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Blog dos correspondentes comunitários da Grande São Paulo

 

Zona Oeste

Parque do Jaraguá oferece várias opções de passeios gratuitos

Por Silvia Martins

 Com certeza você já ouviu falar do Pico do Jaraguá, ponto mais alto da cidade de São Paulo, situado na zona oeste. Se ainda não ouviu, talvez tenha observado sua elevação de algum ponto da capital. Além de oferecer uma bela vista em contraste com a paisagem urbana, você sabe o que mais pode desfrutar do local?

 

No Parque Estadual do Jaraguá existem diversas opções gratuitas de lazer. Mas, apesar de público, muitos moradores das redondezas não conhecem o parque ou ainda não foram visitar. Entre quadras, lagos e equipamentos de playgrounds, uma boa alternativa é a Trilha do Pai Zé, que permite acesso ao topo do Pico.

 

Alexandre Martins de Lima, 36, passeava com um grupo de crianças. Todos estavam contentes com a aventura e as surpresas no caminho. Os macaquinhos, habitantes da mata, fizeram sucesso com a garotada.

 

 

Para Alexandre é um privilégio ter por perto uma área de lazer com tanto verde e espécies preservadas. “Estava com as crianças em casa e resolvi encarar o passeio, uma área como essa é bem difícil, temos que aproveitar”, diz;

 

Não são raras espécies como: sagui, macaco prego, esquilo, quati, entre outros, passeando próximos ao caminho. A vegetação se modifica conforme a altura, deixando uma área fechada e úmida para um clima mais aberto, seco e rochoso.

 

Anderson Ramos de Lima, 31, morador da região, visita o parque e percorre suas trilhas desde os oito anos de idade e tem boas lembranças: “Até os meus 10 anos ainda moravam índios aqui dentro, mas infelizmente foram retirados e alojados na frente do parque. Hoje só não concordo com as cercas, que limitam a trilha”.

 

 

O Parque é aberto ao público todos os dias entre às 7 e 17h. No total são 3.600 metros (ida e volta).

 

Onde:

Rua Antonio Cardoso Nogueira, 539, Vila Chica Luisa. Telefone: 3941.2162.

 

Silvia Martins, 30, é correspondente comunitária do Jaraguá.
@silviacomunica
silviamartins.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 15h59

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Trens menores complicam a vida de passageiros em Osasco

Por Paulo Talarico

Todos os dias, o metalúrgico Fernando Donizetti Bocchi, 37, acorda cedo. Às 5h da manhã, sai de casa e vai para a estação Comandante Sampaio, na cidade Osasco, na Grande São Paulo. Lá, ele pega o trem com destino à Barra Funda, na zona oeste da capital, onde fará baldeação para o metrô para ir ao trabalho na zona leste.

Mesmo sem a luz do sol, ele tem que ficar atento com qual tipo de trem está vindo. Caso venha o de cor cinza, ele pegará uma das composições mais velhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), com vidros rabiscados, cheio e abafado. No entanto, caso venha um vermelho ou azul, o problema não será a velhice, e sim, o tamanho. Os novos trens da linha têm apenas oito carros, enquanto os antigos modelos possuem 12.

“É bom pela modernidade, mas é menor e por isso vem mais lotado. Ele seria melhor se viesse com menos tempo de intervalo. Hoje, se não fosse o velhinho, essa linha não suportaria”, avalia Bocchi. 

Tudo mudou em fevereiro deste ano, quando os usuários da linha 8-Diamante, que liga a cidade de Itapevi à Julio Prestes (região da Luz, em São Paulo), receberam uma boa notícia: trens novos começariam a circular no trajeto. Porém, esqueceram de avisar que seriam composições menores do que as antigas.

Passageiro corre para não perder trem

Além disso, nas estações em Osasco, raramente é informado quando os utilitários menores se aproximam. A falta de informação atrapalha quem está no início da plataforma, e tem que ir rápido até o meio para chegar ao vagão. “Às vezes você fica esperando o de 12 carros e ele vem, daí fica aquela correria”, afirma o técnico em embalagens Disney Alves Morais.

