Por Aline Kátia Melo

 

Já parou para pensar na importância da sinalização de trânsito no seu bairro? Eu nunca tinha pensado nisso antes de acontecer um acidente no meu.

Na Jova Rural, bairro onde moro, na zona norte de São Paulo, não há semáforos, faixa de pedestre, lombadas, nem medidor, nem placa de limite de velocidade.

No dia 9/1, por volta das 15h30, um ônibus da linha Jova Rural/Tietê seguia sentido centro e uma lotação, que faz Jova Rural/Carandiru, voltava no sentido bairro. Ambos bateram de frente na avenida Arley Gilberto de Araújo, perto da esquina da rua Maranhão.

Sempre notei que ônibus e lotações sempre sobem e descem esse trecho com velocidade alta e que mais cedo ou mais tarde um acidente ia acontecer. Nessa hora, a gente imagina o transtorno que poderia ser evitado se houvesse sinalização na região.

Acidente entre ônibus e lotação

Outra coisa que aprendi, foi que as sinalizações de trânsito, em sua grande maioria, são colocadas a partir da solicitação dos próprios moradores das regiões.

A pessoa interessada pode solicitar de três formas: pelo fone 156, na subprefeitura responsável pela região ou preenchendo um formulário site da Prefeitura de São Paulo, no SAC - Serviço de Atendimento ao Cidadão.

No SAC, o cidadão-solicitante recebe um número de protocolo e sua solicitação é encaminhada para a CET - Companhia de Engenharia de Tráfego, que fará um estudo para analisar se é possível ou não atender o pedido.

Fiz uma solicitação no dia 11/1, pelo site, dois dias depois de ter testemunhado o acidente, para que a avenida Arley Gilberto de Araújo ganhasse uma sinalização. Entre as opções disponíveis, escolhi "Circulação de Pedestre" e optei por justificar como "Conflito entre Pedestre e Veículo" _afinal, as pessoas não podem nem pensar em atravessar a tal avenida sem correr riscos.

Acompanhei o número do protocolo e em 26/1, 15 dias depois, recebi a seguinte resposta:

“(...) conforme o Artigo 94 do referido Código e a Resolução nº 39/98 do Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN (...) fica impossibilitada a colocação de obstáculos redutores de velocidade no local, pois as características da via (declividade) não atendem a todas as normas exigidas para a instalação desse tipo de dispositivo... Departamento de Atendimento ao Munícipe – DAM”.

O acidente foi a prova de que algo está errado no local. Se nada for feito a respeito, os acidentes vão continuar a ocorrer. Fiz a minha parte, mas a Prefeitura respondeu que a lombada não é viável, e não ofereceu alternativa. Qual será a solução então?

 

Aline Kátia Melo, 28, é correspondente comunitária da Jova Rural.

@alinekatia

alinekatia.mural@gmail.com