá comemoram aniversário e irão festejar em dois finais de semana (18 e 19/6 e 26 e 27/6) os dois anos do informativo e os quatro anos do grupo de teatro. O evento se chama “Oxandolá (in) festa”, e acontece na sede do grupo. Confira a programação, no site e aproveite para conferir a edição online do Ôxe!.

 

 

Jéssica Moreira, 20, é correspondente comunitária de Perus.
@gegis00
jessicamoreira.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 16h47

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Em Taipas: meu vizinho, o “morrão”

 Por Bianca Pedrina

 

Não é por acaso que o terreno na rua Manoel Fernandes Leão, em Taipas, na zona norte da cidade de São Paulo, é conhecido como “morrão”. O terreno pertence ao bairro Jardim Brasília e faz justiça ao seu nome devido à sua “topografia”. Ladeira abaixo ou ladeira acima, o morro é realmente grande. Destoa dos amontoados de casas ao redor, que parecem disputar espaço umas com as outras.

 

 

O terreno parece abandonado. Mato alto, lixo e entulho espalham ares de abandono. O “morrão” pertence à Prefeitura de São Paulo, mas a falta de manutenção somada à falta de consciência dos moradores provocam a proliferação de ratos, baratas e insetos, animais que ninguém gosta de ter por perto por causarem danos à saúde.

 

 

Marilene Rabello, 43, é dona de casa e vizinha do “morrão” há 25 anos. A moradora conta que é ruim um local tão grande estar improdutivo, já que o bairro sofre com a falta de infraestrutura, como creches, áreas de lazer e escolas. “Poderia ser construído um campo de futebol no terreno, as crianças não têm espaço para brincar. Não aguento mais a molecada usando meu portão de gol”, diz.

 

Além disso, o terreno está em área de risco. A subprefeitura, na década de 80, chegou a colocar pilares de contenção no morro, porém, como o material era de madeira, apodreceu com o tempo e se juntou ao lixo.  O local ainda não desmoronou devido à vegetação alta e às arvores que teimaram em nascer no meio do entulho.

 

Para o terreno ser limpo, os moradores telefonam para a Subprefeitura de Brasilândia e solicitam o serviço. Na maioria das vezes que isso aconteceu, quem ligou foi Alaor Bertolo Alves, 56. Vizinho de frente do “morrão”, Alves diz que, com o passar dos anos, a manutenção do terreno tem sido feita com menos frequência. Muitas vezes, ele mesmo teve que carpir o mato. “Eu me sinto lesado, pago meus impostos”, ressalta.

 

“Antes a prefeitura sempre vinha limpar. Agora temos de ligar lá para pedir o serviço. Da ultima vez que ligamos, ficamos quase três meses esperando a limpeza”, lembra Alves, acrescentando que fizeram o serviço pela metade. “Tive que ligar lá novamente para reclamar, como o serviço é terceirizado, fica difícil o controle”, informa. Da última vez limparam o terreno um fiscal foi até o local para verificar se o serviço havia sido feito. “Até o fiscal ficou impressionado com as dimensões do ‘morrão’. Sugeriu, inclusive, que solicitássemos da subprefeitura que fosse feito um viveiro de mudas de árvores no terreno”, ironiza.

 

O que não faltam são planos e sugestões para melhorias no “morrão”, que vão desde um local para terceira idade até uma instalação para uma brigada de bombeiros. Entretanto, a maioria reconhece que uma creche seria mais útil para o bairro, que possui apenas duas.

 

 

Até já foi feito um abaixo-assinado para que no terreno fosse construído algo produtivo para a comunidade, mas a ação não avançou devido à falta de tempo dos moradores para se dedicarem ao assunto.

 

Alves e os moradores da rua Manoel Fernandes Leão querem dar destino mais útil ao terreno, para que o “morrão” não seja mais um vizinho indesejado.

 

 

Bianca Pedrina, 27, é correspondente comunitária de Taipas.
@pedrita
biancapedrina.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 17h31

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Vivian Whiteman O blog Mural é produzido por algumas dezenas de correspondentes comunitários que moram na periferia da Grande São Paulo e arredores.
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