Enquanto o modelo 5.000, fabricado no final da década de 1970, possui 768 lugares (64 para cada um dos doze vagões), os novos têm apenas 480 assentos (60 por carro), ou seja, são 35% menores. . “Eu não o pego por sempre vir cheio”, conta o analista de sistemas Rubens Vicente, também usuário da linha. 

Após o lançamento, não foram apenas modelos novos que entraram em circulação. Utilitários que já eram utilizados pela linha 9 – Esmeralda, também com oito carros, começaram a fazer com freqüência o trajeto.

Questionada, a assessoria de imprensa da CPTM informou que as alterações fazem parte da padronização das seis linhas da companhia. A empresa adquiriu 105 novos trens, dos quais, 36 composições com oito carros são para a 8-Diamante, e devem entrar em circulação até 2013. Os velhos trens de 12 carros estariam com os dias contados. “Esse já devia ser aposentado faz tempo”, diz Vicente.

A CPTM também afirma que, embora menores, a entrada em operação de mais trens possibilitará um número maior de viagens para atender à demanda dos usuários.

Paulo Talarico, 21, é correspondente comunitário de Osasco.
@PauloTalarico
paulotalarico.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 15h08

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Painel luminoso na Vila Sônia atrapalha motoristas e desrespeita lei Cidade Limpa

Por Patrícia Silva

Após a inauguração das estações Butantã e Pinheiros da Linha 4 amarela do metrô, bairros como a Vila Sônia, na zona oeste de São Paulo, têm sofrido um verdadeiro boom imobiliário. E, para driblar a concorrência, empreendimentos apostam em chamativos painéis luminosos, que causam desconforto aos motoristas e aos passageiros de ônibus, além de desrespeitar a Lei Cidade Limpa (nº 4.223/06).

Instalado na av. Professor Francisco Morato, 4.650, sentido bairro, um anúncio traz a seguinte mensagem: “3 dorms. pelo preço de 2”, “Quem compara, compra aqui!”. O lançamento é do “Time Vila Sônia”, da construtora Canopus. “A luz é muito forte. Eu, por exemplo, tenho astigmatismo e não consigo ver o letreiro do ônibus por causa do reflexo”, conta o passageiro Igor Assunção. “Incomodar, incomoda, mas vai fazer o quê, né? Eles querem vender o prédio”, afirma outra usuária.

Dentre as regras da lei, que tem como objetivo eliminar a poluição visual de São Paulo, está uma norma que proíbe os anúncios de “provocar reflexo, brilho ou intensidade de luz que possa ocasionar ofuscamento e prejudicar a visão dos motoristas”. A determinação também ressalta que os painéis não devem  “interferir na operação ou sinalização de trânsito ou, ainda, causar insegurança ao trânsito de veículos e pedestres, quando com dispositivo elétrico ou com película de alta reflexividade”.

O motorista de ônibus Elenilson Silva dos Santos, 56, afirma que a claridade do anúncio prejudica o seu trabalho principalmente durante a noite. “Você sai do escuro e já entra no claro, não dá para ver nada, nem as portas traseiras. Às vezes dá até aquela tontura. É ruim, pois a gente não vê direito o passageiro dando o sinal. Nós [motoristas] já reclamamos, mas ninguém faz nada. Até quando um carro entrar lá com tudo”, diz.

O corretor do empreendimento Nivaldo Nogueira, 47, destaca que a adoção do painel eletrônico estimulou às vendas do “Time Vila Sônia”, além disso, ele acredita que a claridade da peça não causa desconforto aos condutores. “Eu acho que ajuda na segurança, pois está localizado perto de um ponto de ônibus. A casa lotérica daqui era frequentemente assaltada, agora não”, diz.

 

Depois da publicação da matéria no Blog Mural, a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras informou que o proprietário do painel luminoso foi multado em R$ 10 mil. Leia a íntegra da nota:

"A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, por intermédio da Subprefeitura Butantã, informa que o proprietário do painel luminoso foi identificado e multado em R$ 10.000,00 por desrespeitar a lei Cidade Limpa, conforme auto n° 14.287.493-1, de 15/12/11. O proprietário do painel comprometeu-se a retirá-lo e, caso o anúncio persista, será multado novamente conforme a legislação vigente.

Atenciosamente,

Secretaria de Coordenação das Subprefeituras"

Patrícia Silva, 23, é correspondente comunitária do Campo Limpo.
@Patricia_Aps
patriciasilva.mural@gmail.com
 

 

Escrito por Blog Mural às 15h05

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Jaraguá vai ganhar nova estação de trem

Por Silvia Martins

 

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), como parte do plano de expansão do transporte metropolitano, irá reconstruir a estação Jaraguá de trem, na zona oeste de São Paulo. A atual estação, que pertence à Linha 7-Rubi (Luz - Francisco Morato), é tombada como patrimônio histórico de São Paulo e, portanto, não pode receber as obras de modernização e acessibilidade.

 

Segundo a assessoria de imprensa da CPTM, o projeto é orçado em R$ 39,4 milhões e deve durar 24 meses a contar da data da assinatura da ordem de serviço. O novo edifício será construído ao lado da atual estação e terá plataformas cobertas, escadas rolantes e todos os itens de acessibilidade (elevadores, piso e rota táteis, comunicação em braille, corrimãos e rampas adequadas, sanitários exclusivos para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida).

 

Estação de Jaraguá mantém características originais

 

Moradores da região e usuários dos serviços da CPTM avaliam que as obras são necessárias e esperam melhorias que a atual estação não possui, como, por exemplo, uma passarela coberta para atravessar as plataformas.

 

Fernando, 31, acredita que o projeto deve trazer melhorias significativas, mas teme o período das obras: “vai ser um transtorno terrível, vai tumultuar, vai complicar a vida”. José, 25, revela que “apesar dos transtornos nas obras, daqui uns 5 anos deve melhorar bastante”. Já Edmar Soares de Oliveira, 48, vê como essencial a instalação de escadas rolantes, pois acha “perigosos os degraus da escada atual, que são de ferro e estreitos”. Todos os entrevistados esperam que as obras não interfiram no funcionamento dos trens.

 

Estação segue modelo da arquitetura inglesa

 

A atual estação do Jaraguá tem 120 anos e possui uma arquitetura inspirada nas estações da Inglaterra. Até a conclusão das obras da nova estação, vai atender aos usuários. Após este período, terá uma nova vocação, ainda não definida.

 

O tombamento, determinado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), foi publicado no Diário Oficial da União, em 17 de julho de 2010. Apesar do tempo, muitos moradores da região ainda desconhecem o fato. Rita de Cássia, 47 e Ana, 32, acreditam que a divulgação é importante para o bairro, “para atrair turismo e movimento”.

 

Silvia Martins, 30, é correspondente comunitária do Jaraguá.
@silviacomunica
silviamartins.mural@gmail.com

 

Escrito por Blog Mural às 17h02

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Vila Nova Cachoeirinha sedia o Festival Internacional Batalha Final

 

 

Por Priscila Vierros

 

Nos dias 3, 4 e 5 de junho aconteceu o festival internacional de dança de rua, que reuniu dançarinos do Brasil e da América Latina. O evento foi realizado no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, zona oeste, e contou com a participação de jurados e produtores conceituados internacionacionalmente.

 

O sábado foi o dia dedicado às competições femininas, o We B. Girlz Brasil. Além de workshop e palestra sobre a mulher no cenário do hip-hop, B. Girlz de toda a América Latina competiram para duas vagas no campeonato mundial de “breaking” que acontecerá em novembro na França. A Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop premiou a dupla vencedora com as passagens para participarem do concurso.

 

Uma dupla brasileira disputou a final com uma dupla argentina. Luizi e Kelly Slow, B. Girlz há sete anos, que representam a crew Brasil Style B. Girlz, de Brasília, venceram a batalha e vão representar o Brasil e toda a América Latina.

 

Luizi e Kelly

 

Para Luizi participar do evento foi emocionante porque há um ano recebeu um diagnóstico médico de lesão na lombar e duas hérnias de disco e precisou optar se continuaria com a dança. “Recebi isto como um ultimato, decidi continuar com meu sonho e estou muito feliz com a minha escolha. Principalmente por chegar até uma final”, diz. 

 

Kelly conta que receber este prêmio foi muito gratificante, pois não foram participar da batalha com a intenção de ganhar e sim de aprender a competir por diversão. “Já perdi muitas vezes porque não conseguia relaxar ao entrar na roda e acabava errando. Ficava muito frustrada por não acertar o que treinava tanto. E hoje que não estávamos focadas em vencer conseguimos”, se emociona.

 

A carreira de dança no Brasil não é fácil e a maior dificuldade que as B. Girls encontram é de conseguirem se manter financeiramente somente por meio da dança. Outro problema também é conseguir promover batalhas de disputas femininas, já que o espaço ainda é muito restrito aos homens.

 

Uma das organizadoras do evento a B. Girl Miwa comenta sobre a dificuldade de trazer um evento internacional como este para o Brasil, que só foi possível graças aos amigos e parcerias que apoiaram o projeto. “Nossa proposta era reunir mulheres do Brasil e da América Latina para fazer um intercâmbio cultural, algo que a gente nunca teve. Em países da Europa e Estados Unidos isso é muito comum. Aqui foi a primeira vez”, diz.

 

As amigas e B. Girlz Luana Batista Pinto, de 15, e Amanda Barone Lopes, de 17 anos, conheceram o hip-Hhp no projeto social do cantor Gabriel o Pensador, na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro – cidade natal das duas. Para elas participar deste evento é importante porque podem pegar informações, dicas e críticas que são muito úteis para continuarem suas carreiras. 

 
 
 
 
Priscilla Vierros, 27, é correspondente comunitária de Guaianazes
@privierros

Escrito por Blog Mural às 18h32

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Vamos fazer um filme?

Por Tatiane Ribeiro

 

Para fazer cinema, não é preciso ter anos de experiência na área ou ser contratado por uma grande produtora. Duvida? Então, conheça o perfil de alguns jovens que mostraram que com vontade e disciplina as ideias se realizam.

 

Foram escolhidos 15 participantes entre 600 candidatos. O 1º Curso de Direção Cinematográfica foi realizado pelo Cine Galpão, na zona oeste da cidade, em parceria com o Catraca Livre e o Instituto Pinheiro, entre 5 de janeiro e 12 de fevereiro, aos sábados e gratuitamente.

 

O critério principal de seleção dos candidatos: serem eles possíveis multiplicadores do aprendizado. Foi assim que o grupo de jovens, com idades entre 18 e 29 anos, se formou e colocou a imaginação para rodar. Em menos de dois meses, o resultado do curso se materializou no curta-metragem “Cádaver Esquisito”. Baseado nas vanguardas artísticas do início do século 20, como o dadaísmo, o surrealismo e o cubismo, o roteiro, escolhido por votação, foi desenvolvido inteiramente pelos participantes.

 

 Foto: Samira Nagib

Com duração de quase 5min, a produção foi exibida no último dia 18 e cumpriu o seu objetivo. “Causar estranhamento, jogar as ideias desconectas para incentivar o público a pesquisar e entender”, explica o diretor de cena Cláudio Eduardo Silva, 25.

 

Professor de história e agente dos Correios, Silva aprendeu a gostar de cinema com a madrinha que assistia de filmes do Rambo a Godard. Foi também influenciado por um amigo do cursinho a conhecer as escolas do cinema e alugava várias vezes as mesmas fitas nas locadoras para entender o trabalho dos diretores consagrados. “Antes de chegar aqui, fiz um clipe de uma música da minha banda de rock.”

 

O inspetor de escola Emerson Dias, 24, formado em jornalismo e estudante de artes cênicas, participou do curta “Caos”, do diretor Fábio Baldo. “Tive a oportunidade de ver de perto como é a produção de um curta e fiquei apaixonado”, conta.

 

Radhika Meron, 18, teve contato com o cinema por meio do programa Jovem Aprendiz. Cismou que antes de completar a maioridade deveria fazer tudo que queria. Soube do Cine Galpão por meio da mãe, que vendia salgados pelas redondezas do espaço. Radhika bateu na porta pedindo para ter aula em troca de algum trabalho no local. “Fiquei alguns meses atendendo telefone, entre outras coisas, para pagar os primeiros cursos.”  Dessa vez, foi uma das 15 selecionadas para o curso gratuito de direção.

 

Já Tiago Alexandre, 29, formulou, com uma amiga, o projeto Perifacine de exibição itinerante de filmes nas comunidades periféricas da cidade de São Paulo. Estudante de biblioteconomia, dá consultoria em arquivologia para uma empresa farmacêutica. Interessado em conhecer o processo de produção cinematográfica, inscreveu-se no curso e foi escolhido para operar a captação do som no curta.

 

Assim como eles, a maioria dos participantes do curso não atuam na área de cinema, mas com a bagagem de cada um e o comprometimento conseguiram levar ao fim um projeto empolgante.

 

Agora, nós (eu também fiz parte do grupo) não queremos mais parar e já temos ideias para vários roteiros na fila para produzir!

 

 

Blog do Cine Galpão: http://blogcinegalpao.org/

Tatiane Ribeiro, 25, é correspondente comunitária da Bela Vista.
@TaTyaa
tatiribeiro.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 17h07

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Um dia de cadeirante em São Paulo

Por Anderson Meneses

 

Carlos Novack, 25, é um dos muitos paulistanos que enfrentam o desafio de acessibilidade em uma cidade como São Paulo, mas isto não o faz ficar parado. Carlinhos, como gosta de ser chamado, sempre está procurando algo para fazer e busca sempre ajudar as pessoas.

Ele mora com sua mãe há 23 anos no Jardim Damasceno, zona oeste de São Paulo, porém diz que não costuma sair muito pelo bairro, pois não consegue andar por ele. “Se eu precisar comprar alguma coisa no meu bairro ou eu fico sem, ou eu fico sem”, diz. Decidimos então ir até os lugares onde ele mais freqüentava para ver quais são as dificuldades que um cadeirante enfrenta em sua região.

Nossa viagem começou na porta da casa de Carlinhos, onde uma rampa foi construída para que ele conseguisse entrar e sair sem dificuldades. No dia que eu o acompanhei, um carro estacionado na frente atrapalhava nossa passagem, e tivemos que descer por um outro ponto da calçada. Caminhamos até o ponto de ônibus, pelo meio da rua, pois a calçada é estreita e cheia de buracos, e fica quase impossível até para um pedestre que não precisa se locomover em cadeira de rodas passar. Ao chegar à calçada do ônibus a guia novamente rebaixada ajuda Carlinhos a subir: “Esta rampa não foi feita pela prefeitura. Meu irmão, com ajuda da comunidade, que fez isso, para me ajudar”.

Carlinhos diz que, se têm algum compromisso, tem que sair de casa com duas ou três horas de antecedência, pois não são todos os ônibus que são adaptados para que ele possa subir. Uma lotação sentido terminal Cachoeirinha chega e com a ajuda do cobrador, Carlinhos é erguido até o espaço destinado a cadeirantes dentro da lotação.

Fazemos uma baldeação no terminal Cachoeirinha para o ônibus Metrô Santana, onde todos já conhecem Carlinhos e nos ajudam para que ele embarque com mais segurança. Ao chegar na estação do metrô Santana mais um desafio: sair do ponto de ônibus e chegar até o metrô, um percurso curto, mas que tem alguns obstáculos, como a calçada novamente cheia de buracos e a movimentação constante de pessoas com pressa.

Carlinhos e eu embarcamos no primeiro vagão do metrô e nossa próxima parada é a estação Paraíso. Ao chegar ali, mais uma surpresa: o elevador de acesso para cadeirantes está quebrado e não há outra opção a não ser se arriscar na escada rolante com ajuda de alguma boa alma.

Na avenida Paulista, a situação é muito diferente. As ruas são largas e as travessias de pedestres são tranqüilas. Às 13h, duas horas depois de sair do bairro Jardim Damasceno, estamos na rádio do programa de humor que havia entrevistado Carlinhos no dia anterior (por causa de uma foto, ele teve seus 15 minutos de fama). Carlinhos entra ao vivo e depois tira algumas fotos com os participantes do programa.

Carlinhos decide então ir até a Santa Ifigênia, reduto da tecnologia no centro de São Paulo. Fui com ele até estação São Bento, onde mais um elevador do metrô está em manutenção e ele precisa aguardar por volta de 8 minutos até um agente da estação vir ajudar. Ao sair da estação percebemos que a região do centro não está nada preparada para atender a população cadeirante. Carlinhos briga por espaço novamente com carros e ônibus.

Terminamos nosso percurso na estação rodoviária do Tiête, onde Carlinhos precisa comprar uma passagem para Minas Gerais, pois vai viajar com sua namorada na próxima semana _ali, os acessos são muito bem adaptados.

No final, percebi que este único dia foi vencido para um cadeirante que precisa fazer um esforço muito maior para realizar pequenas coisas. Apesar disso, percebo que Carlinhos gosta mesmo é de ajudar as pessoas, pois, ao nos despedirmos, diz que precisa correr para casa para arrumar o computador de sua irmã.

Se quiser acompanhar Carlinhos de perto, ele escreve todos os dias para um blog de esportes  (http://www.lanceactivo.com.br/carlosnovack/blog 

 

Anderson Meneses, 20, é correspondente comunitário de Pirituba. 
@coabitar
andersonmeneses.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 14h34

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Nem só de baladas vive a Barra Funda

Por Sirlene Farias

Próximo aos bares e casas de shows da Barra Funda, mas não com a mesma popularidade dos pontos de diversão, está o Conjunto Desportivo Baby Barioni.

Como resultado de uma parceria entre a Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Turismo e a Confederação Brasileira de Kick Boxing, a entidade oferece gratuitamente aulas da luta em centros de exercícios espalhados pela capital e no interior paulista.

“O plano começou em 2009 e hoje temos 150 praticantes neste espaço. Aqui, os atletas da modalidade têm a oportunidade de aprender noções básicas do esporte, fazer exame classificatório (para conquistar a faixa correspondente ao seu nível) e recebem uniformes gratuitamente”, diz o professor Carlos Eduardo Alves Rocha, responsável pelo centro de treinamento no Baby Barioni.

Os alunos ainda podem competir com lutadores de outras regiões de São Paulo e do país. Mas para isso, eles têm de se esforçar. “Nós não temos frescura, homens, mulheres e crianças são tratados com igualdade e precisam mostrar interesse em participar das competições”, reforça Rocha. 

Ao ser questionado sobre a importância do kick boxing para os praticantes, Rocha não vacila. “O mais interessante é ver que os jovens deixam de fazer ‘coisas ruins’ nas ruas depois que começam a frequentar o espaço. É importante lembrar que o esporte desenvolve várias habilidades em quem o pratica”, completa.

Para participar das aulas de kick boxing, basta ir até o espaço Baby Barioni, que fica na rua Dona Germaine Burchard, nº 451, às segundas, quartas ou sextas-feiras, das 10h30 às 19h. Leve duas fotos 3x4, uma cópia dos documentos RG e CPF, um comprovante de residência e, é claro, sua força de vontade.

 

Sirlene Farias, 24, é correspondente do bairro de Guaianases.
@sixxx_riot
sirlene.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 14h10

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Vivian Whiteman O blog Mural é produzido por algumas dezenas de correspondentes comunitários que moram na periferia da Grande São Paulo e arredores.
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